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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 30.01.14

lisboa «cool» - jornalista cnn não sabe o que é o feudalismo

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Uma jornalista da CNN chamou «cool» à noite lisboeta porque andou acompanhada por alguém da CML e, bem comida e bem bebida, não se defrontou com os grupos de estudantes (os Erasmus e os de cá) que celebram com bebedeiras e cantorias a sua passagem pela e para a Universidade. Os moradores do Bairro Alto já não suportavam a alucinação do vereador Sá Fernandes (que só vê o Turismo como panaceia para a cidade fingindo esquecer que a cidade é quem cá vive) e agora aparece uma obscura jornalista da CNN a gritar aos quatro ventos que Lisboa é «cool» porque tem muitos bares e paredes pintadas no Bairro Alto. Até o circunspecto Bagão Félix na TV disse que isto era uma boa notícia; só não explicou para quem. Para nós moradores é uma péssima notícia. Há pelo menos um paralelismo a fazer entre a jornalista americana e a praga das praxes. Os EUA são um povo ignorante sobre o Mundo, deslumbrado com qualquer novidade, jovem, sem memória, sem história, sem referências, para quem tudo o que tenha mais de cem anos já é antigo. As praxes nasceram nos tempos do Cavaquistão em paralelo com as televisões privadas e os bancos privados. Como não tinham nada, inventaram a memórias de umas praxes que nunca lá houve. Daí as capas e batinas, os rituais, as parvoíces que qualquer um pode ver no Metro. Ainda esta noite andaram pela Rua da Rosa uns maloios a cantar às três da manhã. O que nos vai ajudando um pouco são os aguaceiros que em boa hora correm com esse lixo humano do nosso Bairro e ajudam a lavar as ruas da sua urina, seus dejectos, seus copos de plástico, suas limas cortadas ao meio. Não admira que a pobre jornalista tenha chamado «cool» à noite quando o vereador vê em cada alfarrabista que fecha um hotel que abre. Mas aquilo que os turistas comem é importado em setenta por cento. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 10:55


1 comentário

De José a 03.02.2014 às 09:41

Não moro na Rua da Rosa, mas moro na Rua Marechal Saldanha, por isso também tenho alguns bares perto de casa (um quase junto ao jardim de S.ª Catarina), já para não falar dos traficantes de droga na esquina do n.º 18. Moramos numa zona que sempre foi a área da "borga" em Lisboa (e antes não havia caixilharias em alumínio para ocultar um pouco o som). Houve um certo florescimento dos bares, é certo, mas naquela zona eles já existiam e são parte integrante da cidade. Moro na mesma rua há mais de trinta anos e sempre me lembro de ouvir uns quantos bêbados às três da manhã (ou às seis ou sete se for noite de santos populares ou de outra festa qualquer). Se não gostamos daquilo que sempre foi o Bairro Alto (há umas décadas era um dos antros da prostituição e dos bares homossexuais, sendo depois a parte baixa, Cais do Sodré, por exemplo, a zona dos bares dos marinheiros), então o problema é nosso, mas aquilo sempre foi assim.

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