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  <title>Transporte Sentimental</title>
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  <description>Transporte Sentimental - SAPO Blogs</description>
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  <pubDate>Sun, 26 Feb 2017 12:39:56 GMT</pubDate>
  <title>«a vida muda de sete em sete anos» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=o2rpQld9wzzZhSG6PD36&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B2115a262/20278197_jj4c8.jpeg&quot; alt=&quot;Bispo de Leiria.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que conheço esta frase («A vida muda de sete em sete anos») do tempo em que colaborei com a Editora CLIMEPSI e lia muitos livros de Psicologia. Outro dia vinha a subir a Rua Garrett e à porta da Basílica dos Mártires um vendedor de fotografias ofereceu-me esta. Trata-se do Bispo D. José Alves Correia da Silva, na Diocese de Leiria entre 1920 e 1957. O meu amigo Jorge Garcia do Círculo de Leitores é que me deu os elementos biográficos e o identificou. O Bispo nasceu em 15-1-1872 e morreu em 4-12-1957. Seja como fôr, a vida muda mesmo de sete em sete anos. Pelo menos a minha vida alterou-se aos 7, 14, 21, 28 e 35. A partir daí foi tudo em velocidade de cruzeiro. Vem tudo a propósito. Ontem li o livro «Nos mares do fim do mundo» de Bernardo Santareno e percebi na leitura do prefácio de Álvaro Garrido que o dramaturgo escalabitano foi militante da JUC em Coimbra onde se licenciou em Medicina. Eu fui militante da JOC em Vila Franca de Xira entre 1961 e 1966 porque não havia JEC. Talvez por isso fui delegado sindical do SBSI entre 1972 e 1996 e tenho uma reforma pequena mas isso é outra conversa. Até aos sete anos vivi em Santa Catarina (Caldas da Rainha) e, como neto e sobrinho do sacristão local, era eu que ia a correr buscar as brasas para o turíbulo da procissão da padroeira. Ainda hoje sei o hino da JOC. O meu avô (1906-1979) quando já não era sacristão foi comigo a Fátima a pé quando concluí o Curso Comercial em Agosto de 1966. Quando eu entrava na sacristia da igreja paroquial olhava sempre para o retrato do bispo José António da Silva Rebelo (1779-1846) a quem dediquei um poema. Sou descendente de um bravo do Mindelo, um Almeida que veio das Flores, e escrevi um poema sobre um bispo miguelista: todos temos direito às nossas incoerências privadas.  --</description>
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  <pubDate>Sat, 25 Feb 2017 11:00:05 GMT</pubDate>
  <title>«nos mares do fim do mundo» de bernardo santareno </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=ykVU4qaU3HgrrQrKTWhg&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bb515071a/20275834_nIW3Z.jpeg&quot; alt=&quot;552.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Santareno (1920-1980) integrou a equipa de médicos da frota bacalhoeira portuguesa entre 1957 e 1959: «David Melgueiro», «Senhora do Mar» e «Gil Eannes» são os nomes dos navios nos quais embarcou. Acontece que tanto a peça «O Lugre» como a narrativa (em forma de testemunho) «Nos mares do fim do Mundo», livros editado em 1959 pela Editora Ática, vieram sobressaltar as visões oficiais da pesca do bacalhau. A oposição do regime ao seu trabalho de escritor foi ao ponto de o jornal «O Pescador» de Dezembro de 1959 omitir o nome deste médico-dramaturgo aquando da chegada do navio Gil Eannes a Leixões. Tratou-se de uma tentativa de morte civil mas sem resultado.  Esta nova edição do livro de 1959 conta com dois textos inéditos «Responsabilidade» e «Rebelião», com fotografias novas e com a ficha de inscrição do médico no Grémio dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau. Num livro de 238 páginas fixemos apenas duas notas. Na comparação entre as amizades no mar e na cidade, escreve o autor: «Que tristes, decepadas e pobres as nossas amizades de cidade: Ai, aqueles nossos cafés, cheios de olhos de abutre, de fumo envenenado pelas miragens do ópio!... O mar humaniza, equilibra, lava e redime…é um baptismo, um crisma: a gente nasce outra vez. E tudo começa: puros fortes, cheios de graça!» Na aproximação ao fascínio do mar pode ler-se: «o mar é puro, leal, generoso…cura todas as chagas, lava todas as manchas! Forte e invencível… O mar é imenso e eterno: é a voz e o olhar de Deus. É forte, invencível: destrói o ódio, o ciúme, a inveja… Só consente o amor.» O título do livro está na página 190: «Dantes, ainda há vinte ou trinta anos, nas aldeias piscatórias do norte, em redor de Ílhavo, quando os homens partiam para os mares da Terra Nova, as mulheres vestiam-se de luto rigoroso. E sepultavam tudo quanto fosse oiro ou prata ou metal luzente… Até a loiça, os pratos brancos onde o sol podia brilhar, até esses eram retirados da vida. E nunca mais, enquanto durava a campanha, a mulher casada dormia no leito conjugal; no quarto sim mas no chão, sobre farrapos de burel, aos pés da cama onde conhecera o amor do seu homem…agora lá longe, sobre as ondas do Oceano, nos mares do fim do mundo.» (Editora: E-Primatur, Prefácio: Álvaro Garrido, Editor responsável: Hugo Xavier, Apoio: Nuno Fonseca)  --</description>
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  <pubDate>Fri, 24 Feb 2017 19:36:25 GMT</pubDate>
  <title>dissertação para um olhar da mulher-menina frente ao tejo </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=gFDlLOZ1kCZb4WByDYJr&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B7c15c047/20275154_hZYK6.jpeg&quot; alt=&quot;xE3o Galamba.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Setembro de 1973 eu estava em Évora no serviço militar e ainda havia presos políticos em Caxias. Vinha muita gente do Couço e da Azervadinha que pernoitava em Vila Franca de Xira. No outro dia de manhã tomava o comboio para Santa Apolónia e fazia a pé, para poupar o preço do bilhete de eléctrico, o caminho desde Santa Apolónia ao Cais do Sodré. Em 1974 este olhar assentava as suas coordenadas na colina do Jardim da Estrela, no seu ponto mais alto, o Tejo em frente, a espuma dos cacilheiros que parecia sair do título de um livro de Fernando Namora nesse tempo: «O rio triste». Alguns anos depois esse olhar fixou-se no Cais do Sodré, ainda lá estava o chinês das gravatas, a velocidade dos rebocadores, os pregões das varinas, os apitos dos polícias sinaleiros e os eléctricos de atrelado com as suas campainhas e a sua lentidão. Uma mulher de meia idade, dessas que morrem sem deixar nem amor nem filhos nem saudades, cancelou um dia com um simples carimbo de borracha a entrada desta mulher-menina no Banco Português do Atlântico mas, uma semana depois, essa admissão consumava-se mas no Banco Borges &amp; Irmão.   Há neste olhar de mulher-menina uma espécie de cédula que despacha mercadorias: carvão da Silésia, borregos da Nova Zelândia, açúcar de Cuba, cera de abelhas da Guiné Bissau. No passado recente este olhar estava num palco do Sul de França com um rancho folclórico da região de Leiria tal como tinha estado no Verão anterior na apanha da maçã num rancho de raparigas com um capataz inflexível e quase sem tempo para elas fumarem um cigarro na pausa da colheita. Passaram quarenta anos mas o Mundo é o mesmo.  --</description>
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  <pubDate>Wed, 22 Feb 2017 11:01:17 GMT</pubDate>
  <title>«guardas de passagem de nível» de carlos cipriano </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/guardas-de-passagem-de-nivel-de-carlos-346896</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=L707cgA1ZqGcJEKQgTaw&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B3a12c6af/20269808_liHy8.jpeg&quot; alt=&quot;551.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro de Carlos Cipriano (n.1963) poderia ter títulos como «Uma cartografia da solidão» ou «A epopeia das mulheres esquecidas». O acidente ferroviário de Alcafache (11-9-1985) deu origem ao livro de João Ricardo Pedro «Um postal de Detroit» e está presente neste trabalho de Carlos Cipriano nas páginas 60 e 72. Considerado no primeiro como «o pior desastre ferroviário» pois «é provável que tenham morrido cerca de 150 pessoas» já neste surge como «o segundo mais grave da história do caminho-de-ferro português» com cerca de 80 vítimas mortais e 170 feridos.    O ponto de partida do livro é o retrato das mulheres que, «longe das estações, em modestas casetas à beira da linha, por vezes sem água nem electricidade, cumpriam turnos de 12 e até de 24 horas». Os números não mentem: em Janeiro de 2016 havia 99 guardas de passagem de nível dos quais 95 eram mulheres; em 1961 eram 1646, em 1997 eram 900. Este livro é escrito «em homenagem a estas profissionais esquecidas, hoje em vias de extinção e também aos que, nas estações, zelam pela segurança dos comboios».  Há nestas páginas histórias como a de Maria Dolorosa que uma noite de trovoada ficou toda encharcada num abrigo de uma passagem de nível na Linha do Oeste e recebeu roupa enxuta, entregue por um miúdo de dez anos, filho da guarda titular; hoje esse rapaz é o chefe da estação de Leiria e chama-se António Ribeiro. E também dados concretos: «hoje o ordenado base de uma guarda de PN é de 553 euros mas com os subsídios de refeição, de turno e horas nocturnas, pode ir aos 900 ou mil euros». Outro caso: a fuga do rei D. Manuel e a sua comitiva em 4 Outubro de 1910 obrigou a uma paragem na zona da Malveira (Linha do Oeste) para que a guarda lhes abrisse as cancelas quando iam de Lisboa para a Ericeira de onde seguiram para Gibraltar. Tragédias surgem na página 55, 64 e 68. Na primeira entre Aguda e Miramar, uma rapariga atirou-se ao comboio «como quem se atira a uma piscina» e a guarda nada pôde fazer mesmo depois de a ter avisado «Ó menina, afaste-se, tire lá a roda daí!». Na segunda é o dia 25-4-2005 em Darque quando uma guarda destacada se enganou com o telefonema de Viana do Castelo e morreram os dois ocupantes de um automóvel, um homem de 41 anos e uma mulher de 40. A terceira refere o acidente de 2-5-1930 perto de Viana do Castelo com 21 mortos e 15 feridos entre os quarenta passageiros de uma camioneta da carga num dia de festa e romaria. Uma nota final: passageiro de Linha do Oeste desde a infância, habituado a ouvir histórias de meu avô José Almeida Penas que fez o serviço militar em Leiria e era de Santa Catarina (1906-1979) custa-me muito ver a estação do Valado usada apenas para fotografias em dia de casamento.	  (Editora: Fundação Francisco Manuel dos Santos, Revisão: Susana Vieira, Design: Inês Sena, Foto: Pedro Letria, Director de publicações: António Araújo)  --</description>
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  <pubDate>Sun, 19 Feb 2017 17:25:03 GMT</pubDate>
  <title>a casa da rainha em greenwich - dissertação para thomas francisco sutherland </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/a-casa-da-rainha-em-greenwich-346661</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=pHbJJMIQoZEyfTktEQ2F&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bed02034f/20264648_djR9g.jpeg&quot; alt=&quot;FullSizeRender.jpg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um traço belo, rigoroso e firme neste desenho de Thomas Francisco Sutherland - a Casa da Rainha em Greenwich. O seu autor é um menino de dez anos cujos pais e avós lhe podem ter transmitido a beleza, o rigor e a firmeza do seu próprio traço. A mansão da Rainha em Greenwich surge com catorze janelas gigantes, um lance duplo de escadas em redondo e umas águas furtadas no segundo andar ao ado da clarabóia. O menino não é um aguarelista profissional como a avó Joan em York nem amadora como a avó Maria em Lisboa, muito menos terá aprendido a gramática de formas na Universidade como o pai Ian e a mãe Ana, ambos arquitectos diplomados. Todos os dias este menino passa junto à residência que foi de John Stuart Mill (1808-1878) e, mais à frente, junto à casa onde viveu Charles Gounod (1818-1893). É possível que a filosofia de um e a música de outro se envolvam no olhar deste menino. Porque se trata de um olhar, disso não restam dúvidas. É o olhar que apreende a paisagem e o povoamento mesmo quando não figura no esboço nenhum transeunte. O Tamisa passa perto desta Casa da Rainha com os seus barcos velozes a caminho de London Bridge. Restam memórias de navios regressados da Índia com cargas de chá que já ninguém esperava. Não havia telefones nem telemóveis nem Emails e os mercadores só podiam sorrir e festejar quando os navios surgiam um a um a caminho das docas da cidade de Londres. Greenwich era o lugar da angústia da espera quase sempre muito perto do júbilo da chegada. Em Morden Road um Colégio testemunha esse intervalo entre a amargura e a festa. No seu desenho de menino, Thomas regista o espírito do lugar. As casas, tal como as pessoas, transportam em si uma memória porque o passado não acabou e continua todos os dias no olhar de todos nós.      --</description>
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  <pubDate>Sun, 19 Feb 2017 11:18:06 GMT</pubDate>
  <title>o visconde de alvalade nasceu em santarém </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/o-visconde-de-alvalade-nasceu-em-346458</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=FelPo3bJnC9BgAPVGzvj&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B0907e9e5/20264052_420ej.jpeg&quot; alt=&quot;Visconde Alvalade.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfredo Augusto das Neves Holtreman nasceu em Santarém em 1837, filho de António Maria Ribeiro da Costa Holtreman e de Libânia Augusta das Neves Holtreman. Veio a morrer em Lisboa (1920) não resistindo ao desgosto da morte prematura de seu neto José Alvalade em 1918. Foi proprietário de casas e terras na Quinta das Mouras (ao Campo Grande) onde nasceu o Sporting Clube de Portugal em 1906, depois das tentativas de 1902 (Belas) e de 1904 (Campo Grande). Seu neto José Alfredo Holtreman Roquete (1885-1918) mais conhecido como «José Alvalade» foi um dos fundadores do SCP, tendo ajudado a construir um excelente parque desportivo que ficou pronto em 1914. O Estádio José Alvalade, inaugurado em 10-6-1956 deve o seu nome a este ilustre sportinguista. Virá a propósito lembrar uma célebre fotografia tirada no Funchal em 1928 com Cipriano dos Santos, Jorge Vieira e António Penafiel. O primeiro era o guarda-redes que foi marinheiro no Arsenal do Alfeite; o segundo, defesa esquerdo, foi operário nas oficinas da Imprensa Nacional e o terceiro, defesa direito, foi o 4º Marquês de Penafiel. Os companheiros de equipa só souberam do seu estatuto social quando a notícia necrológica apareceu nos jornais. Tão discreta foi a sua passagem pelo mundo que hoje, procurando nas Enciclopédias do Sporting Clube de Portugal, nada se encontra a seu respeito. Lê-se no livro «Nobreza de Portugal e do Brasil» que seu nome completo era António Manuel Maria Mártens Ferrão Gomes da Mata de Sousa Coutinho e terá casado em 1924 com D. Maria José da Câmara. Foi funcionário bancário, alferes miliciano de Cavalaria e distinto desportista. A sua fotografia ao lado de Cipriano dos Santos e de Jorge Vieira diz muito sobre a génese do Sporting Clube de Portugal: entre a nobreza de carácter e a nobreza de estatuto. --</description>
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  <pubDate>Sat, 18 Feb 2017 15:52:43 GMT</pubDate>
  <title>levi condinho «fascindado pela música desde a mais tenra infância» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=0HDK0U1MhtMp9dZpBltH&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B6b12528a/20262910_Zsi2z.jpeg&quot; alt=&quot;Lenita Gentil.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido no Bárrio, concelho de Alcobaça, perto da Nazaré e do Valado de Frades, onde acontece um importante festival de Jazz, Levi Condinho não tinha na sua terra natal as estradas alcatroadas, apenas terra esburacada, nem havia água canalizada muito menos esgotos. Até 1954 não havia electricidade, logo não havia rádio. Fascinado pela música desde a mais tenra idade, Levi Condinho apenas ouvia o banjo do pai que também dirigia o pequeno coro da igreja, algum tocador de gaita-de-beiços, mais raramente um acordeonista, as bandas filarmónicas – com relevo para a da Vestiaria – que iam tocar à aldeia. Motivo maior de júbilo pra o seu pequeno coração. Afirma: «Jazz era então, para as rudes pessoas do campo, qualquer pequena formação que tocasse música própria para dançar nas eiras, em cercas com paliçadas ou em palheiros. Lembro-me do Jazz «Os Pinantes» da Marinha Grande onde havia um violino ou do duo de acordeão e bateria jazz «Os Sequeira» de Turquel. Em Outubro de 1951 ingressei no Seminário de Santarém, transitando em 1955 para Almada, de onde me libertei em direcção ao «mundo» - palavra tão sedutotra – em Janeiro de 1956. Logo nesse ano, na Feira de São Bernardo em Alcobaça e através dos altifalantes do Circo Mariano, ouvi um trecho swingante.O Virgílio Varela disse: «Então isso é o American Patrol, do Glenn Miller, é swing, é Jazz…». A partir daí fui â procura de programas dedicados à essa tão diferente música raramente ouvida na rádio, alvo de suspeitas pela ideologia dominante – do poder e das massas ignorantes, tendencialmente racistas…» Ficamos por aqui no testemunho de Levi Condinho mas continua a dúvida: será que a Lenita Gentil fazia parte do grupo musical da Marinha Grande?	  --</description>
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  <pubDate>Fri, 17 Feb 2017 14:21:26 GMT</pubDate>
  <title>liberto cruz - «reis, rainhas, príncipes, princesas e outros que  tais...» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=yqldeyjIscztHsjdncZz&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bf407a686/20260596_5eA9F.jpeg&quot; alt=&quot;xE3o Descobrimentos.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a intervenção do pintor António Viana (n.1947) no Padrão dos Descobrimentos em Lisboa, aqui fica o texto do poeta Liberto Cruz (n.1935) para todos: «Há muitos, muitos anos, que vamos buscar ao mar sardinha, porque pescar é preciso. António Viana sabendo que navegar foi preciso, decidiu, através de um painel, com a sua alácre, astuciosa, divertida e inventiva intervenção, derramar luz sobre trinta metros da frente do Padrão dos Descobrimentos. Uma luz que evoca reis e rainhas, navegadores e nobres, plebeus e outros porque, como é sabido, para fazer um mundo de tudo é necessário um pouco. Dar mundos ao mundo fazia parte do caderno de encargos que o Padrão dos Descobrimentos relembra através das figuras e dos figurões ali representados, Desses motivos se serviu António Viana, com engenho e arte, qualidades correntes tanto na sua produção de pintor como nas suas instalações, para criar um tempo e um espaço onde a presença da ciência, da aventura, da coragem, do medo, da plihéria, do desânimo e da ousadia se entrelaçavam para tentar conseguir o pretendido. Mas, como é óbvio e voltando a que de tudo o mundo um pouco necessita, António Viana não podia deixar de recorrer a elementos de vária ordem em que seres humanos, animais, vegetais, aves, maquinetas, carantonhas, insígnias, utensílios e objectos não recomendados ou não identificáveis se misturam, melhor, se engalfinham, para constituírem um original e prazenteiro repositório no qual o humor e a sageza se coadunam habilmente com a seriedade e a postura dos fazedores da história dos descobrimentos portugueses. Olhar o Tejo, depois de ter contemplado esta mediação do pintor António Viana, é um bem que vale a pena usufruir.»	    --</description>
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  <pubDate>Thu, 16 Feb 2017 19:20:35 GMT</pubDate>
  <title>marcolino candeias - peço desculpa pelos erros, lapsos e omissões </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=47kd0mY4NtbR3nK04EIP&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bc205bc2f/20259575_zmVIJ.jpeg&quot; alt=&quot;Marcolino Candeias.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto de vinte linhas sobre a poesia de Marcolino Candeias e a sessão de homenagem na Casa dos Açores contém alguns erros, lapsos e omissões. Peço desculpa a todos. Em primeiro lugar as datas de Marcolino Candeias são bem 1952-2016 e não 1952-1016. O nome do poeta que falou antes de Olegário Paz é bem Artur Goulart e não como escrevi por lapso Osório Goulart. O nome da senhora americana é bem Kathie Baker. Usou da palavra Januário Pacheco e eu não o referi por omissão. As coisas são como são e eu não tenho nenhuma equipa a trabalhar comigo. Sou um obscuro agente cultural «unipessoal» e escrevo nos jornais desde 1978. Mais uma vez peço desculpa a todos.	  --</description>
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  <pubDate>Thu, 16 Feb 2017 09:15:36 GMT</pubDate>
  <title>marcolino candeias «o mar também é terra onde morar» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/marcolino-candeias-o-mar-tambem-e-terra-345389</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=LBkmS8O5fsJfgd7LFjr5&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B7c02cdf1/20258033_INO4H.jpeg&quot; alt=&quot;Marcolino Candeias.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as palavras de Emanuel Félix (1936-2004) o poeta Marcolino Candeias (1952-1016) é «sem dúvida um dos maiores poetas do arquipélago» Nascido na freguesia de Cinco Ribeiras, concelho de Angra do Heroísmo, Marcolino Candeias é autor de dois livros de poemas: «Por ter escrito amor» (1971) e «Na distância deste tempo» (1984). Deste título existe uma segunda edição revista com data de Outubro de 2002 dedicada a Deka (viúva), a Maithé e Rodrigo (filhos) e a Manuel e Clementina (pais). A Casa dos Açores de Lisboa organizou no passado dia 10-2-2017 uma homenagem ao poeta com leitura (magnífica!) de poemas por Luiza Costa e testemunhos próprios com leitura de textos de outros autores por Onésimo Teotónio Almeida. Participaram também Olegário Paz, Osório Goulart e a tradutora americana do livro «Já não gosto de chocolates» de Álamo Oliveira, cujo nome não fixei. Peço desculpa. A poesia de Marcolino Candeias, originária da Geração Glacial (jornal A UNIÂO) oscila entre o apelo da dimensão erudita («Ah todos os meus amigos sem falhar nenhum/ intelectuais semi para-intelectuais e sindicalistas / quantos quintais do verbo imolámos ao porvir») e os poetas populares como João Vital («Pesa-me que terminem assim nossas conversas no Aliança») ou Chico Veríssimo: «Não quero crer que te tenhas ido embora / sem me visitares com atua última ponderada filosofia / sem me entoares a derradeira quadra de desafio decorada / sem me declamares a última décima antiga…» Mas a paisagem da poesia de Marcolino Candeias é a cidade de Angra do Heroísmo: «Oh Angra minha e amada verdadeiramente / chamada do Heroísmo /cidade de nevoeiro encantado / crescendo no silêncio de tantas mágoas.» Nota final – a foto é um excelente trabalho de Mestre Carlos Vilas. --</description>
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  <pubDate>Tue, 14 Feb 2017 10:51:58 GMT</pubDate>
  <title>dissertação breve para uma foto de josé alex gandum </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=Vjp39aUhSOv0mPeGIL17&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B541557c0/20254112_60f2h.jpeg&quot; alt=&quot;Jose Alex Gandum.JPG&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto integra a grande exposição patente no Bar «Velha Gaiteira» entre as 12h30m e as 2 horas da manhã na Rua das Pedras Negras nº 17 (ali à Sé de Lisboa) telefone 218865046. Embora não explícito, o eléctrico parece ser o «28», o mais célebre de todos os eléctricos do Mundo por dois motivos – os bons e os maus. Os bons são a sua popularidade que já vem de longe: quando comecei a trabalhar há cinquenta anos, o «28» era usado pelos empregados do Banco Português do Atlântico da Graça que vinham trazer à Baixa (Rua do Ouro nº 110) os assuntos mais urgentes daquela dependência, os que não podiam esperar pelos estafetas. Nessa altura (1966) não se chamava passe mas sim assinatura. Quem usava o mesmo documento era um empregado da Casa José Alexandre ali na Rua Garret ao Chiado. Os maus motivos são os carteiristas profissionais, portugueses e estrangeiros, que actuam em grupo para desespero dos turistas e nojo dos portugueses. Durante muito tempo fui obrigado a utilizar o dito «28» para ir à «Voz do Operário» buscar o meu neto Pedro e algumas vezes me senti mal na plataforma do eléctrico mas tudo isso acabou e ainda bem.  Voltando ao tema: tudo isto na fotografia me parece belo como um pregão de Lisboa, daqueles pregões antigos («fava rica!», «morangos de Sintra!», «figuinhos de capa rôta!») que os supermercados e a velocidade da vida actual já não permitem. Hoje não há vagar para a senhora descer do terceiro ou do quarto andar do prédio e escolher peixe («ó viva da Costa!») na canastra da varina. Já não há senhoras nem varinas, a vida mudou e está sempre a mudar. Só não mudam os eléctricos de José Alex Gandum, cheios como latas de sardinha de gente que tem pressa de viver para chegar a toda a alegria, a todos os encontros e a todo o Mundo. --</description>
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  <pubDate>Mon, 13 Feb 2017 08:32:59 GMT</pubDate>
  <title>«desde o paço ao são joão / com sua torre e pombal» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=WYO9J15HBtZzbyMBzbog&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bbf12c696/20251584_9hf3b.jpeg&quot; alt=&quot;Menino 1951.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino que era eu em 1951 não pensava em viajar. Sãos coisas (a outra é a morte) das quais uma criança não elabora conceitos. Para a criança não há morte nem distância, só começa a perceber a morte quando lhe morrem os avós e percebe tudo quando lhe morre a mãe. A morte de quem lhe deu a vida é o momento-chave de um qualquer percurso. Pois o menino que eu era em 1951 nunca pensou viajar tanto: Brasil, Espanha, Itália, Açores, Madeira, França, Bélgica, Holanda, Escócia, Inglaterra. Umas em Turismo, outras como enviado-especial do Jornal «Sporting» entre 1988 e 2006. Também no território do Continente foram muitas as viagens de trabalho: Porto, Faro, Braga, Coimbra, Beja, Setúbal, Lourinhã, enfim… Mesmo a chamada «vida militar» envolveu algumas viagens entre recruta e especialidade: Caldas da Rainha, Lumiar, Évora, Pontinha. O meu destino nesse tempo era ser navalheiro e talvez por isso ando sempre com uma navalha comigo. Mais tarde no Montijo houve quem dissesse que o meu destino era ser fragateiro porque até 1966 o comércio para Lisboa era feito pelas fragatas pois não havia ponte. A única ponte era a de Vila Franca de Xira e eu via passar na Rua Sacadura Cabral as camionetas de carga a caminho de Alcochete, Porto Alto e Vila Franca. Foi no Montijo que ouvi, dita por uma senhora toda fina, uma frase terrível «Os filhos dos motoristas não vão para o Liceu!» E eu que era filho de um motorista não fui para o Liceu de Setúbal. Fui para uma Escola Técnica em Vila Franca de Xira onde vivi de 1961 a 1966. Sempre o Tejo na minha vida. Vim para Lisboa trabalhar com 15 anos e estive em Santarém de 1997 a 2001 no jornal O MIRANTE. Hoje estou mais na viagem da ternura: pai, irmãs, esposa, filhos, netos, sobrinhos-netos, cunhados, genros, nora, amigos. São estas as viagens de agora.	 --</description>
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  <pubDate>Sun, 12 Feb 2017 12:17:44 GMT</pubDate>
  <title>carlos garcia de castro sobre cesário verde - poema em forma de  crónica </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=anEkL7guKFHwbIyCl6Ve&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bfe15a30b/20249089_bSQl4.jpeg&quot; alt=&quot;Raul Ladeira.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota de abertura – a foto é de Raul Ladeira. No seu livro «Crónica da fortuna» António Osório recorda que «Poesia e prosa estão juntas no mesmo jacto, na mesma destreza, na mesma ironia e na mesma verve. Camilo, nas cartas mais torturadas, escreveu também poesia. Alguns contos de Torga pertencem à sua poesia mais genuína. As narrativas de Borges têm densidade igual à dos poemas e o mesmo se diga das crónicas de Bandeira, de Cecília e Drummond em relação à poesia deles. O poeta Octávio Paz é também um dos maiores ensaístas do nosso tempo. Poesia e prosa vivem paredes meias, quando não coabitam na mesma pessoa como sucede com Régio e Nemésio, Sophia e Eugénio de Andrade.» vamos então ao poema em crónica de Carlos Garcia de Castro (1934-2016), poeta de Portalegre: «A Cesário Verde Tenho uma loja de vender ferragens, a minha terra já não é Lisboa. Mas hoje nem sequer me arrependi. Ser-se moderno confunde, ninguém se vai proclamar… - À fava a dispersão das almas proporcional de haver contratos maiores e os menores, assegurados. Não procurei, nem li, nem disfarcei – sou vendedor de ferragens. Dou muito pouco de pensar angústias, para consultar depressões. Estarei ausente nos congressos ávidos onde há, benignas, as inócuas actas. Os meus negócios são outros. Mais fácil será, comigo, fingir qualquer literatura do que afagar as crianças dum velho amigo meu que é professor. É imoral fazer pornografia, quer solitário, quer acompanhado. Que eu nunca me esforcei por ser escritor. Não vim para a rua com panfletos rútilos, as grandes hecatombes da palavra de bem servir a condição mental. – Em cada coisa a coisa enquanto seja de haver em cada coisa a natureza. A todos vos olhei do mau olhado, escandalizei por serem meus amigos (ainda que um poeta aqui de perto!) eternos num café a conversar…desconfiado de cigarro à boa, com vinho e licores, acrobacia entre o dever, competências e o ser, de anonimato, um cidadão. Só hoje, de exercitado, com gerações esforçadas de ironias, pernas abertas, assentes os pêlos aqui do peito vorazes a descoberto - hoje! minha alma se borrifa em vocês todos. De manhã lavei-me com sabão azul, mas já não fui convosco pra correr no campo. Deu-me vontade de cantar sozinho, como só calçando tennis sou capaz, concretamente sozinho, comigo e tudo à volta como as árvores. O footing é sempre ingénuo e parvo, se vierdes, companheiros. Porque amanhã terei de novo a minha opinião e mais mulheres para beijar nevrótico; serei pálido. Terei convosco as mesmas criancinhas e os velhinhos, palmadinhas – Borotalco. Direi a toda a gente, concentrado – Boa tarde!... e vou tomar a Bica no emprego, maledicente, fresco, barbeado, solene e ao mesmo tempo saltitante como um cristão aos domingos. Assim já todos somos bem-avindos. Ser-se moderno confunde, ninguém se vai proclamar… Agora – não! Deixei-me de prever civilizações, sou novamente burguês. Apenas que a ser poeta, não sei o que hei-de ser nem que dizer. Provavelmente convicto – como vocês.» datas do texto 1987 (1955)	        --</description>
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  <pubDate>Sat, 11 Feb 2017 14:23:35 GMT</pubDate>
  <title>cascais - do verdeiro ao falso, do legítimo à imitação </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=ozW7zqm6AnHf49NSSzeB&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Ba0071ed6/20246442_duqWf.jpeg&quot; alt=&quot;Image.jpg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Oh minha senhora, em Cascais não há primas, são todas tias!» - A frase dirigida a Mafalda Ferro na apresentação de Maria João Bastos que ia cantar um fado no lançamento de um livro num dia de São Martinho, dita por um homem já bem «aviado» de castanhas e água-pé, é  identificadora de uma ideia feita sobre uma paisagem e um povoamento. A escolha de Rita Ferro para este texto não é ingénua. Com ela quero significar um conhecimento e uma aceitação. Conheço Rita Ferro há muito tempo, fui visita de suas casas em Rio Maior: Vale de Óbidos e São João da Ribeira. Nasci em 1951 e comecei a trabalhar em 1966. As condições eram estas: ganhava 900 escudos por mês e descontava para o Sindicato 9 escudos mas não podia ser sócio, coisa que só seria possível aos 18 anos. No primeiro ano de trabalho só tive 12 dias de férias e descontava para o Fundo de Desemprego mas se ficasse desempregado não ia lá buscar nada. Apesar disso tudo eu sou amigo e respeito as pessoas de Cascais como a Rita Ferro. Mas não faço confusão entre verdadeiras e falsas, entre legítimas e de imitação. Outro dia na Estrela encontrei um pobre diabo que trata a neta por você e fala à maneira de Cascais mas nasceu num lugar perdido na Beira Alta, entre cabras, pedras e pinheiros. As pessoas de Cascais, as verdadeiras e legítimas dizem caminete por autocarro, remédio por medicamento, redondel por rotunda e enterro por funeral. Os outros, os falsos e imitadores, apenas copiam e mal. Cascais é Ruben A., Fernando Pessoa, Júlio Conrado, Fernando Grade, Rita Ferro, os romances, as crónicas, os poemas, a literatura. Tudo isto vem a propósito de um patrão que quer mais liberdade para despedir os seus brasileiros, indianos, nepaleses e filipinos. Esse apareceu na Internet mas outro que vai pelo mesmo caminho não teve direito a holofotes embora o erro seja o mesmo: há sempre advogados disponíveis para chafurdar no limite entre o Direito e a Justiça. Lembrei-me de 1966 mas estamos em 2017 e ninguém aprendeu nada. Tenho um amigo que chama a essa gente os bimbos de Cascais. Mas Cascais não merece ser associada à pocilga onde se movimentam. Cascais é outra coisa, está acima desse lamaçal.	        --</description>
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  <pubDate>Thu, 09 Feb 2017 13:26:27 GMT</pubDate>
  <title>«nunca direi quem sou» de vergílio alberto vieira </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/nunca-direi-quem-sou-de-vergilio-344195</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=zzFMc69drFLN1TjdrYAq&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B4e150ad9/20242627_NVWmH.jpeg&quot; alt=&quot;550.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vergílio Alberto Vieira (n.1950) é poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico literário e autor de livros para a infância. Celebrou os 45 anos de edição de poesia com «Todo o trabalho toda a pena» dado que o primeiro livro («Na margem do silêncio») é de 1971. Nestas dez narrativas dois dos títulos são da autoria de Sophia de Mello Breyner («Todas as cidades são navios») e Marguerite Yourcenar («O último acampamento do nómada»).  Dou o nome de «narrativas» mas sem esquecer as lições de Italo Calvino: «Estou convencido que escrever prosa não deve ser diferente de escrever poesia; em ambos os casos é a busca de uma expressão necessária, única, densa, concisa, memorável».  Cada uma das dez «narrativas» faz uma homenagem a um autor: Chuan-tzu, Sapho, Epitecto, Fernando Pessoa, Jorge Luís Borges, Vergílio Ferreira, Mário Cesariny, Dinis Machado, Clarice Lispector e Herberto Helder. Sendo «a literatura uma homenagem à literatura» o ponto de partida do livro de Vergílio Alberto Vieira é a vida («Fumando o último cigarro, dou-me conta de que passei parte da noite à janela do meu quarto») não uma vida em abstracto mas uma vida que se escreve: «A contradição é regra e escrever a mais suspeita forma de estar só».  As perguntas são fortes («Ninguém sabe onde começa o mundo. Em que lugar da terra repousa a vida?») e as respostas só podem ser as do Estoicismo («Não cedas companheiro ao prazer») ou do Amor: «As mulheres as mulheres, não irradiam certas mulheres aquele aroma que só algumas flores, uma vez por outra, oferecem?»    Memória de um lugar que já não existe (o «Expresso» onde minha filha Ana Maria ia todos os dias tomar um café com livreiro José Vicente) existe na página 85 deste livro uma revisitação que não se pode perder: «Ao Expresso onde às oito, tmg – sôr Assumpção, ao telefone – cairá o pano, Albertini, o acrobata, lá estará, olhem só este agora – para medir a temperatura de Deus, entre as demais, e depois será Verão, para que Lisboa, em camisa, esteja com ele e não arrefeça o carioca de limão, pedido à lista, já se vê, enquanto comentado, até que chegue mais algum porque à quarta é certo, anda a roda, e lá fora o bronzeado cauteleiro faz-de-conta-que-dá-sorte aos pombos revelhudos que a Dona Rosa adoptou há anos até que a morte e a Santa Casa os separe para sempre.»   (Editora: Companhia das Ilhas, Direcção: Carlos Alberto Machado, Foto do autor: Sérgio Granadeiro)      --</description>
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  <pubDate>Thu, 09 Feb 2017 09:42:47 GMT</pubDate>
  <title>o rei salomão da rua luz soriano (a gonçalo pereira, amigo e mestre) </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=6yoQPZqiENZYJPMd5s3Z&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B11127c41/20242070_djN5p.jpeg&quot; alt=&quot;Foto Jacinto Baptista.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena passa-se na redacção do «Diário Popular» nos anos 80 do século XX. Há uma mesa na qual um empregado (o senhor Seminário) coloca ao longo do dia pacotes de livros enviados pelas editoras portuguesas ao cuidado de dois jornalistas: Jacinto Baptista e Abel Pereira. Os redactores vão levando os livros para os lerem e escreverem uma nota sobre os mesmos. Às vezes há livros com vários candidatos: o «Fabulário» do Mário de Carvalho, por exemplo. Aí Jacinto Baptista vê-se obrigado a decidir. Outras vezes há livros nos quais ninguém pega. Recordo a «Lira de Líquen» do Nuno Júdice. Quando eu me propus a levar esse livro para o ler e escrever para o «Diário Popular» uma nota de leitura, logo algumas vozes se levantaram contra a ideia porque, no fim de contas, eu era apenas um colaborador, não um redactor efectivo. Na altura não percebi muito bem mas era o preconceito a funcionar porque até 1966 (fundação do CNID) os jornalistas desportivos eram sócios do Sindicato dos Tipógrafos e Ofícios Correlativos. Toda a gente ali sabia que eu tinha sido apresentado em 1978 a Jacinto Baptista por Carlos Pinhão porque o jornal A BOLA era impresso nas oficinas do «Diário Popular». Mas Jacinto Baptista tomou uma decisão salomónica: resolveu dar-me o livro do Nuno Júdice e marcou um prazo de oito dias para ter a nota de leitura despachada e entregue. Claro que na semana seguinte lá fui levar o resultado da minha leitura, ainda se escrevia à máquina num «linguado» com o logotipo do jornal no cabeçalho. Correu tudo nos conformes mas Jacinto Baptista já estava cansado e farto de ser o rei Salomão da rua Luz Soriano. Como se vê por esta amostra o pó e a posteridade estão às vezes separados por um pequeno acaso. Se eu não tivesse pegado no livro do Nuno Júdice ninguém tinha feito a notícia.	  --</description>
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  <pubDate>Wed, 08 Feb 2017 13:34:08 GMT</pubDate>
  <title>lamentação para o menino atónito na cidade frente ao tejo </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/lamentacao-para-o-menino-atonito-na-343648</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=R2y7KzF5mP3gIKvFDOa7&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B5207e3a3/20240420_VFcb3.jpeg&quot; alt=&quot;Image.jpg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vi o teu olhar porque não estava junto a ti quando foste mandado embora às treze horas por causa dos parasitas. Não tenho a certeza mas sinto que estavas atónito naquele momento. De uma coisa tenho a certeza: há duas coisas que nunca acabam no Mundo, a paisagem e a estupidez. Podes entrar num comboio aqui em Lisboa e ires até à Mongólia (a terra do nosso amigo pintor Ruslam Botiev) e a paisagem nunca acaba porque é sempre diferente na janela do comboio. A estupidez também se renova e aparece de modo inesperado, com as pessoas inesperadas e nas situações inesperadas. Esta dos parasitas na tua cabeça, nos teus caracóis, doeu ainda mais porque tu não és a origem dos parasitas mas apenas uma vítima lateral. Não podes ser o bode expiatório do drama no qual são outros os protagonistas. Por ti sou outra vez menino, outra vez vítima da brutalidade daquela mulher do Montijo para quem «os filhos dos motoristas não vão para o Liceu», por ti sou outra vez o menino atónito perante o director escolar inflexível que não me deixou entrar na Escola Primária do Montijo antes de fazer sete anos mesmo sabendo que logo em Fevereiro de 1959 ia fazer oito anos e continuava na primeira classe. Eu não vi o teu olhar no momento de sair à pressa pelas treze horas desse dia mas tenho quase a certeza que além de atónito estavas incrédulo e surpreendido. A violência sem limites contra ti, contra a tua inocente boa-fé, contra a limpidez do teu olhar é uma violência tão brutal e tão sem razão de ser que não tem perdão. Eu nunca vou esquecer a injusta exclusão por causa dos parasitas nos teus caracóis iluminados pelo Sol. Ao menos esse continua a encher de luz os teus cabelos, indiferente à cidade onde a estupidez tomou conta da ruas e das praças, das calçadas e das travessas.      --</description>
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  <pubDate>Wed, 08 Feb 2017 09:24:10 GMT</pubDate>
  <title>saudação breve a ana cruz - nova alfarrabista de lisboa </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/saudacao-breve-a-ana-cruz-nova-343496</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=wWDGqrfJUtzZa0uP8BkL&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B41057558/20239726_kcdCd.jpeg&quot; alt=&quot;Image.jpg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua nova loja de livros antigos fica na Calçada do Combro nº 27 em Lisboa, e fica muito bem ali entre o Alfarrabista do Calhariz (José Manuel Rodrigues) e a Nova Eclética (Alfredo Gonçalves). Num certo sentido a Ana Cruz vem «substituir» a Livraria Bocage de Fernanda Aguiar que ali esteve uns anos em frente do outro lado da Calçada quando este seu lugar era uma loja de televisões e frigoríficos. Que seja feliz na sua tarefa de divulgar livros e antiguidades, colecções e curiosidades – são os meus votos. Vai demorar tempo a criar raízes, a ter os clientes certos e fiéis mas o caminho faz-se caminhando. Fico a dever ao meu amigo Cândido Bogarim a notícia da novidade deste alfarrabista na Calçada do Combro. Fica bem perto da Pastelaria ORION onde se pode falar dos livros entre o café saboroso e o bolo acabado de fazer. É uma alegria saudar o aparecimento de uma nova casa deste ramo mas, ao mesmo tempo, é uma tristeza registar a mágoa da partida de José Vicente, o homem da Livraria Olisipo no Largo Trindade Coelho nº 7 que, não por acaso, surge na página 72 do livro «Iniciação à Bibliofilia» de João José Alves Dias. É desse livro uma definição feliz de bibliófilo: para o ser «é necessário amor, carinho e estudo pelo livro que se comprou, seja ele a primeira edição de «Os Lusíadas» (1572) ou a da «Mensagem» (1934)».Cícero disse um dia que «uma casa sem livros é um corpo sem alma». Já Guilbert de Pixérecourt afirma «o livro é um amigo que não engana nunca». Talvez esteja nestes dois verbetes do «Dicionário Excêntrico» de Amadeu Ferreira de Almeida a razão de ser da minha antiga e cada vez maior paixão pelos alfarrabistas: nascido em 1951 numa terra sem livrarias e criado numa casa sem livros eu continuo à procura, hoje em 2017, desses amigos que não nos enganam nunca.	    --</description>
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  <pubDate>Sun, 05 Feb 2017 21:51:33 GMT</pubDate>
  <title>dinis machado «bairro com cidade e mar ao longe» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=nRgKjOZz68766IS3zTy4&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B621579d0/20233180_zyRMN.jpeg&quot; alt=&quot;Bairro Alto.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto pertence a Dinis Machado (1930-2008) é de Fevereiro de 1988 e foi publicado no livro da Marcha do Bairro Alto em 1997: «Estive aqui desde 1930, quando nasci, para ficar a aprender mais de 30 anos de acontecimentos. Moradia complexa, atribulada, sacudida de alegrias violentas e de tragédias estúpidas. Também lugar de heranças, de trocas e de percursos. Um bairro, um país a crescer dentro do País, o mudar de casaco, sempre curto nas mangas, onde se exibiam os portadores do caos e do rigor, os contrabandistas e os idealistas. Um vulcão de ideias e de palpitações, de conspirações, de senhas, de contra-senhas, de livros, de jornais, de artistas, de espectáculos, de lutadores, de visionários e outros mensageiros do futuro. Como se organiza a exposição de metade de uma vida, a mais densa e caótica, em atmosferas itinerantes de estruturas suspensas, lojas de esfumada arrumação, com ventos brancos, feitos de roupa lavada, nas janela do dia? E que noite se anuncia? E que luz persiste no que ainda amo? A Capital da memória, o trabalho do calendário nos caminhos do corpo é isto: o sol que tudo aqueceu, a noção mais equilibrada do que se sente, a força, agora mais enxuta, de continuar. É a sombra morna, em horizonte devolvido, do miúdo que se gastou. A dar pontapés em caricas e a comer castanhas assadas. Eu e um velho amigo, de cinquenta anos de diálogos, saíamos então de um quadro, espalhando no real a cor do entardecer. O bairro fica com menos duas pessoas. – A infância não envelhece – diz ele, metendo por portas e travessas de labirintos da vida. – Pois não – respondo – Mas, com os anos ganha ferrugem nas articulações. Rimo-nos. Escrevemos uma legenda a meias: «Bairro com cidade e mar ao longe». Ou como dizia o Necas, pála num olho e joelhos esfolados (desconhecendo que já encontrara o que procurava): «A Ilha do Tesouro».  --</description>
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  <pubDate>Fri, 03 Feb 2017 10:10:39 GMT</pubDate>
  <title>américo durão - do couço para «o centro do mundo» </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=3tNQT8iTzNuPPtmij8l7&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B4f12bd57/20228291_8zHun.jpeg&quot; alt=&quot;Image.jpg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Américo Durão (1896-1969) surge na página 22 do livro «Coração Arquivista» de António Manuel Couto Viana (Editora Verbo) com as seguintes palavras sobre a peça «O Centro do Mundo» que era a reconstituição quase fiel da sua casa de família no Couço (Coruche): «O Centro do Mundo é a mais sentida e a mais difícil de todas as minhas obras de teatro. Se dissesse que não a estimo, faltaria à verdade. Com as qualidades e os defeitos que com certeza tem, dela poderia dizer, parafraseando Flaubert: todas as personagens desta peça, desde D. Madalena a Rosária, de Vítor a Pedro, existem em mim, são eu próprio. O fulcro do drama, porém, é a aldeia. Os seus acontecimentos mais relevantes, os seus mais recônditos segredos, como pequenos rios, vão dar a casa de D. Madalena que, pelo seu espírito largamente compreensivo e cristão, a todos acolhe com tolerância e generosidade. Uma peça desta natureza é natural que não possua aquela unidade que eu próprio muito desejaria ter-lhe dado. Poderei, talvez, compará-la a um friso de painéis de azulejo unidos pela mesma cercadura. Incindindo sobre cada um dos painéis um foco de luz ilumina-o isoladamente, ficando os outros na obscuridade. Mas, se quiserem olhar com atenção e boa vontade, hão-de descobrir nos painéis desse friso aquela unidade que só aparentemente lhes falta. É essa benevolente simpatia que eu desejo para a minha peça e com humildade vos peço.»   --</description>
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  <pubDate>Wed, 01 Feb 2017 13:26:04 GMT</pubDate>
  <title>«dese o paço ao são joão» ou o menino não pensava em viajar </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=ZyVgcLSZpUIjfmRSlFA4&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Be415d418/20223659_ADLfI.jpeg&quot; alt=&quot;Menino 1951.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino que era eu em 1951 não pensava em viajar. Sãos coisas (a outra é a morte) das quais uma criança não elabora conceitos. Para a criança não há morte nem distância, só começa a perceber a morte quando lhe morrem os avós e percebe tudo quando lhe morre a mãe. A morte de quem lhe deu a vida é o momento-chave de um qualquer percurso. Pois o menino que eu era em 1951 nunca pensou viajar tanto: Brasil, Espanha, Itália, Açores, Madeira, França, Bélgica, Holanda, Escócia, Inglaterra. Umas em Turismo, outras como enviado-especial do Jornal «Sporting» entre 1988 e 2006. Também no território do Continente foram muitas as viagens de trabalho: Porto, Faro, Braga, Coimbra, Beja, Setúbal, Lourinhã, enfim… Mesmo a chamada «vida militar» envolveu algumas viagens entre recruta e especialidade: Caldas da Rainha, Lumiar, Évora, Pontinha. O meu destino nesse tempo era ser navalheiro e talvez por isso ando sempre com uma navalha comigo. Mais tarde no Montijo houve quem dissesse que o meu destino era ser fragateiro porque até 1966 o comércio para Lisboa era feito pelas fragatas pois não havia ponte. A única ponte era a de Vila Franca de Xira e eu via passar na Rua Sacadura Cabral as camionetas de carga a caminho de Alcochete, Porto Alto e Vila Franca. Foi no Montijo que ouvi, dita por uma senhora toda fina, uma frase terrível «Os filhos dos motoristas não vão para o Liceu!» E eu que era filho de um motorista não fui para o Liceu de Setúbal. Fui para uma Escola Técnica em Vila Franca de Xira onde vivi de 1961 a 1966. Sempre o Tejo na minha vida. Vim para Lisboa trabalhar com 15 anos e estive em Santarém de 1997 a 2001 no jornal O MIRANTE. Hoje estou mais na viagem da ternura: pai, irmãs, esposa, filhos, netos, sobrinhos-netos, cunhados, genros, nora, amigos. São estas as viagens de agora.   --</description>
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  <pubDate>Tue, 31 Jan 2017 10:34:37 GMT</pubDate>
  <title>«a gorda» de isabela figueiredo </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/a-gorda-de-isabela-figueiredo-342328</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=tkiKUuTfIdwle6mv8MqY&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B6402aa34/20221100_QqJzR.jpeg&quot; alt=&quot;549.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabela Figueiredo (n.1963) faz neste livro de 285 páginas o inventário e o balanço de um certo tempo português, a chamada descolonização. As referências literárias parecem ser Nuno Bragança («A noite e o riso»), Maria Ondina Braga («Eu vim para ver a Terra») e Bruno Vieira Amaral «As primeiras coisas») e o seu romance, dedicado à sua mãe, organiza-se em oito capítulos, cada um deles sendo uma divisão da casa. Na casa ideal da página 39 tudo isso se explica: «Essa seria a minha casa, uma outra barriga da mamã.» A ligação da autora à mãe não é pacífica; umas vezes «conversam sobre todos os assuntos na cozinha», outras vezes as diferenças são notórias e notadas: «Ela é paciente e firme: eu, arrebatada e arrogante.» Ser gorda é algo que os rapazes do Ciclo Preparatório na Lourinhã martelam aos ouvidos da personagem principal: «ó orca, grande fúria dos mares, já comeste hoje alguém?» A relação com os pais é tensa («detesto os papás, não os quero de volta, bem podiam ter ficado por Moçambique») tal como é tensa a vida de todos os dias: «Comparo a nossa vida a uma travessia dos mares do sul, pejados de piratas e navegadores solitários, por vezes indistintos.» Perante o precário da vida e o inevitável da morte, surge o amor («O amor é um filme de péssima qualidade») e isto porque «A minha mãe casou para se amparar, o tio Alberto amou toda a vida a cunhada e nem no leito de morte lho revelou e a minha tia Inês negou-se ao rapaz por que se apaixonou por estar prometida ao tio Alberto.» Aos pucos uma certeza se instala no livro e no discurso: «Sabia viver sem os que amava mas sem escrita a vida não tinha por onde continuar. Podia viver sem tomar banho, sem beijos mas sem escrita não.» Os dois versos de Cesário Verde na estação do Metro da Cidade Universitária surgem como um projecto de vida («Se eu não morresse, nunca! / E eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!») mas também como proposta de futuro: «Uma vida eterna talvez fosse suficiente para resolver o fogo, as brasas e as cinzas da efemeridade terrena.» A arte final do livro não o ajuda. Por um lado a capa com o «marketing» a tapar o desenho, por outro a badana apresenta quatro advérbios de modo juntos e depois o uso e o abuso do aborto ortográfico. A palavra Faculdade (Departamento de uma Universidade) aparece em caixa baixa que significa possibilidade ou capacidade. Mas o livro resiste a tudo porque não é apenas um testemunho (sangue pisado) mas está muito bem escrito (estilo). É nessa complicada relação  entre sangue pisado e estilo que se joga toda a diferença. Este é um livro a não perder embora não abarque toda a história da Guerra Colonial (os mortos e os feridos) ou da chegada dos retornados ao Rossio e a sua integração (por exemplo) nos Bancos à custa das promoções congeladas dos que estavam cá e tinham expectativas legítimas. Mas isso é outra história. Este é um livro a não perder porque nele está muito bem contada esta história de uma família portuguesa no turbilhão atónito de uma vida perdida entre África e a Europa. (Editora: Caminho, Capa. Rui Garrido, Ilustração: Darla Dementyeva) --</description>
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  <pubDate>Sun, 29 Jan 2017 10:33:33 GMT</pubDate>
  <title>«detergente» de ruy ventura </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/detergente-de-ruy-ventura-342101</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=rZ0LgiQWr0BwEpItSmki&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B2e07e013/20216304_cn0yb.jpeg&quot; alt=&quot;548.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um livro especial, insólito e diferente na bibliografia de Ruy Ventura (n.1973) cujo primeiro livro («Arquitectura do Silêncio») recebeu em 1999 o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A Poesia é (todos o sabemos) uma arte de fundo pessoal. O poema escreve o poeta; o poeta escreve-se no poema. Mas o poeta não é um organismo sentimental sem raízes, sem passado, sem biografia. Tal como neste livro, no qual surge um diálogo entre dois homens (João e Raul) sob um fundo musical de Olivier Messiaen. Trata-se de um tempo que chega ao fim, um mundo desolado, uma cidade deserta.  Raul começa o diálogo na página 7: «Nascem no mesmo dia a força e a pobreza. A casa está cheia de entulho e as ruas não permitem a circulação. Vivemos entre escombros, já muitos o disseram. Por isso páro. Vivo? Sobrevivo? Existimos.» João, por sua vez, faz um inventário pessimista: «Há quem escreva versos mas dispense a escassez, o trabalho, a descoberta. Há quem vá filosofando mas rejeite o amor e a sabedoria. Há quem pinte, molde, filme, dance e represente mas feche os olhos às imagens que nos desafiam, como lava no dia de juízo.»  É neste «caldo cultural» que Raul procura um futuro: «Temos de sorrir (dizem). Temos de suportar, ainda que a dissolução nos transforme em vermes, em roedores que voam ou rastejam.» João, por sua vez, proclama a força da escrita: Primeiro na página 9: «Entre a superfície da escrita e a ocultação da morte – não há negrume que nos apague.» Depois na página 10: «Quem escreve encontra o organismo: a instabilidade da matéria – cor e pó, memória e gangrena – um grupo de células que o fogo não destrói, que a terra não apodrece» Por fim na página 23: «Esquecendo, talvez consiga escrever. Excesso ou amnésia, o texto retrocede.» É nesta oscilação entre sangue pisado e estilo que surge o detergente que dá o título ao livro: «A memória descritiva assegura-nos de que a estátua (ou medalhão) é de bronze, de pedra ou cera d´abelhas. Mas no fundo temos a certeza de que o miolo da efígie não passa de sabão ou detergente.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a forma de peça de teatro, no fundo é de poesia e sua temperatura que trata este livro, Vejam-se as citações: «Odeio este tempo detergente» (Ruy Belo), «O obstáculo ou depura ou torna-nos perversos» (Cesário Verde) E a dedicatória: Para Levi Condinho, Nuno Matos Duarte e Rui Almeida. Em memória de Filipa Barata e Carlos Garcia de Castro. (Editora: Licorne, Capa e Foto no interior: Nuno Matos Duarte)  --</description>
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  <pubDate>Thu, 26 Jan 2017 08:36:29 GMT</pubDate>
  <title>dissertação emocionada para uma foto de 1951 </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
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  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=GaifW8RsGzocnrgJ6Wwn&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B5b1217e7/20210164_aYtNv.jpeg&quot; alt=&quot;Santa Catarina 1951.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu mesmo este menino entre a mãe e o tio no recanto de um quintal em Santa Catarina no ano de 1951. Ao lado havia um forno para cozer pão alvo e onde, anos depois, minha avó materna irá fazer um delicioso pão «brindeira» com testemunhas: chouriço, toucinho, sardinhas, tudo o que sobejava do almoço e não se podia deitar fora. Ou perder. A foto era pequeníssima (Papelaria Tália – Caldas da Rainha) e foi trabalhada como peça de artesanato pelo meu amigo Carlos Vilas; é dele a arte final. A ele devo a projecção de uma pequena foto de «seis por nove» num postal maior e capaz de entra no mundo dos Blogs e do Facebook. Chamo dissertação comovida a uma crónica que parte da emoção em estado puro para um texto com organização, ritmo e coordenadas – ou seja, princípio, meio e fim. Nós, os mortais, nada sabemos do mistério da vida mas é bom que a vida seja mesmo um mistério. Se fosse um negócio os ricos compravam a saúde e morriam muito depois de nós. Estou comovido porque faltam poucos dias para o meu aniversário e assim chego à idade que minha mãe tinha em 1995. Como nasceu em 1929, tinha 66 anos; eu nasci em 1951 e daqui a poucos dias terei os mesmos 66. Que pensarão de tudo isto os meus quatro netos que neste dia tenho? Talvez chamem um dia a este avô «anacrónico» porque num tempo veloz gosta de paciência, num tempo febril gosta da calma, num tempo hostil gosta da amizade. Talvez me chamem avô «almanaque» porque se algum deles se debruçar sobre as minhas crónicas, os meus poemas e os meus contos poderá a ver neles uma cultura de almanaque. Mas agora já não existem almanaques e quando os netos forem maiores ainda menos. Não havendo almanaques mais difícil será catalogar este comovido avô de quatro netos hoje, em 25 de Janeiro de 2017.	  --</description>
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  <pubDate>Wed, 25 Jan 2017 11:11:34 GMT</pubDate>
  <title>do «cais dos soldados» a fernando fischer, finalmente descoberto </title>
  <author>José do Carmo Francisco</author>
  <link>https://transportesentimental.blogs.sapo.pt/do-cais-dos-soldados-a-fernando-fischer-341667</link>
  <description>&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt/transportesentiment/fotos/?uid=1alK60AfJfHQScndeAZp&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Beb02e061/20208062_VZjOU.jpeg&quot; alt=&quot;Portugal Espanha.jpeg&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta imagem era a que deveria ter acompanhado o meu texto publicado no Facebook. Tudo isto tem uma lógica: desde 1978 quando comecei a trabalhar no «Diário Popular» como colaborador do Suplemento Cultural ouvi, a partir de 1982, o jornalista e escritor Pedro Alvim queixar-se de o Instituto do Livro o referir numa ficha com mais ou menos isto: «Utiliza, por vezes, o pseudónimo de Fernando Fischer.» O meu mestre Jacinto Baptista (1926-1993) recomendava que um texto nunca deve ser publicado sem uma ilustração. É em nome dessa antiga recomendação que eu coloco esta imagem antiga do tempo da monarquia com os dois reinos da Península Ibérica representados por figuras ficcionadas em vez de pessoas. E faço a ligação ao caso do pseudónimo porque de facto os jornalistas do «Diário Popular» davam-se com os do «Diário de Lisboa». Agora estamos em 2017 e só hoje (dia 25 de Janeiro) descobri num livro de Pedro da Silveira («Fui ao mar buscar laranjas») esta coisa luminosa: «Em jornais insulanos ou de Portugal, numa revista brasileira de novos e noutra de espanhóis exilados no México jazem perto de duas dezenas de meus poemas mais antigos, quase todos assinados, felizmente, com pseudónimos – dos quais apenas um, usado nos Açores, não se manteve indecifrado: Fernando Fisher.» Passados tantos anos (1982-2017) a procurar descobrir uma coisa e agora, de modo inesperado, aparece a chave do problema. E nem está em causa a questão da letra a mais ou a menos. De facto Fisher não é Fischer mas não tenho dúvidas que alguém no Instituto do Livro por equívoco e não por maldade, com erro mas sem acinte, terá trocado as voltas ao pseudónimo. Coitado do Pedro Alvim que eu conheci bem graças a Jacinto Baptista: andou tanto tempo a tentar descobrir quem seria o tal Fernando Fisher ou Fischer…     --</description>
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