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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 30.12.16

alexandre herculano em vale de lobos mas sempre jornalista

Foto Jacinto Baptista.jpeg


Foi graças ao produto do seu trabalho de historiador («História de Portugal») que Alexandre Herculano (1810-1877) comprou a Quinta de Vale de Lobos (Azóia de Baixo) onde veio a produzir o premiado azeite «Herculano». Hoje porém gostaria de lembrar um livro de Jacinto Baptista (1926-1993) «Alexandre Herculano Jornalista» (Editora Bertrand). Sem mais demora vamos à primeira página desse livro: «Depois que atingiu a idade adulta e até ao fim dos seus dias, sempre, de um modo ou de outro, esteve Alexandre Herculano ligado aos jornais. Colaborou em alguns; fundou ou ajudou a fundar pelo menos dois («O País» em 1851 e «O Português» em 1853) num período em que se achou muito embrenhado na política activa ; não poucos foram aqueles que, solicitando ele próprio albergue ou a expresso convite deles, utilizou como instrumentos de ataque ou de defesa nas memoráveis polémicas em que se envolveu ou viu envolvido. Já retirado, um dia recomendou a uma alta personalidade política o responsável pela direcção tipográfica de «A Revolução de Setembro», o qual era candidato ao lugar vago de porteiro do Conselho de Estado, lembrando na carta de recomendação que «há muita gente que ainda me supõe homem de Imprensa». Alexandre Herculano, depois de se demitir do lugar de segundo-bibliotecário no Porto (em atitude de protesto contra a revolução de Setembro de 1836) inaugura em Lisboa, incumbido de redigir o semanário «O Panorama» (1837) e o «Diário do Governo» (1838), uma breve carreira de profissional de Imprensa, se não é excessivo designá-la assim, transportando a classificação para uma época em que as profissões, incluindo a de jornalista, não estavam tão definidas, delimitadas e subordinadas a um estatuto específico como hoje.» --

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por José do Carmo Francisco às 23:20

Sexta-feira, 30.12.16

a marcha «tripas a ferver» entre sol e pó

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Num momento em que a bandeira americana volta a estar em foco pois há quem a queria fazer descer do mastro para a molhar de petróleo, lembrei-me como as palavras dos músicos da filarmónica da minha terra por meados dos anos cinquenta podem ser, hoje e agora, não uma corruptela mas um presságio De facto, os músicos da filarmónica da terra onde nasci, não diziam «vamos tocar a marcha Stars and Stripes for ever» mas sim «vamos tocar a marcha tripas a ferver». Eles não sabiam inglês embora muitos deles tivessem (como eu próprio e muitos de nós, quase todos nós) um tio na América ou um primo no Canadá. Eles não sabiam que a bandeira americana era a origem da marcha composta por John Philiph de Souza (com zê) ele próprio filho emigrantes açorianos. Eles não sabiam que a bandeira americana tem estrelas e tem tiras, daí as tais «Stars and stripes» do nome da marcha. Eles não sabiam que um poeta faialense (Mário Machado Fraião) publicou um livro com o sugestivo título de «Todas as Filarmónicas perdidas». É o som dessas filarrmónicas que todos nós procuramos não perder. Seja a marcha «Washington Post» seja a marcha «American Patrol», sejam todas as marchas pelas quais fomos atrás da música mesmo contra a vontade dos nossos pais ou avós nos dias de festa e arraial. Tantos anos depois a corruptela pode passar a presságio. Se a bandeira americana descer do mastro e se lançar sobre o petróleo do Iraque muitas bombas irão cair do céu e muitas tripas irão ficar a ferver. E o sangue atónito e inocente, sangue sem música nem resposta às lágrimas, irá correr na areia lado a lado com o petróleo. --

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por José do Carmo Francisco às 13:27


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