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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 16.11.16

antónio simões, homero serpa, antónio valdemar e jacinto baptista

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Quando eu morrer duas ou três pessoas poderão reparar num poema do Blog «emboscadas do esquecimento» escrito para os 70 anos do Toni e dedicado a António Simões e Homero Serpa. No segundo caso refiro a sua memória e isto porque eu não esqueço que em 1994 me convidaram a escrever para os fascículos de A BOLA com o título «Glória e Vida de Três Gigantes». Nunca esquecerei o convite de António Simões para um trabalho de grande envergadura quando a minha mãe estava gravemente doente: trabalhar nesses fascículos foi uma excelente terapia. Mais tarde o meu nome foi apagado na bibliografia do livro «A paixão do Povo» além de os autores chamarem «Grandes» aos «Gigantes». Quer isto dizer que em 2016 eu continuo a ser o que era em 1978 no «Diário Popular» - respeito, admiro e estimo as pessoas mas não sou obrigado a copiar o seu pensamento. No caso de Homero Serpa há um livro de 2004 editado pelos CTT e escrito em parceria com Vítor Serpa onde na página 177 se refere o SLB como vencedor do Campeonato de 1957/58 quando o campeão foi o SCP. E o livro «Repórteres e Reportagens de Primeira Página» de 1990 onde o delírio e a alucinação são iguais. Trata-se de «O primeiro derby» que Jacinto Baptista e António Valdemar situam em 1-12-1907 quando o SLB foi fundado em 1908. Os dois alteram as transcrições de O SÉCULO e do DIÁRIO DE NOTÍCIAS acrescentando um parêntesis recto e as palavras «e Benfica» como se os autores das notícias de 2-12-1907 não soubessem o que estavam a fazer. No caso das Ligas de 1935 a 1938 os vencedores do Campeonato de Portugal em 1935/36 e 1937/38 foram o SCP e em 1936/37 foi o FCP. Daí que o livro de Ricardo Ornelas em 1950 insinue que nesses três anos não houve Campeonato de Portugal e como o SLB venceu essas Ligas, seria Campeão. Além de funcionar por convites é preciso perceber que em 1934 Portugal não tinha rede de estrada nem de caminhos-de-ferro para um campeonato a sério. Por isso ficaram de fora todos os clubes de Viana de Castelo, Braga, Guimarães, Covilhã, Portalegre, Beja, Faro, Olhão e Vila Real de Santo António. Sem esquecer o Marítimo vencedor do Campeonato de Portugal em 1926. --

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por José do Carmo Francisco às 16:59

Quarta-feira, 16.11.16

«era uma vez uma boina» de leonoreta leitão

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Com o subtítulo de «Memórias de uma professora do Estado Novo à Democracia», este livro de Leonoreta Leitão (n. 1929) tem um ponto de partida («Não somos nada sem os outros») e um ponto de chagada: «Em tudo o que vou escrever, sem rodeios, de coração aberto, não espero nem desejo sentir-me aplaudida nem censurada». A autora nasceu em Leiria, filha de Acácio Leitão e de Mariana Brandão. Foi afilhada de Afonso Lopes Vieira e um dia respondeu ao «Questionário de Proust» do «Jornal de Letras de 10-6-1964. Vejamos apenas três respostas: «- Onde gostaria de viver? – Em Leiria ou em Paris. – O seu ideal de felicidade terrestre? - Trabalho, paz e amor para todos. - Que culpas a seu ver requerem mais indulgência? – Todas as que forem realizadas por amor.» Tratando-se embora das suas memórias, Leonoreta Leitão integra nelas as memórias de muitos outros que consigo partilharam o tempo que viveu. Por exemplo Orlando Neves que nas páginas 140 e 141 num artigo o Jornal «Unidade» de 1974 refere uns jovens que almoçavam em Benfica e mudaram as suas palavras no restaurante das «conversas em família» de Marcelo Caetano para o «Avante!» e para o «República», afirmando «é importante distinguir onde está o oportunismo e onde está a reflexão honesta». O seu tempo da Escola em Alcanena surge nas páginas 12, 64, 90 e 261: «Só em Alcanena me apercebi dessas minhas qualidades (pés bem assentes na terra) quando me achei perante uma Escola do Ciclo Preparatório e com determinação consegui que ela viesse a ser uma Escola Técnica.» Outro aspecto tem a ver com Urbano Tavares Rodrigues sobre quem Leonoreta Leitão escreve: «Na Páscoa de 1984 terminou a minha vida em comum com o Urbano por minha decisão, sem atritos.» Numa das cartas no livro copiadas, Urbano afirma «ninguém é de ninguém e tu de facto não és minha mas tua. Atingi contigo o extremo da felicidade humana.» E neste sentido (falar de si para falar dos outros) a última página (a 286) refere uma reflexão do pai de Leonoreta Leitão que a autora toma como sua: «É preciso vive muito depressa e morrer muito devagar.» (Editora: Colibri, Direcção gráfica e capa: Rui A. Pereira, Apoio à edição: Horácio Guerra) --

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por José do Carmo Francisco às 14:35


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