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Transporte Sentimental



Domingo, 23.10.16

sérgio lucena, os peixes de são pedro e os «anais» de tácito

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Comecemos pelo princípio porque, como dizia a sorrir o meu amigo Dinis Machado (1930-2008) «qualquer maneira de começar é uma boa maneira de começar». Sérgio Lucena é o autor do desenho da capa e das ilustrações do miolo do meu livro «Mansões abandonadas» publicado por Escrituras Editora em São Paulo- Brasil no ano de 2007. Eu não estava lá mas contaram-me que nas instalações da Editora da Rua Maestro Callia, 123 foi muito rápida a decisão do autor da capa que terá explicado ao editor Raimundo Gadelha algo como isto: «O autor dos poemas do livro é cristão, percebe-se logo e daí a lógica do desenho do peixe na capa e no interior.» Os peixes que vou procura colocar junto ao texto são de um lago com três nomes: para uns Genesaré, para outros Tiberíades e para outros ainda Mar da Galileia. São os chamados peixes de São Pedro porque, diz a antiga tradição, os peixes do tempo de Jesus Cristo eram assim como estes. Estão aqui mas podiam estar na capa do meu livro publicado no Brasil. Só não estão porque Sérgio Lucena fez uma interpretação e não uma cópia. Dito de outra maneira: a arte não copia a realidade. E por referir realidade eis as palavras de Tácito sobre os Cristãos nos seus «Anais» no ano de 115: «Este nome veio-lhes de Cristo que, sob o domínio de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos mandara supliciar. Dominada naquela ocasião aquela superstição horrível apareceu de novo, não só na Judeia, onde o mal começara mas também em Roma, onde abunda tudo o que há de mau e vergonhoso no mundo e ali encontra numerosa clientela.» A citação de Tácito é do livro «Cristo Fonte de Vida» do Padre Dheilly (Instituto Católico de Paris) com tradução de Raul Machado e edição da União Gráfica – 1960. Afinal aquilo que Tácito escreveu em 115 D.C. continua vivo e multiplicado como os peixes. --

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por José do Carmo Francisco às 18:22

Domingo, 23.10.16

devir nº 3 - revista ibero-americana de cultura

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De uma revista com 109 páginas muito há para referir mas o espaço é curto e o tempo também. Já não há paciência para grandes conversas, o tempo que vivemos é veloz por excelência. Mas os directores da «Devir» advertem: «Ao espectáculo circense prefere antes a contemplação e a expectação». Fixemos apenas alguns aspectos. Na página 22 o poema de Carlos Frias de Carvalho faz uma homenagem ao poeta Miguel Hernandez (1910-1942): «abandonaste as cabras / que guardavas desde a infância / e foste à procura / de outras cabras / que só a vida guarda / de forma tão obscura / e desse embate intenso / sobre a pedra dura / ergueste o teu ofício / seguindo cada cabra / até ao cimo / do último precipício». Na página 53 Rui Almeida faz uma homenagem ao anjo do julgamento final na Catedral de Notre Dame de Paris num poema cujos primeiros versos são: «Quanta vezes já acabou o mundo / E quantas já / Trouxe este anjo à sua trombeta o sinal / Da violência?» Os dois lados da Poesia (canção/reflexão) estão presentes nos textos de Joana Ruas sobre Fernando Assis Pacheco, de Maria Estela Guedes sobre Herberto Helder ou de António Carlos Cortez sobre Nuno Júdice. Ruy Ventura em «Por uma poesia arborescente» refere um livro de Andrew Joron («On New-Surrealism») para avançar numa ideia: «se uma teologia negativa leva à desumanização de Deus, também a Poesia, correspondendo ao seu mais alto desígnio e chamamento, deve resultar numa desumanização da linguagem.» Nuno Matos Duarte apresenta um capítulo de um texto teórico extenso sobre «Um lugar para a Arte». A revista conta com outras colaborações assinadas por: Adriano Wintter, Alberto Velho Nogueira, Alfredo Pérez Alencart, Ana Horta, Ángel Manuel Gomez Espada, Carlos Barbarito, Harold Alvarado Tenório, Heleno Godoy, Joan Navarro, João Rasteiro, Joel Henriques, José Rui Teixeira, Nestor Diaz de Villegas, Régis Bonvicino, Rento Suttana, Thiago Ponce de Moraes, Angel Campos Pámpano e Manuel Vilariño. Nota final - Os apoios são da Editora Licorne, Câmara Municipal de Marvão e Galeria de Arte Carlos Carvalho. --

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por José do Carmo Francisco às 09:46

Domingo, 23.10.16

nuno perestrerlo tem razão mas falta o resto

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Mão amiga chamou a atenção e trouxe-me para a Livraria Bonecos Rebeldes o recorte do texto de Nuno Perestrelo intitulado «O buraco negro» em A BOLA na coluna «Bola na rede». O articulista tem razão quando escreve «é imperioso falar do Campeonato de Portugal» mas já não acerta quando refere o «povo do futebol» como «responsável pela desvalorização» do Campeonato de Portugal que se disputou entre 1921/22 e 1937/38. Essa «desvalorização» começou por ser feita pelo jornalista Ricardo Ornelas no seu livro «Números e nomes do futebol português» de 1950 e não pelo «povo do futebol» que (coitado dele) nem escreve livros nem lê muitos livros. A vigarice é simples: como em 1935/36, 1936/37 e 1937/38 o SLB ganhou três «Ligas», Ornelas «fez de conta» que nessas épocas desportivas não se disputou o Campeonato de Portugal cujos vencedores foram: SCP em 1935/36, FCP em 1936/37 e SCP em 1937/38. Dito de outra maneira: além de somar os Campeonatos de Portugal de 1929/30, 1930/31 e 1934/35, o SLB teria ainda mais 3 títulos «fazendo de conta» que as «Ligas» não foram de facto provas particulares, experimentais e disputadas nos Domingos deixados livres pelos jogos do Campeonato de Portugal. Foi isto que Nuno Perestrelo não escreveu. De qualquer modo (e todos o sabemos!) o Campeonato de Portugal era uma prova que atribuía uma Taça. Os rapazes do SCP que em 24-6-1923 ganharam à Académica em Faro por 3-0 vieram de comboio até Lisboa a cantar uma canção em voga nesse ano cujo refrão terminava assim: «Que a malta trazia a Taça/ Já toda a gente sabia!» e nos anos 20 e 30 outra cantiga celebrava essa prova desportiva que era a única a atribuir o título de campeão de Portugal. Era assim: «Olha o balão / Olha o arraial /Olha o (nome do clube) / Campeão de Portugal!». --

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por José do Carmo Francisco às 09:00


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