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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 27.04.16

para mim um «glossário» é como um poema

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O livro «Alguns contos» de Carlos Pato, a terceira edição de 2012 (Editora Página a Página) inclui, além dos três contos do autor («Ao receber a jorna», «Valados» e «Graxas»), um prefácio de José Casanova (página 9), o prólogo da Alves Redol à edição de 1951 (página 23) e um glossário (página 69). O glossário aparece sem autor. Não tem grande importância nem pessoal nem literária este caso do glossário mas a ideia de o escrever foi minha e fui eu que a concretizei junto da filha do autor do livro – Clara Pato. Para o bem e para o mal, o glossário é meu, trabalhei nele muitas horas porque grande parte das palavras estão datadas, são dos anos quarenta do século XX e não foi fácil penetrar nesse tempo português determinado. Como curiosidade aqui fica o tal glossário do livro «Alguns contos» de Carlos Pato: «Acatadores – os que aceitam as ordens, Aferro – afinco, Ceres – deusa romana da agricultura, Costeiros – costas, Fateixa – âncora artesanal, Giboso – corcunda, Graxa – engraxador, Guardadores – os que vigiam o gado, Lanchão – lancha grande, Macaréu – onda do rio em direcção à nascente, Mártir Santo – bairro de Vila Franca de Xira, Méreis – mil réis, escudos, Pampeiro – vento de sudoeste, Páramos – planície, Pedida – jogo de cartas, Pirolito – água engolida pelo nadador, Safanos – malandros, Superior – marca de tabaco, Toletes – cavilhas onde assentam os remos dos barcos, Tourinas – cabeça de touro em rodas para treino de toureiros, Valadores – os que abrem valas e valados, Varino – garoto avieiro, Verdilhão – espécie de pássaro, Vezes de parto – número de filhos» Não sendo eu ribatejano ma sim natural da Estremadura, vivi no Montijo de 1957 a 1961 e em Vila Franca de Xira de 1961 a 1966 para além de ter trabalhado em Santarém de 1997 a 2001. Daí o meu interesse. --

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por José do Carmo Francisco às 18:05

Quarta-feira, 27.04.16

«uma estátua no meu coração» de soledade martinho costa

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Autora de mais de 30 títulos na área infanto-juvenil, de 3 livros de poemas, de 2 peças de teatro, de 1 inquérito ao Livro Infantil, dos 8 volumes das Festas e Tradições Portuguesas (Círculo de Leitores), Soledade Martinho Costa surge neste recente volume com uma revisitação ao passado próprio mas também social, partindo sempre das experiências pessoais para um olhar mais abrangente sobre o Mundo e a Sociedade. Colaborou em diversos jornais e revistas: Diário Popular, Diário de Lisboa, O Jornal da Educação, Expresso, Público, Diário de Notícias, Pública e Notícias Magazine. O ponto de partida é dado na página 16: «Recordações, memórias, isso sim, tenho. Mas são outra coisa. Ter recordações ou memórias não quer dizer sentir saudades. Recordo os meus pais, os meus familiares, os meus amigos que já não estão comigo. Recordo a infância dos meus filhos. A minha vida. As coisas que tive. Os locais que conheci.» Um dos pontos deste livro é na página 14 a dissertação sobre a posteridade em literatura: «Há nomes imortais, reconheço. Certezas, só uma: a de serem lembrados, enaltecidos, não pelos seus pares (raramente o fazem) mas pelos seus leitores. É aí que reconheço a glorificação, a imortalidade de uma obra.» Este é um livro diferente, não um livro mas o livro: «Talvez um livro onde estejam patentes a biografia, as memórias, as crónicas. Sim talvez um livro que represente um pouco de tudo isso.» Nascida em Lisboa, Soledade Martinho Costa foi viver para Alverca do Ribatejo com 10 anos: «Saí de casa dos meus pais quando me casei mas continuei a morar, até hoje, na mesma rua. Rua que permanece particamente igual, quando a localidade era a pequena vila ribatejana que conheço desde a infância.» Belíssima é a evocação de Fernando Assis Pacheco no Diário de Lisboa em 1979: «Vou fazer-lhe três perguntas: quando quer começar; quando terei em mão o primeiro texto e se poderei contar com uma entrevista, entregue, rigorosamente, todas as semanas, para serem publicadas às quintas-feiras.» Tal como é belíssima a memória da Banda Desenhada: «Depois de dizer «bom dia» ao Senhor Adão, ele entregava-me «O Papagaio», «O Mosquito», «O Diabrete», «O Cavaleiro Andante». Mas não é só Literatura; este livro integra memórias do sangue pisado da vida, como o caso de uma avó da autora a quem morreram dois filhos, Margarida e Bento: «A mãe que perde filhos nunca mais alivia o luto». Outra memória sentida é a de Alice Gomes, irmã de Soeiro Pereira Gomes, casada com Adolfo Casais Monteiro: «Impedidos de exercer a carreira de professores liceais em escolas do Estado, contava-me que tinha sido por intermédio (paradoxal) de Fernanda de Castro, mulher de António Ferro, que haviam conseguido colocação no ensino privado.» O título feliz deste livro está na página 207, na fala de uma neta da autora: «Olha, papá, a estátua do avô Rafael está aqui, dentro do teu coração.» (Editora: Vela Branca, Prefácio: Rui Vasco Neto, Capa: Hélder Lopes sobre tela de Peter Wilhelm Ilsted, Revisão: L. Baptista Coelho) --

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por José do Carmo Francisco às 15:02


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