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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 14.04.16

a gramática do som dos sinos da igreja da minha aldeia

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O desafio para escrever esta crónica tem uma origem inesperada: o poeta e antropólogo Luís Filipe Maçarico telefonou-me a sugerir a escrita das minhas memórias de hoje para o som dos sinos de Santa Catarina - a minha aldeia. Logo hoje que isso me lembra ainda mais por causa dos sinais dobrados no funeral da minha mãe. Passaram vinte e um anos mas é sempre como se tivesse sido agora mesmo. Nestas coisas do sentimento não há datas; apenas memórias. Mas eu ainda lhe tentei lembrar os outros toques dos sinos da minha aldeia como por exemplo os repiques dos baptizados, os repiques dos casamentos ou o alegre som das procissões quando um foguete dava o sinal do arranque. Ainda hoje me faz alguma confusão como é que o som de cima (os sinos) não perturbava nem interferia no som de baixo (a filarmónica) com os seus metais, as suas madeiras e a sua pancadaria. Havia um reportório de marchas graves. Alinhados no azul das fardas, os músicos formavam logo atrás do pálio e à frente do povo. Temos na igreja da nossa terra uma santa padroeira (Santa Catarina de Alexandria) cuja festa em Novembro constitui um desafio para qualquer filarmónica. Às vezes chove, muitas vezes chove e não é possível realizar a procissão. Mas isso era eu a lembrar a alegria porque a dor maior da morte de quem nos deu a vida teve para mim no dia 14-4-1995 uma dupla inscrição: na gramática dos sinos e na biografia particular. Os sinais dobrados são um som que arrepia porque entra no cérebro a martelar uma a uma essas notas da música mais triste numa pauta invisível mas real. Como se toda essa tristeza dos sinos da minha aldeia fosse o tempo e o lugar da música que nasce e não morre nunca no coração de todos nós. Nota final – a fotografia é de Valer Vinagre e espero ter ficado na prosa à altura do seu trabalho na imagem. --

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por José do Carmo Francisco às 18:11

Quinta-feira, 14.04.16

cristiano ronaldo e as imagens que não se podem apagar

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Esta vitória sobre o Wolfsburg por 3-0 com três golos por si (Cristiano Ronaldo) assinados, dando a vitória e a reviravolta para o Real Madrid depois de uma derrota injusta por 0-2 na Alemanha, lembrou-me a primeira vez que o vi ainda no velho Lar do Jogador por baixo das bancadas do estádio José Alvalade. Terá sido em Fevereiro ou Março de 1997 quando lá entrei uma noite para entrevistar Leonel Pontes e Paulo Cardoso. A reportagem com os dois responsáveis pelo Lar do Jogador foi publicada no então existente jornal «Sporting». Nesse tempo soube que o elemento-chave para a vinda do jovem jogador foi o Dr. Marques de Freitas, um grande sportinguista da Madeira. Soube também da influência de Isabel Trigo de Mira para que a Direcção «leonina» (José Roquete e Simões de Almeida) adquirisse frigoríficos onde se guardavam os iogurtes, o queijo e o fiambre para as sandes nocturnas de quem estava a crescer. Mais tarde lembro-me de uma longa conversa com Cristiano Ronaldo no campo do União de Coimbra, mesmo ao lado da linha do comboio que já não existe. Era um campo pelado, uma entorse no tornozelo e um saco plástico com gelo. Mais tarde num Domingo de manhã em Pina Manique, com chuva, frio e nevoeiro ao mesmo tempo, um árbitro sensível e perspicaz (António Cardoso, salvo erro) suspendeu o jogo de Iniciados Casa Pia-Sporting porque aquele jogador não estava nada bem. O enfermeiro Fontinha atalhou logo o problema com uma injecção mas a taquicardia grave só se resolveu com uma intervenção cirúrgica na Clínica de Santa Cruz em Linda-a-Velha. Foi em 1999 mas parece que foi ontem. Ontem foi aquele brilharete a dar a volta ao resultado negativo que vinha da Alemanha. Os factos são recentes mas as imagens são antigas e não se podem apagar. --

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por José do Carmo Francisco às 09:09


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