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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 23.12.15

carta sincera a maria alzira seixo e uma advertência

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Tenho por Maria Alzira Seixo amizade, respeito e consideração, triplo sentimento cuja origem se localiza lá pelos idos de 1980 quando eu era na A.P.E. da Rua do Loreto um obscuro aprendiz junto de gente de alto gabarito como David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Eurico da Costa, Wanda Ramos, Orlando da Costa, Óscar Lopes, Fausto Lopo de Carvalho, E. M. Mello e Castro, Maria Velho da Costa, Jacinto Baptista e muitos outros. Seleccionei um poema de Maria Alzira Seixo para uma antologia por mim e por mais dois amigos organizada («O Trabalho – Antologia Poética») que hoje faz parte das raridades bibliográficas nas montras dos alfarrabistas e não esqueço a conversa que tivemos entre o Alto de São João e o Cais do Sodré em 1983 depois da morte (apenas civil) e do funeral de José Gomes Ferreira, o nosso poeta militante. Sem esquecer outras conversas sobre a «queima do batel» nas Festas de São Pedro no Montijo onde vivi de 1957 a 1961 na Rua Sacadura Cabral e em cuja Escola Primária fiz a primeira, a segunda e parte da terceira classe. Somos amigos de facto e também amigos no Facebook – o que, sabemos, não é a mesma coisa. Por causa do Facebook de Maria Alzira Seixo apareci a comentar uma entrada da minha amiga mas logo se procurou intrometer uma pacalaia a tentar (coitada…) tirar nabos da púcara. Só que, já agora, na minha idade e com o estatuto que é de facto o meu não respondo a qualquer pacalaia. Mesmo que tente não leva nada – nem resposta nem sequer desdém. Maria Alzira Seixo é que eu continuo a ler e a comentar enquanto as coisas se forma proporcionando e nós formos amigos no Facebook. O resto é apenas paisagem. Coisa que, todos o sabemos é, com a estupidez, aquilo que mais há no Mundo. --

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por José do Carmo Francisco às 15:41

Quarta-feira, 23.12.15

«doze casamentos felizes» de camilo castelo branco

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O ponto de partida destas doze «historinhas» como lhe chama Camilo Castelo Branco (1825-1890) é uma constatação: «Raro marido há aí que, uma vez ao menos em cada dia, não se arrependa de o ser.» A história do primeiro casamento termina com Luís de Cernache e Cândida de Lima a encontrarem-se num Convento onde a segunda entrou logo que se despediu do primeiro de partida para Lisboa. Estava ela doente mas o amor curou seus males: «A viúva nem chama quem lhe dê os vestidos. Veste-se atabalhoadamente. Vai sair mas retrocede a mirar-se e a remirar-se ao espelho.» As outras onze histórias têm heróis e heroínas com nomes vulgares: João António e Ângela, Maria da Luz e João Nunes, Duarte e Inês, Caetana e Januário, Teresa e Bernardo, Tomás e Maria da Piedade, Rosa e Bento, Jorge e Maria, Sofia e Jácome, Ana e Francisco, Pedro e Carolina. Os nomes podem ser vulgares mas as histórias é que não. A oposição entre a Cidade e as Serras (Lisboa e o Barroso) aparece na página 80 (sexto casamento): «Eu também fiz o milagre de ir às Alturas de Barroso. Ora vejam os meus amigos do Chiado e do Café Martinho por onde eu tenho andado!» O humor de Camilo está por exemplo na página 111 (oitavo casamento) quando a propósito do vinho um ex-soldado de França lhe afirma: «Se Napoleão tivesse levado uma dúzia de pipas deste para a Bélgica, não perdia a batalha de Waterloo.» Outra história na História passa-se em 1557 na Índia e o humor de Camilo surge de novo na página 127 (nono casamento): «Finda a solenidade houve grande algazarra de artilharia, campainhas, charamelas, atabales, buzinas, sacabuxas, e muitos outros instrumentos de sopro que só de enumera-los se arrepiam os nervos.» A bonomia de Camilo disfarça o humor e adverte o reumatismo no quinto casamento («Nem o reumatismo resiste ao fino e santo amor conjugal!») tal como a comiseração no sétimo casamento («A generosidade que move um homem a sacrificar a sua vida a uma mulher doente deve ser muitas vezes ferida pelo arrependimento»). Apesar de ser natural de Lisboa, Camilo proclama as mulheres do Norte como as mais bonitas no décimo segundo: «camponesas da Maia, padeiras de Valongo e Avintes, lavradeiras de S. Cosme e Fânzeres, varinas de Espinho e Ovar!». A moral da história e das doze histórias está no 12º casamento e na página 169: «O coração é muito e a felicidade doméstica é tudo». (Editora: Aletheia, Capa/Paginação: Hugo Neves) --

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por José do Carmo Francisco às 10:53


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