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Quarta-feira, 16.12.15
afinal o dantas não morreu e está bem vivo nas páginas dos seus livros
Devo a Alexandre O´Neill a chamada de atenção sobre a obra de Júlio Dantas na Rua da Rosa onde se encontrava com Jacinto Baptista no jornal «O Ponto». Mais palavra menos palavra, ele teria dito «o Dantas é um excelente escritor» porque aquilo do «Manifesto» do Almada Negreiros calhou a ele como podia calhar a qualquer outro. Era uma questão de vanguardas literárias: os do «Orpheu» eram novos e queriam ocupar um espaço onde já estavam os outros. Devo a Fernanda Frazão o gentil empréstimo da edição original de 1916 do livro «O amor em Portugal no século XVIII» com ilustrações de Alberto Sousa. O seu texto de Júlio Dantas sobre o «menino pobre» é notável: «Nascia entre pragas pelas betesgas, nas celas humildes dos conventos, às vezes nos poiais das portas. Não era um sorriso que os pais viam nele; era mais uma boca a pedir-lhes pão. Não era a glória dum amor que se grita e se beija; era, tanta vez, a vergonha dum crime que se cala e se esconde.» Notável é também o seu texto sobre os crimes das ruas-sujas de Lisboa que durante um século preocuparam os governantes e só se resolveram em 1780 com o Intendente Diogo Inácio de Pina Manique: «Como? Levantando forcas? Derramando sangue? Não. Muito simplesmente: iluminando a cidade. Nesse dia, o terror da rua-suja acabou». Notável ainda a entrada sobre as freiras casquilhas do tempo: «Sabem para que era que, no século XVIII as meninas fidalgas se faziam freiras? Para que era que se amortalhavam numas varas de burel e se sepultavam vivas numa claustra de mosteiro? Para terem liberdade. Nada mais absurdo; e, entretanto, nada mais verdadeiro. As grades dos conventos chegaram a representar para a mulher portuguesa de 1700 alguma coisa parecida com uma libertação.» Uma nota final para um padre no Paço da Ribeira a dizerpara um archeiro real: «Amigo, as mulheres são falsas, enredadeiras, mentirosas, poços de vícios e de maldade mas Deus Nosso Senhor não nos falte com uma!» --
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José do Carmo Francisco
às 09:58
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