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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 30.10.15

as «gralhas» nos livros e nos jornais com um recado para ernesto rodrigues

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Começo este texto com uma declaração de interesses: acabo de emendar duas gralhas num livro meu e outras duas no Blog «transporte sentimental». No primeiro caso emendei «Ssocial» para Social e «miss» para mais. No segundo caso troquei «Arnado» por Arnaldo e «miai» por mais. Não castigo ninguém (nem a mim próprio) quando assinalo o que me parece ser «gralha». Autores consagrados como José Saramago também dão guarida às «gralhas». Basta ver em «Levantado do Chão» a citação de Almeida Garrett tem «infância» por infâmia e a «Viagem a Portugal» refere uma igreja em Santarém como sendo de «Alpalhão» quando é bem de «Alporão». O meu caríssimo Ernesto Rodrigues no seu livro «Verso e Prosa de Novecentos» na página 402 refere o livro de Urbano Tavares Rodrigues como «Limitação da Felicidade» em vez de «Imitação da Felicidade». Leio hoje no «Diário de Notícias» que o realizador do filme «Pátio das Cantigas» se chama Fernando em vez de Francisco Ribeiro (Ribeirinho). Na última página do mesmo jornal a propósito do jovem guarda-redes italiano que tirou o lugar ao espanhol Diego Lopez e deste se diz que «jogou quase jogos» quando se queria referir o número de jogos (50 talvez) mas a palavra faltou. Ernesto Rodrigues escreveu-me uma carta, coisa rara neste tempo. Cada ponto dava uma página mas vamos ao engraçado: os jornalistas do futebol costumam escrever «golo obtido nos descontos» quando o árbitro acrescenta o tempo de jogo. Não há descontos, há compensação por causa das lesões e das substituições. No futebol de salão e outros desportos de pavilhão, aí sim, há descontos de tempo mas não no futebol de onze. Mas também não existe «Academia de Alcochete» que fica a 12 quilómetros de Barroca de Alva e a esta localidade dá apenas código postal, além de Bombeiros e GNR nos dias de jogo. Os dicionários onde tiro as minhas dúvidas são os de José Pedro Machado e o Moraes. Neste vejo «cacha» como «metade de um fruto» ou «porção de qualquer coisa». E «snob» com itálico está no «Dicionário de Estrangeirismos» do referido mestre José Pedro Machado. Fico por aqui. Um abraço forte ao Ernesto. --

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por José do Carmo Francisco às 19:29

Sexta-feira, 30.10.15

«é de noite que me invento» de luís filipe maçarico

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Com «É de noite que me invento» Luís Filipe Maçarico (n.1952) assina o seu vigésimo título de poesia, vinte e quatro anos depois da estreia com «Da água e do vento» (1991). Não por acaso este original de 40 páginas foi apresentado ao público na Casa do Alentejo em Lisboa no dia 29-10-2015. O autor nasceu em Évora no dia 29-10-1952. O volume integra sete poemas e não indica o depósito legal nem o ISBN. A relação entre vida e escrita é uma constante nestes poemas; o título de um deles («Notícias do meu caminho») poderia ser o título geral do conjunto. A viagem é aqui a metáfora da vida: «entraste como eu / no autocarro / dos dias iguais / e a manhã apesar de soalheira / era de faces cinzentas». No poema «Oração» o autor inscreve de novo a viagem como lugar ideal para medir a vida do poeta e de quem por ele passa: «Nas vísceras/da cidade / No suor / do autocarro / superlotado / sublimo / a raiva / duma existência / de rastos / pelos estábulos / do quotidiano». A cidade de Lisboa é aqui a paisagem povoada de um tempo que passou mas permanece; o tempo de antes do Euro, o tempo do Escudo: «Minha oração / ao lixo / do tédio / e aos hotéis do desamor / não esquecendo / os cargueiros apodrecidos / na babugem / dum rio / agonizante / e esta cidade / montra de detritos / onde no seu aventalinho / desbotado / a vendedeira / guarda / uma / a / uma / a nota de cem». O poeta, qualquer poeta, sabe que todo o poema é uma oração pois junta de novo dois mundos separados pela morte. Na oração o crente liga nas palavras o seu mundo ao mundo superior do Deus que invoca; nas palavras do poema o poeta junta de novo tudo aquilo que o tempo separou. Se por tempo entendermos o esquecimento, o vazio e a morte. O lugar-comum diz que toda a literatura é uma homenagem à literatura mas nesta nota de leitura (que é pessoal e assinada) valorizo mais a ligação entre o sangue pisado da vida e o estilo da escrita do que o inventário das artes e das letras, poema a poema: Goya, Ruy Belo, Álvaro de Campos. É nesse contexto que na minha opinião surgem os veros mais importantes do conjunto: «bendito seja / o mal / do mundo / pois é por ele / que se faz / o bem!» (Desenho: Isabel Aldinhas, Capa: GM - Oficina de Artes Gráficas, Lda., Colaboração: Ana Isabel Carvalho, Glória Silva, Sofia Fradique) --

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por José do Carmo Francisco às 09:58


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