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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 01.10.15

ian sutherland ou o esplendor do pormenor

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Os desenhos de Ian Sutherland podem ser fruto do seu convívio prolongado com as aguarelas da mãe, Joan Sutherland. A sua infância e a sua juventude partilharam um tempo nas paredes da casa nos arredores de York e em galerias de arte. O rigor, a paciência e a atenção foram aos poucos ganhando espaço no olhar de Ian Sutherland como uma espécie de herança invisível transmitida pela mãe. Vinte e cinco anos depois dos primeiros desenhos, esta exposição faz a retrospectiva dum percurso povoado por diversas pontes. Como num poema, os desenhos de Ian Sutherland juntam de novo o que a morte separou - se por morte tomarmos a distância, o exílio e o esquecimento. Como numa oração, estes desenhos ligam de novo dois mundos distantes, duas realidades, dois universos. O livro não se limita a reproduzir um percurso expositivo, uma aprendizagem da perfeição das coisas. O que o livro faz chegar a cada um de nós é a memória de um tempo em que os arquitectos desenhavam com lápis e borracha os sonhos no estirador. Não por acaso o livro que serve de bilhete de identidade do atelier Allies & Morrison leva um desenho de Ian Sutherland na capa: trata-se de uma estação elevatória onde a beleza se cruza com a utilidade e com a eficácia. Com trabalhos de arquitectura premiados pelo RIBA de Londres, esta exposição de Ian Sutherland faz um inventário de desenhos ao longo de vinte e cinco anos mas, ao mesmo tempo, propõe um balanço positivo onde os sinais da arte são mais fortes que os programas de computador. A técnica fica atrás da arte. Nenhum aparelho será capaz de incorporar as memórias da infância e da juventude, as aguarelas de Joan Sutherland, as montanhas com as suas pedras e a sua luz, o esplendor do pormenor capaz de comover a nossa alma e de nos motivar um olhar que não quer terminar. --

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por José do Carmo Francisco às 15:16

Quinta-feira, 01.10.15

«os prceitos práticos...» de fernando pessoa

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Fernando Pessoa (1888-1935) colaborou de modo regular com o seu cunhado Francisco Caetano Dias na «Revista de Comércio e Contabilidade». No seu número 6 de Junho de 1926 surge este saboroso texto. E inesperado pois a figura de Fernando Pessoa é, por norma, associada a ideias esotéricas, mistérios e cartas astrológicas mas não se pode esquecer um facto: o Poeta foi durante toda a vida um empregado de escritório, trabalhou como correspondente e tradutor nas principais empresas de comissões e consignações, de importação e de exportação. Fernando Pessoa («Todos temos duas vidas») foi isso mesmo – teórico e prático. É o seu lado prático que o leva a escrever sobre a sociedade o seguinte: «A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes. Cada homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social.» E, mais à frente, explica os preceitos práticos: «Um preceito prático é uma regra de procedimento egoísta que não esquece a dupla natureza do homem nem o equilíbrio entre os seus dois elementos». Mas vamos aos 9 mandamentos de Henry Ford, coligidos por Lord Riddell: «1- Busca a simplicidade. 2- Não teorizes; faz experiências. 3-O trabalho e a perfeição do trabalho tomam a precedência do dinheiro e do lucro. 4- Faz o trabalho de modo mais directo sem te importares com regras e leis. 5- Instala e mantém todas as máquinas no melhor estado possível e exige um asseio absoluto em toda a parte. 6- Se puderes fabricar uma coisa, que tens de usar em grandes quantidades, a um preço inferior ao por que a compras, fabrica-a. 7- Sempre que for possível, substitui o homem pela máquina. 8- O negócio não pertence ao patrão ou aos empregados, mas ao público. 9- O salário justo é o salário mais alto que o patrão pode pagar regularmente.» Henry Ford tinha acabado de criar em 1926 a semana de cinco dias, a chamada semana- americana que só chegou a Portugal nos anos 70. Em 1966 o autor desta nota de leitura trabalhava num Banco de Lisboa ao sábado e em 1967 teve 12 dias de férias. (Editora: Guimarães /Centauro, Coordenador: Vasco Silva, Grafismo: Luís Vilaça) --

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por José do Carmo Francisco às 13:49


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