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Transporte Sentimental



Terça-feira, 23.06.15

as coisas mesmo importantes da vida

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Todos os dias se podem aprender com a vida coisas novas. O mais importante é estar disponível para isso. As histórias existem e sucedem-se, o essencial é reparar nelas. Durante muitos anos convivi com um colega de trabalho (o Barbosa) com o qual estive em desacordo muitas vezes. Cheguei mesmo a dizer-lhe que o problema dele era ser um trabalhador com mentalidade de patrão. E ele concordava porque até era verdade. Mas aprendi com ele que tudo é relativo na vida e o que para muitos é problemático para outros não tem nada que saber nem importância nenhuma. Os pequenos percalços do quotidiano não passavam disso mesmo (pequenos percalços) comparados com os grandes problemas, com as coisas mesmo importantes da vida. Ele contava a história breve e amarga de um colega nosso do Banco de Portugal. Tinha quatro filhos e nos anos sessenta do século passado, com a guerra colonial, morreu um deles na Guiné, outro em Angola e outro em Moçambique. O quarto filho era pequeno na altura e, com o «25 de Abril» Já não foi à guerra. Ele estudou na Universidade de Lisboa e concluiu o Curso de Direito. Na noite em que festejava com os amigos a sua formatura em Direito voou para a morte num automóvel que só parou numa árvore. A família ficou destroçada. Isso sim, são problemas grandes, nada que se compare as nossas pequenas contrariedades do dia-a-dia. O meu colega desses hoje distantes anos sessenta, o Barbosa, tinha razão. A sua história do nosso colega do Banco de Portugal e dos seus quatro filhos calava todas as pequenas questiúnculas pessoais e profissionais no nosso departamento operacional de estrangeiro. As coisas importantes da vida não aparecem todos os dias nas conversas e discussões. Elas são sempre outra coisa. --

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por José do Carmo Francisco às 14:16

Terça-feira, 23.06.15

«lisnave» de luís alves milheiro e joão soeiro

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Nostalgia e desencanto são duas palavras que se colocam ao leitor perante este livro com fotos de João Soeiro e textos de Luís Alves Milheiro. De facto a «viagem no tempo» que o título avança, implica um olhar nostálgico e desencantado sobre a realidade dos estaleiros inaugurados em 23-6-1967, pouco tempo depois de em 6-8-1966 ter sido aberta ao tráfego a chamada «Ponte Salazar» que veio retirar a importância relativa a Cacilhas como nó essencial de transporte de pessoas e bens entre as duas margens do Tejo. Nos primeiros tempos da LISNAVE, Almada recebeu milhares de pessoas, na sua maioria vindas do Alentejo, à procura de melhores condições de vida. Outros vieram do Arsenal do Alfeite, da CP e da Sociedade de Reparação de Navios, numa altura em que a oferta da LISNAVE era para eles o triplo do seu vencimento anterior. A LISNAVE era uma cidade dentro da cidade e funcionava 24 horas por dias 365 dias por ano mas em 1969 uma greve nos dias 12 e 13 de Novembro veio abalar a paz social da empresa: a polícia de choque e a GNR expulsaram os trabalhadores das instalações. De seguida houve despedimentos. A chamada «crise do Canal do Suez» veio em 1973 alterar as condições da actividade da construção naval em todo o Mundo e seguiu-se em 1974 o «25 de Abril» em Portugal que veio alterar as relações de trabalho entre trabalhadores e patrões. Tudo acabou em 30-6-2000, se por «tudo» entendermos a ideia e o sonho de muitos portugueses para quem ir trabalhar para a LISNAVE era «emigrar sem sair do país». Para além de ser tudo o mais, este livro é também uma forma de dizer adeus ao executivo e à freguesia de Cacilhas que patrocinou vários livros sobre a história local: Abrantes Raposo, Alberto Afonso, Diamantino Lourenço, Fernando Barão, João Soeiro, Luís Alves Milheiro, Luís Bayó Veiga e Víctor Aparício são os seus autores. Aqui o autor conclui e faz votos: «Treze anos depois do fecho oficial dos estaleiros da LISNAVE resta-nos esperar que não lhes aconteça o mesmo que aconteceu a outros complexos industriais do Concelho.» (Edição: Junta de Freguesia de Cacilhas, Apresentação: Carlos Leal, Capa: João Soeiro) --

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por José do Carmo Francisco às 09:38


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