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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 23.04.15

traduções, traições e outras palermices

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Portugal é um país de analfabetos. Todos sabemos isso, é do conhecimento geral. Não basta ouvir o Governo, os seus ministros e os secretários de Estado para se perceber como a estupidez chega ao púlpito e ao altar porque até qualquer pequeno gesto como comprar cinco litros de vinho tinto dá azo a um comentário risonho. Vejamos algumas das palermices. Na caixa de papelão que envolver o vinho tinto comprado por mim hoje no supermercado está escrita a palavra «see» (ver, olhar) em vez de «sea» (mar) e isto até faz lembrar aquela do chinês que fez um postal turístico sobre Lisboa onde está escrito «Elevador do Havre» em vez de «Elevador do Lavra». Outra frase mal escrita na caixa de papelão é a seguinte: «Caves XXX is a well-know name» quando deveria ser «Caves XXXis a well-known name». A diferença é que «know» quer dizer conhecer e «known» significa conhecido. Segundo o excelente dicionário «Webster´s Seventh New Collegiate Dictionary» da Merriam-Webster (em edição americana mas o inglês é puro) o significado está assim - «well- known significa fully known». O analfabetismo também se manifesta nestes pequeninos pormenores pois há pequenas coisas que não são coisas pequenas. Umas Caves tão importantes que exportam vinhos brancos e tintos para países de língua inglesa e de língua francesa mas afinal entregam a tradução a quem não sabe da poda. Ora aí está uma expressão bem portuguesa para este caso das palermices da tradução. Os exemplos são elucidativos da pobreza geral da coisa. Não escrevo o nome das Caves por uma questão de piedade. É porque como se escreve na Bíblia «eles não sabem o que fazem». Portugal sempre foi e continua a ser um país de analfabetos. --

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por José do Carmo Francisco às 15:22

Quinta-feira, 23.04.15

antónio rebordão navarro e «as ruas presas às rodas»

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A morte civil de António Rebordão Navarro (1933-2015) surgiu-me no Facebook com uma chamada para a notícia de um jornal «on line». Essa notícia tem alguns erros e imprecisões, o que é ainda mais chocante com um escritor e poeta que prezava muito o rigor da escrita. Lembro-me das voltas que ele deu em Vila Viçosa lá pelos idos de 1987 por causa do nome do actor Dirk Bogarde (1921-1999) que apareceu num seu poema como Dick Bogart. Outro erro crasso consiste em lhe atribuírem a edição das cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues quando eu sei que tal tarefa coube a Joel Serrão. Adiante. Tenho uma história bonita passada com um original de António Rebordão Navarro assinado com pseudónimo. Eu era membro de um júri de um prémio literário e escolhi como possível vencedor um original a concurso com o título de «As ruas presas às rodas». Trata-se da vida de um motorista e do seu automóvel mas também da cidade do Porto e das suas ruas. Eu escolhi este original como o melhor de todos só que os outros membros do júri não tinham a mesma ideia e votaram noutro original. O resultado foi 2-1 como no futebol e eu aguentei a derrota mas nunca me esqueci do título. Como é natural o Vereador da Cultura só abriu o envelope do vencedor e eu fiquei sem saber quem era o autor do «meu» original. «Meu» salvo seja, apenas o meu preferido. Anos depois soube pela revista da Sociedade Portuguesa de Autores que o livro próximo de António Rebordão Navarro era o «meu» original, esse «As ruas presas às rodas», sem tirar nem pôr. Soube depois que o editor foi a Afrontamento e a edição é de 2011. Neste momento de luto recordo uma história sorridente que prova a razão do meu sentimento de justiça. O livro era mesmo bom como o António que vai continuar nos livros que deixou. --

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por José do Carmo Francisco às 08:58


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