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Transporte Sentimental



Terça-feira, 24.02.15

poesia e banda esdenhada em campolide

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Deve-se à paciência, capacidade e estoicismo de Inês Ramos (porosidade-eterea.blogspot.com) a organização semanal desta feira. Funciona aos sábados das dez da manhã às sete da tarde num palácio de Campolide na Rua Professor Sousa da Câmara nº 156. Lá encontrei o livro de Jaime Rocha «Mulher inclinada com cântaro» (editora Volta d´mar) e o meu «1983 – Um resumo» (editora O MIRANTE): o primeiro bem mais recente mas o meu editado no já distante ano de 1990. Além da inevitável Inês Ramos, a escritora que organiza a «Feira da Poesia e da Banda Desenhada», encontrei na tarde do dia 21-2-2015 mais dois poetas – M. Parissy e Pedro Silva Sena. O Pedro Silva Sena que é também um excelente tradutor de Poesia, ofereceu-me a edição recente da Revista «Di Versos», o seu número 20 com algumas traduções do poeta de Palma de Maiorca Gabriel Sampol. O M. Parissy não esperava encontrar-se comigo e por isso não trazia (nem eu levava) livros para a troca mas ficámos à conversa porque somos da mesma região e da Nazaré a Santa Catarina é quase um salto. A Geografia é mais importante do que a História – já muito antes tinha advertido o Poeta Vitorino Nemésio noutro contexto mas vem sempre a propósito. Recomendo esta semanal Feira da Poesia e da Banda Desenhada a todas as pessoas que, num país de analfabetos, ainda gostam de livros e de modo especial a três personalidades: Luís Alberto Ferreira, Joana Ruas e José Manuel de Vasconcelos. Os dois primeiros pela presença da Poesia de África e o terceiro porque pode até encontrar alguns livros seus nas mesas. O que torna especial esta Feira é que lá oferecem livros. Vi pessoas levarem volumes de autores como Maria Lamas, Stefan Zweig e Erskine Caldwell. Eu, por ser jornalista, recebi a edição especial de «O Comércio do Porto» de 4 de Agosto de 1980. Fixe! --

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por José do Carmo Francisco às 21:53

Terça-feira, 24.02.15

«minhas cartas nunca ecritas» de vergilio alberto vieira

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Vergílio Alberto Vieira (n. 1950), autor de vasta obra (poesia, ficção, teatro, diarística, literatura infanto-juvenil), surge nesta narrativa de 22 fragmentos com toda a sua bagagem de crítico literário – actividade que exerceu desde 1975 na revista África e nos jornais Diário de Lisboa, Jornal de Notícias e Expresso. Não por acaso o título do volume é um verso de Mário de Sá-Carneiro e surgem citações de autores como António Ramos Rosa, Luís de Camões, Camilo Pessanha, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Ingborg Bachmann. E também Schöenberg. Embora as 22 referências de cada texto sejam as cartas do Tarot, o discurso é, sem dúvida, de autoficção - o que não significa autobiografia. O ponto de partida é o lugar e o tempo da infância. Do casamento dos pais («Passava o Verão, o ardente estio, quando por fim, a 11 de Agosto de 1949, meus pais casaram») ao seu tempo de criança: «Como não tinha irmãos e tanto me entristecia estar assim o tempo só, passei a dar comigo, eu sei lá: fora de mim, sentindo os pés presos à terra». A Guerra Colonial foi vivida em Angola: «Tenho pouco mais de vinte e já muitos vi agarrados às tripas, a correr em direcção a nada, enquanto iam disparando contra o esqueleto em altura dos prédios» e é apenas mais outra doença, como a doença da página 104: «Agora, 3 de Novembro de 1989, ela era a criança desses dias, nas mãos da equipa médica que removia o tumor na dorida garganta que a branca víbora escolhera». Entre o chão de víboras da guerra e a víbora da doença. O ponto de chegada é a noção de viagem de regresso de Lisboa a Braga: «Sou aquele a quem hoje, entre Santa Apolónia e a Estação do Oriente ocorre que nada vale adiar o instante em que ficámos sós».(…) «Adiante, já sobre a ponte de ferro com que a noite enlouquece os maquinistas pelo Vale de Santarém, o embaraço do velho com a lanterna junto à linha – Que horas são?» Dentro do Alfa Pendular, surge a moral da história: «Bem sei que, afinal, todos temos duas vidas – a que se esquece e a que nos esquece». (Editora: Papéis de Fumar, Capa: Adolf von Menzel, Prefácio: Ernesto Rodrigues) --

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por José do Carmo Francisco às 14:17


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