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Transporte Sentimental



Terça-feira, 17.02.15

curiosidades sobre os mundiais de 1966 e 1986

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1966 - Nada acontece por acaso No futebol como em tudo na vida, há antecedentes e consequências. Em 1966 o campeão nacional foi o SCP e o vencedor da Taça de Portugal foi o Braga. Tal situação criou nos jogadores do SLB uma ausência de pressão, tendo os atletas «encarnados» surgido libertos e frescos no início da campanha de Inglaterra. O brilharete do 3º lugar português no Mundial de 1966 foi antecedido pela vitória do SCP na Taça das Taças de 1964 e pelas vitórias do SLB na Taça dos Campeões Europeus em 1962 e 1963. CCCP – Camaradas cuidado com Portugal! A sigla usada nas camisolas dos jogadores soviéticos em 1966 não era a que muita gente esperava ver – URSS – mas sim CCCP, sigla para muitos totalmente nova porque organizada a partir do alfabeto cirílico. Os rapazes que passavam o dia nos cafés e esplanadas de Lisboa e que se entretinham a inventar piadas logo descobriram essa do «camaradas cuidado com Portugal» para as camisolas dos soviéticos. Já antes tinham inventado a frase «Salazar envia militares para Angola» como decifração de SEMPA cujo verdadeiro nome era «Sociedade de empacotamento automático de açúcar». O reverso era «Angola pede matem esse sacana» porque se estava no tempo da frase «Para Angola, rapidamente e em força!». Os pacotes de açúcar eram uma novidade e vieram acabar com os açucareiros que as pessoas usavam nos cafés sem qualquer controle. Jogos 66 - A súbita mudança de Liverpool para Londres Ainda hoje passados 48 anos está por esclarecer a mudança súbita do «quartel-general» português de Manchester para Londres, de um hotel sossegado para o bulício da grande cidade que era também a casa da esquipa inglesa. Há quem diga que, tal como nos contratos de hoje, havia umas letrinhas pequeninas no regulamento da prova em 1966 a permitir à Comissão Organizadora da Taça Jules Rimet distribuir os jogos da fase final como muito bem entendesse. A má notícia chegou num «telex» ao hotel e obrigou os portugueses a fazer de novo as malas, andar 400 quilómetros de comboio mais o autocarro para o hotel em Londres. Seja como for os jogos estavam previstos para Liverpool (Portugal-Inglaterra) e para Londres (URSS-RFA) mas os organizadores lá organizaram tudo para que a Inglaterra ganhasse o campeonato. Como ganhou graças ao erro crasso de um árbitro que já antes tinha «arranjado» um golo ao SLB na final da Taça dos Campeões com o Barcelona em 1961. Um suíço, Dienst. Joaquim Campos – nem tudo forma rosas em Londres O árbitro internacional Joaquim Campos estreou-se em 1958 na Suécia num Alemanha-Irlanda do Norte. Tinha 34 anos e agradou. No ano seguinte apitou em Wembley o clássico Inlgaterra - Escócia. Em 1966 foi fiscal-de-linha no França-México, no Alemanha-Argentina e no URSS -Hungria. Arbitrou o Argentina-Suíça em Sheffield com vitória dos argentinos por 2-0. Anos depois Joaquim Campos soube da existência de um livro publicado por Tofik Bakhramov, seu fiscal de linha no Argentina-Suíça. No livro o árbitro acusa Joaquim Campos de beber whisky de um frasco que trazia no bolso. Fez diligências junto da FIFA mas ficou tudo em águas de bacalhau. Um aspecto negativo da campanha dos árbitros tem a ver com o facto de ao chegarem ao hotel depois das dez da noite já não havia jantar para os árbitros. Uma bolsa com sanduíches e fruta, dada mais tarde, não resolvia o problema. Outro aspecto – num passeio ao Tamisa os árbitros foram obrigados a andar a pé até ao cais de embarque, tanto na ida como na volta. José Pereira – desaparecido no nevoeiro de Barcelona José Pereira foi, depois de Carvalho do SCP no Portugal-Hungria, o guarda-redes titular da selecção portuguesa nos restantes jogos da campanha do Mundial 66 mas ninguém sabe dele. Fernando Capitão, correspondente do jornal «Record» na Catalunha andou anos à sua procura mas sem resultado. Dizem que casou com uma senhora de Barcelona e que, por isso, não está registado na embaixada portuguesa, dizem que se exilou e se isolou de tudo e de todos de Portugal. Será uma espécie de «Frei Luís de Sousa» moderno. A lesão de Pelé – afinal não foi «cassado» como escrevem alguns brasileiros No dia 12-7-1966 a equipa do Brasil defrontou e venceu por 2-0 a Bulgária mas Voutsov atingiu Pelé com uma entrada violenta. No dia 15-7-1966 contra a Hungria Tostão rendeu Pelé mas no dia 19-7-1966 contra Portugal o técnico Vicente Feola decidiu arriscar e colocou Pelé a jogar sem condições além de ter feito entrar na equipa um grande número de jogadores nunca antes utilizados: Manga, Fidelis, Brito, Orlando, Rildo, Silva e Paraná. Foi um risco demasiado elevado, o resultado só podia ser um desastre: Portugal, 3 – Brasil, 1 com 2-0 ao intervalo. 1986 – A maldição de Saltillo A campanha de 1986 começou com uma classificação algo inesperada – Portugal venceu a RFA em Estugarda no dia 16-10-1985 com um golo de Carlos Manuel. Quase em cima da hora da partida surgiu o nome de dois jogadores a entrarem na comitiva - Jaime Magalhães e Sobrinho. E também o árbitro Carlos Valente. Nas vésperas do embarque sai Veloso e entra Bandeirinha mas é a bronca de Saltillo que dá côr ao Mundial de 1986. A imagem das reivindicações dos jogadores correu mundo mais do que os resultados – vitória sobre a Inglaterra e derrotas com a Polónia e Marrocos. Hoje sabe-se que Jordão, Mário Jorge e Manuel Fernandes (só o melhor marcador do campeonato!) poderiam ter dado outro futebol em Saltillo. Mas nunca se saberá ao certo porque a História não anda para trás. --

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por José do Carmo Francisco às 17:31

Terça-feira, 17.02.15

marina tavares dias - dissertação para um bilhete-postal azul

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Vivo em Lisboa desde 8 de Setembro de 1966 mas só há pouco tempo eu passei a ser num lisboeta honorário de corpo inteiro. Para tal muito contribuíram os livros de Marina Tavares Dias da série «Lisboa Desaparecida» Nestes 49 anos vivi sempre em travessas, o que não deixa de ser uma curiosa coincidência: do Barbosa, do Caldeira e de São Pedro mas sempre travessas, nunca ruas. Sou autor de um livro de poemas editado pela Câmara Municipal de Lisboa e à venda na Livraria Municipal da Avenida da República. Tenho passado o meu tempo de jornalista e de escritor desde 1978 quando me estreei no «Diário Popular» a ser lisboeta à minha maneira. Tive um excelente guia nessa paixão – o jornalista e historiador Jacinto Baptista. O título do meu livro sobre Lisboa (Transporte Sentimental) é também o nome deste Blog e o caso continua pois o meu mais recente trabalho publicado pela Editora Apenas Livros é «Poemas de Lisboa e Borda d´Água» no qual grande parte dos textos poéticos viajam pela cidade de Lisboa, suas ruas entre encontros e desencontros, suas praças entre alegrias e amarguras, seus miradouros entre canções e lágrimas. Um dia o poeta Fernando Assis Pacheco escreveu que «se fosse Deus parava o sol sobre Lisboa». E é neste verso que eu penso quando olho de modo mais demorado para este bilhete-postal azul da Igreja da Conceição Velha de Lisboa. Passei lá muitas vezes nos meus tempos de fazer recados no BPA da Rua do Ouro entre 1966 e 1969. Havia por ali muitos agentes de navegação e despachantes alfandegários. O bilhete-postal azul que comprei ontem numa livraria da Rua das Portas de Santo Antão vai ser enviado a Marina Tavares Dias como prova de amizade. Assim, como no tempo antigo em que as fotografias eram raras, escassas e, por isso mesmo, valiosas. --

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por José do Carmo Francisco às 12:22


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