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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 06.02.15

«as caldas de bordalo» de isabel castanheira

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Este livro grande (e grande livro) de Isabel Castanheira vem cumprir em 2015 um voto de João Chagas em 1906: «não uma história como as que tenho lido e que têm aborrecido como relatórios mas uma história viva, pitoresca, animada, comovente como é a de todas as iniciativas em que foi o gosto de um homem que lutou e venceu.» Essa história está, agora, feita mas não só. Apesar deste seu título («As Caldas de Bordalo») as suas páginas não se limitam à geografia das Caldas da Rainha nem à obra de Rafael Bordalo Pinheiro. Nas suas 317 páginas a autora convoca o testemunho de figuras da política, das artes e das letras como Alberto Pimentel, Eça de Queirós, João Chagas, Ramalho Ortigão, Júlio César Machado, Fialho de Almeida, Bernardino Machado, Magalhães Lima e Raúl Brandão – entre muitas outas personagens do nosso século XIX. Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) define-se em 1885 deste modo: «Eu não pertenço ao grupo monárquico porque este me chama revolucionário; eu não pertenço ao partido republicano porque este me alcunha de vendido! Nestes termos, não podendo ser nem político nem jornalista, vou fazer-me simplesmente operário, o que, afinal de contas, talvez venha a ser mais alguma coisa…» Isabel Castanheira tem um ponto de partida que é passear pelas rua e praças, travessas e jardins das Caldas procurando e encontrando a presença de Rafael Bordalo Pinheiro para assim organizar uma homenagem a um artista e «a um homem que gozou a vida e os seus prazeres, amou, sofreu e chorou e que, a respeito de tudo, soube rir e fazer rir.» As suas 97 crónicas que foram publicadas em primeira mão nas páginas da «Gazeta das Caldas» entre 2005 e 2013 (mais uma inédita e outra publicada em Óbidos) beneficiaram da arte final de Miguel Macedo. É esse encontro feliz entre texto e imagem que torna este livro algo de muito especial como objecto. Rafael Bordalo Pinheiro teve um quotidiano prosaico em Lisboa: visitava a Livraria Bertrand, passeava pelo Chiado, comprava charutos na Havaneza, almoçava no Zé das Caldeiradas, ia ao Teatro, causticava todas as semanas Fontes Pereira de Melo no seu jornal satírico «António Maria» - os dois primeiros nomes do chefe do Governo. Mas é sobre este homem discreto que Bernardino Machado afirma: «Hoje em Portugal, quase que o único castigo dos dirigentes é o ridículo» Fialho de Almeida em «Os gatos» considera-o «um dos génios criadores mais profundamente originais do mundo contemporâneo». E Raúl Brandão escreve: «Não conheço caricaturista que se lhe compare. No lápis dos outros há por vezes escárnio, ironia. Desespero, filosofia, maldade: o lápis dos outros amolga, envenena, destrói, faz gritar ou faz cismar: é talhado na prensa vermelha do gorro do Diabo molhado em fel. No lápis de Rafael Bordalo mistura-se o riso com a emoção. Até mesmo quando ridiculariza, este artista de génio faz amigos. Rafael Bordalo é uma força – o Riso.» (Editora: Arranha-Céus, Direcção de arte e desenho gráfico: Miguel Macedo, Fotografia: Edgar Libório, Revisão: Raul Henriques, Colaboração: Carlos Querido, Apoios: Câmara Municipal Caldas da Rainha, Montepio Geral, Crédito Agrícola e ACCCRO) --

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por José do Carmo Francisco às 16:03

Sexta-feira, 06.02.15

o elevador da glória não é o elevador da bica

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Há quem lhe chame publicidade de prestígio porque está escrita em português, inglês, cirílico e mandarim ou cantonês. Enfim, estas coisas acontecem. Este conjunto tipo revista não tem ficha técnica nas suas vinte páginas de belas fotografias e textos muito fracos. Aparece a foto de uma angariadora imobiliária (Helena Figueiredo de seu nome) mas não a podemos considerar responsável pelo conjunto e pela sua arte final. Vejamos dois exemplos. No texto sobre o Parque das Nações aparece em duplicado a expressão «referência nacional». No texto sobre a Baixa de Lisboa surge a referência «edificada por Marquês de Pombal» quando se sabe que o Marquês apenas convocou arquitetos e superintendeu as obras, não tendo «edificado» o que quer que seja. Por outro lado escreve-se «pelo» Marquês e nunca se escreve «por» Marquês de Pombal. Há mais mas fiquemos por aqui. Adiante. Mas onde as coisas ficam mesmo muito feias é numa das páginas em que surge um texto sobre o Elevador da Glória quando a imagem é do Elevador da Bica. O texto é o seguinte: «Os elevadores são uma das principais atracções turísticas de Lisboa e foram criados no fim do século XIX com o intuito de ajudar a população local a superar os declives naturais da cidade. Inaugurado em 1885, o Elevador da Glória inicia o seu percurso na Praça dos Restauradores e termina no Miradouro de São Pedro de Alcântara, proporcionando uma vista panorâmica do centro da cidade». Parece que está certo e até está certo nas palavras mas a foto é de outro elevador, o da Bica. Num país onde cada vez se come mais sushi em vez de cozido à portuguesa e bebe gin em vez de vinho tinto já nada admira. Trocar o elevador da Glória pelo elevador da Bica é apenas mais uma bizarria. --

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por José do Carmo Francisco às 08:39


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