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Transporte Sentimental



Sábado, 16.11.13

«time out» fora de jogo no jogo da verdade

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Esta madrugada pelas 3 horas um grupo de maloios andou por aqui, pelo Bairro Alto, a cantar o «Adeste Fidelis». O grupo cantou, cantou e repetiu. Lembrei-me logo do chefe da esquadra da PSP que aqui vive e não pode dormir como nós não podemos. E também de uma boa chuvada que vinha mesmo a calhar para limpar a urina, os copos de plástico, as fezes, as limas, enfim o lixo humano aqui instalado pela ganância de uns e pela omissão de outros. Disto não fala a «Time Out» nem do facto de a Polícia Municipal ter um quadro orgânico de 800 elementos para apenas 300 efectivos no momento. E cada vez pior com os reformados que não são substituídos. A «Time Out» também nada diz sobre a associação de moradores de Santa Catarina que tem Tété (a mulher palhaço) como testa de ferro mas convinha saber quem empurra esta associação para o choque com a já estabelecida há anos AMBA (Associação de Moradores do Bairro Alto) isto numa altura em que as 4 freguesias se juntam à volta do nome Misericórdia. A «Time Out» também nada diz sobre os hotéis que se anunciam em detrimento das livrarias e dos alfarrabistas que os vereadores enlouquecidos teimam em ajudar a destruir. Talvez para a «Time Out» o jornalismo seja uma simples troca de favores como um dia Joaquim Manso disse a José Cardoso Pires à porta do Diário de Lisboa na Rua Luz Soriano. Talvez isto já tenha começado no texto em que os comerciantes passam por cima dos mortos e dos vivos e tudo tenha a ver com o primeiro andar no Mercado da Ribeira que eu ouvi dizer que a «Time Out» vai receber da CML. Por fim um conselho à jornalista Inês Matos Andrade: quando quiser saber onde fica o Bairro Alto não procure em mapas marados mas leia os livros de Norberto de Araújo. Leia «Peregrinações em Lisboa». Sem isso nada feito. Fica fora de jogo. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 09:27

Quinta-feira, 14.11.13

«time out» não respeita os mortos e ignora os vivos

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O título promete («Não te deixaremos morrer, Bairro Alto») mas o plural é suspeito: não explica de onde vem a «Time Out» nem a sua escolha. «Bairro Alto» é muito vago mas no texto logo se percebe: para a revista «Bairro Alto» é apenas o conjunto de bares, lojas, discotecas e restaurantes. O que parece uma reportagem de 11 páginas é um «press release» de alguns comerciantes. Não de todos. O texto vai ao ponto de lamentar o facto de um espaço comercial ser «obrigado a fechar à meia-noite» (coitados…) e refere um conjunto de publicitários que «assumem o protesto contra o horário» que consideram «reduzido». Coitados deles; e de nós. Os moradores não contam para a «Time Out» mas os mortos já são dois: uma na rua da Atalaia e outra na rua da Barroca. Os residentes («Aqui mora gente!») estão como certos animais – em vias de extinção. Eles (nós, afinal, eu vivo cá desde 1976) não podem contar com a Junta de Freguesia, com a CML, com a EMEL, com a ASAE ou com a Polícia Municipal Diz um morador que isto só se resolve quando os que estão a encher o bolso com o nosso sofrimento começarem a querer alugar as casas a pessoas que não as querem por causa do barulho. Os vereadores acreditam que o Turismo tudo resolve e Sá Fernandes já autorizou rapazes a vender pão com chouriço. O sonho deles é que o BA se transforme num misto de favela brasileira e bairro pobre tailandês. Já existem os Tuk Tuk e só faltam as meninas de 12 anos à porta dos bares. Já não falta tudo. Há 60 anos o BA era explorado pelos chulos e pelas patroas mas dentro das casas; hoje é um arraial a céu aberto e ganham os empresários gananciosos. Só mudou o cenário, a ideia do lucro a qualquer preço continua a ser a mesma. «Talvez os comerciantes se zanguem» diz revista. Ora, ora. Depois deste «frete»… José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 10:22

Terça-feira, 12.11.13

josé mário silva - entre o pó e a posteridade

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A propósito de uma nota de leitura, este recente jogo de parada e resposta tendo José Mário Silva como protagonista, veio recordar-me os meus primeiros tempos como jornalista cultural em 1978 no Diário Popular. Jacinto Baptista explicou-me: «Nós só fazemos notícias sobre livros. Quem vai distinguir o pó da posteridade é o Tempo, mais ninguém. Na época de Cesário Verde quem era famoso chamava-se Cláudio Nunes, na época de Eça de Queirós os favores dos jornais e do público iam para Pinheiro Chagas e Augusto Gil foi mais conhecido que Camilo Pessanha. Não somos nós no jornal quem decide e quem escolhe os que ficam e os que passam, é o Tempo. A História explica tudo isso e muito mais.» No caso concreto de José Mário Silva (que é um jovem de sangue na guelra) tudo isto funcionou a preceito. Houve um maloio que o atacou e ele saiu em sua defesa. Se tiver paciência para tal verá que no primeiro «post» deste meu Blog também apareceu um comentário a tentar amesquinhar o meu livro «Transporte Sentimental» mas eu não lhe respondi. O maloio tem que engolir o seu próprio veneno. Deixar sem resposta uma farpa mal cheirosa é a melhor decisão mas não é fácil porque o primeiro impulso é responder - «varrer a testada» como se diz em bom português. Também se diz em bom português «a vida é como a morte de S. Bernardo; uns a rir outros a chorar». Tem a ver com o mosteiro de Alcobaça onde no quadro famoso metade dos frades choram e a outra metade toca tambores e flautas com o S. Bernardo em agonia. É uma lição de vida: não devemos tomar muito a sério o que os outros dizem porque de tudo é possível tirar conclusões opostas. O maloio pode dizer o que quiser, a vida continua. Custa um bocado não responder mas é o melhor. O desprezo é também uma forma eficiente e discreta de agressão. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 09:34

Domingo, 10.11.13

bairro alto onde a voz dos mortos não chega a lado nenhum

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Acaba de ser publicado um livro («Em Lisboa, sobre o Mar») com poemas na paisagem da cidade, em edição da Fabula Urbis, uma livraria e editora só com livros sobre Lisboa na Rua Augusto Rosa, 27, ali nas traseiras da Sé. O Bairro Alto está presente no livro numa perspectiva curiosa. O poeta António Carlos Cortez no poema da página 19 escreve «Eu conheço estas ruas estes becos» mas na verdade «o Bairro alto não tem becos, apenas travessas e ruas» como refere o grande jornalista Norberto de Araújo no seu livro «Peregrinações em Lisboa» no seu volume VI. Trata-se de uma inscrição poética comum a Tiago Gomes que na página 69 refere «E aqui saíamos, cruzando o Largo da Misericórdia». O Largo tem o nome de Trindade Coelho e o que o poeta fez foi recuperar na escrita uma realidade repugnante aos olhos dos lisboetas: a CML vendeu o Largo Trindade Coelho à Misericórdia tal como vendeu à mesma Misericórdia o logradouro público da Rua D. Pedro V que foi fechado aos transeuntes e tal como vendeu agora a Rua Nova do Carvalho a uma marca de bebidas. Perante estes escândalos não se conhecem reacções da Junta de Freguesia local (ao tempo Encarnação; agora Misericórdia) da qual Junta os moradores já nada esperam tal como nada esperam da PSP com esquadra no coração do Bairro Alto (começaram os assaltos na minha rua) nem da empresa municipal EMEL (continua a caça à multa) ou da Polícia Municipal (aparece apenas para acompanhar a mudança da Hemeroteca Municipal). A ASAE não conta porque existe apenas no papel e tinha aqui muito trabalho se cá aparecesse. Aos dois mortos do Bairro Alto (um homem e uma mulher) o primeiro vítima do ruído descontrolado e a segunda vítima dos vereadores enlouquecidos da CML, aos morto, a esses ninguém os ouve. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 13:42

Sábado, 09.11.13

cristiano ronaldo e a pitorra francesa chauvinista e desdenhosa

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Quando uma ministra francesa pequenina (uma carrapeta, uma pacalaia, uma rolha do tanque) chamou Cristianô Ronaldô ao brasileiro Ronaldo numa cerimónia pública e, em vez de pedir desculpa pelo erro, desatou a sorrir, o regresso do chauvinismo francês meu velho conhecido estava de novo no seu esplendor. Os franceses ainda pensam que Paris é o centro da França e que a França é o centro do Mundo. Há 47 anos um cliente nosso no balcão do BPA na Rua do Ouro 110 queixou-se de uma ordem de pagamento de um Banco de Paris (a Societé Generale) a seu favor mas onde um funcionário ignorante escreveu «Líbia» em vez de «Lisboa». Por essa razão a carta nunca chegou a Portugal e o pagamento só foi feito pela boa vontade dum chefe de secção no Departamento de Estrangeiro. Há 33 anos estive em França onde vi os telejornais abrirem sempre com os pescadores em greve no porto de Cherbourg na Normandia em vez de mostrarem as greves de Gdzansk onde o Sindicato Solidariedade do senhor Walesa punha o país em polvorosa. Mas em França os telejornais não davam relevo aos factos e aos movimentos dos estaleiros navais polacos. Depois do suíço que fala francês e disse uns disparates sobre o Cristiano Ronaldo, vem agora esta senhora ajudar à festa chauvinista à qual a única resposta tem sido a série de golos que o rapaz tem marcado. Chamar Cristianô Ronaldô ao brasileiro Ronaldo é repetir esse desprezo por tudo o que não seja francês. A pronúncia errada do nome da pessoa é, já em si, um gesto chauvinista, o ponto alto do desdém. Confundir um brasileiro com um português é, para a pitorra francesa, igual ao litro. Para ela, desde que não seja francês, a pessoa não interessa. Não é francês, não conta. Ou seja e dito de outra maneira para concluir tudo isto – para quem é bacalhau basta. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:17

Sexta-feira, 08.11.13

«em lisboa, sobre o mar» antologia de ana isabel queiroz, luis maia varela e maria luísa costa

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Com o subtítulo de «Poesia 2001-2010» e o ponto de partida de um verso de Fernando Assis Pacheco («se fosse Deus parava o sol sobre Lisboa») este conjunto de poemas de 26 autores portugueses organiza-se em forma de cartografia da cidade de Lisboa. Pode partir-se das Portas do Sol (Manuel Alegre), seguir-se pelo Miradouro de S. Luzia (Ana Luísa Amaral) e pela Sé (Ana Hatherly), continuar-se pela Praça do Comércio (Vasco Graça Moura) e pela beira do Tejo (Tiago Patrício) ou pelo Rossio (Vítor Nogueira) a caminho de S. Pedro de Alcântara (Pedro Mexia). A origem da presente antologia, com o título emprestado de um poema de João Zorro, está na Comunidade de Leitores de Paisagens Literárias de Lisboa que desde 2010 funciona na Livraria Fábula Urbis (Rua Augusto Rosa nº 27 - à Sé) em parceria com a Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas). Sendo impossível resumir em breves linhas o conteúdo de um volume de 90 páginas, fixemos três percursos possíveis. A rua no poema de José Mário Silva: «Os corpos encostados à parede / talvez recordem paisagens brancas / um inverno ucraniano com árvores perdidas na neve». O miradouro no poema de Pedro Mexia: «Sobes a um miradouro para ver tudo isto: / talvez a cidade não seja assim tão branca / mas também ocre e rosa e amarelo torrado / e gostes mais das ruas ao vê-las de cima / no seu desenho, e penses que o rio é mais / azul quando surge ao fundo de uma rua». E a pastelaria no poema de António Ferra: «na baixa pombalina há gente como eu / poetas ou amantes no nascer do dia ou do céu / por necessidade, por obrigação / e nas avenidas novas / operários de café e de fonemas / vendem incertezas / e também servem trovas / no meio das empadas, de rissóis e de bolos / tudo pequenos nadas a encobrir poemas. / É isso que trazem e levam para as mesas. / Fazem-se tolos.» (Editora: Fabula Urbis, Capa: Rita Vaz, Coordenação editorial: Carmo Gregório) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 09:46

Quinta-feira, 07.11.13

joaquim do nascimento - dum lado a fraternidade, do outro as paixões, a ignorância e a superstição

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Depois de dois livros de memórias sobre a sua terra natal (Pereiros) e do relatório anotado do pároco local em 1758, a seguir a uma viagem à Guerra Colonial e outra à Gastronomia em livros recentes, Joaquim do Nascimento assina este trabalho recente com o subtítulo de «Iniciação, Percurso e Prática dos Maçons Portugueses». Poderia tomar o título de «O tesouro do avô» pois o ponto de partida da narrativa é a descoberta numa casa em Riolindo do espólio do avô comum do narrador (Bonifácio) e da sua prima Benedita : «Ao avental, às luvas, à credencial, às rosas secas, tudo o que estava no baú de lata juntei o alfinete que continuei a usar cada vez com mais orgulho.» É a descoberta do espólio do avô que dá origem ao pequeno Museu local onde perdura a memória desse velho Republicano, Maçon e Carbonário e onde os livres-pensadores «gostam tanto do rico como do pobre, desde que sejam virtuosos, do sábio como do ignorante, desde que sejam competentes, do homem como da mulher, desde que sejam livres e de bons costumes». O percurso pessoal do protagonista dos primeiros capítulos em linha com o percurso social do espólio do seu avô descoberto na aldeia natal, funciona como uma norma estabelecida desta ficção narrativa: dois caminhos, dois universos, duas ideias. Dum lado a Fraternidade; do outro as paixões, a ignorância e a superstição. Na recusa do segundo ponto e na aceitação do primeiro, surge uma escolha e um destino para o protagonista cuja ideia central é «obedecer às leis do País, viver de acordo com a honra, praticar a justiça, amar o seu semelhantes, trabalhar sem descanso para o bem-estar da Humanidade e prosseguir a sua emancipação progressiva e pacífica». O texto do protagonista não se limita ao relatório, ao registo, à anotação minuciosa. A emoção surge no seu testamento, feito perante os Obreiros: «À minha filha, a Luz dos meus olhos, deixo os meus bens materiais, os meus escritos e a memória da minha passagem por este Mundo. À minha mulher, com quem partilhei 45 anos de vida, deixo o sorriso, a ternura, a rectidão e o denodo da nossa filha mais nova e deixo, igualmente, a memória da nossa filha que nos tiraram e que nunca deixou de ser o essencial da nossa saudade». (Editora: Cosmos, Prefácio: António Pedro Pires, Nota de contracapa: Jorge Barra, Foto da Capa: Ana Paula Nascimento) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 10:59

Quarta-feira, 06.11.13

ruslam botiev no 26 da rua são joão da praça

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Ruslam Botiev é um pintor estrangeiro que transporta no seu olhar o peso do Mundo. Veio da Mongólia, passou por Espanha, viveu em Trás-os-Montes e assentou arraiais em Lisboa. Viveu tempos difíceis expondo os seus quadros nos baixos do Elevador de S. Justa, passou pela entrada da Basílica dos Mártires, apanhou muita chuva nos Domingos de manhã e foi obrigado a comer o pão que o diabo amassou. Depois esteve no Largo do Carmo e na Livraria Sá da Costa mas, com o fecho da casa centenária, mudou-se do Chiado para Alfama. Entretanto ilustrou livros e fez exposições em diversas galerias e na Universidade Clássica; tem fiéis admiradores do seu trabalho como pintor e como escultor. Seja pelos quadros da série «Mosteiros e Monges de Portugal» seja por um motivo particular, a verdade é que o seu primeiro quadro em Alfama foi esta igreja de S. João da Praça que se vê da porta do seu atelier no nº 26 desta rua lisboeta. Homem do Mundo, cosmopolita e sereno, há no olhar de Ruslam Botiev uma forte ternura pelas pedras e pelo seu tempo, pelo calendário de silêncio e pela sua história perdida entre factos e lendas. Aqui, no olhar do pintor da Mongólia, cabe toda a liturgia das lágrimas, toda a densidade da esperança, toda a força desconhecida das orações. «Lisboa Antiga – Alfama – 2013» são palavras de Ruslam Botiev mas a cidade não cabe numa legenda mesmo que ela seja límpida, incisiva e eficaz. A cidade é um rumor, um grito abafado pelo trânsito em forma de caos, as ruas são canais de alegria tónica e juvenil, a idade das pedras e das casas não se envolve no calendário cinzento das paredes. A vida nasce todos os dias, todas as manhãs, nos raios de sol que dão calor à esperança dos sonhos ainda por sonhar. Como um poema. Ou como uma oração a ligar de novo tudo o que a morte separou. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 08:54

Terça-feira, 05.11.13

costa pereira - «o clube estava em crise, estava na altura, estava sempre»

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A primeira memória que tenho de Costa Pereira é num jogo particular em Valdo de Frades. No aquecimento antes do desafio, o mítico guarda-redes moçambicano defendia as bolas com os cotovelos: os cachopos abriam os olhos de espanto, os velhotes atiravam os barretes pretos ao ar em sinal de júbilo. Isto foi há 50 anos. Algum tempo depois em Vila Franca de Xira estudava eu na Escola Comercial e Industrial («os filhos dos motoristas não vão para o Liceu«) vi o Costa Pereira sentado no café do pai do Zé António, em frente ao Colégio Sousa Martins («fujam, vem ai o Carreira!») no Bairro do Bom Retiro onde esperava a sua sobrinha Elisabete França que vivia em Alverca do Ribatejo. Mandou vir uma cerveja e um ovo, colocou a gema e a clara dentro da cerveja e bebeu o conteúdo dizendo para o dono do café que era uma boa carga calórica. Para quem via as grávidas beberem cerveja preta, tudo isto era uma forte novidade. Em 1988, já retirado das lides de jogador e de treinador, Costa Pereira falou a Fernando Assis Pacheco para «O Jornal» e disse uma coisa muito curiosa. Cito a frase total depois do introito do mítico guarda-redes («eu acredito muito nos homens; o que de pior me podem fazer é a ingratidão»): «ao fim de catorze anos no Benfica, quando ia renovar por mais dois anos e, naturalmente pedia melhores condições, mais dinheiro, é evidente, diziam-me que o clube estava em crise. Estava na altura, estava sempre. E foram-me prometendo mundos e fundos, achavam que eu era um sujeito excepcional, culto acima da média, delicado, honesto, disciplinado e ainda hoje estou à espera. Quando fiz a minha festa de despedida recebi menos de 25 contos». Tantos anos depois destas palavras, é espantoso como esta frase de Costa Pereira soa familiar - «o clube estava em crise, estava na altura, estava sempre…» José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 09:04

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