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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 21.11.13

o arnaldo vinha todas as manhãs do bairro da mata

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A minha relação com a informática sempre foi complicada. E perdedora para o meu lado. Desde cedo percebi que, embora trabalhando num departamento operacional (Estrangeiro), as promoções melhores iam para os informáticos – entre 1976 e 1996 só fui promovido quatro vezes quando poderia ter sido promovido seis ou sete. E havia ainda os que vieram de Moçambique e passavam à nossa frente por ordem superior – era preciso tirá-los do Rossio. Tudo isto a propósito de uma fotografia tirada em Vila Franca de Xira no ano de 1966 mas que não tenho a certeza de poder colocar «on line». Já fui ao ficheiro, procurei mas não a encontrei de maneira a não ter dúvidas. Só sei a data em que a gravei no ficheiro respectivo – Agosto de 2012. Coisas da Informática que nessa altura era apenas «o IBM» como se dizia no meu local de trabalho no BPA da Rua do Ouro. Pois o Arnaldo da Silva Ribeiro apareceu no Facebook e saudou-me, encantado com as novas tecnologias. Depois de um breve encontro em 2007 num restaurante de Vila Franca nunca mais tive oportunidade para o encontrar. Esta fotografia, se tudo correr como espero, pode ajudar a marcar pontos nesse encontro. Isto porque os encontros também são sentimentais e não apenas físicos. Olhar aquela fotografia e ver a Marieta, cheia de força e de vida, ver o Paplicas, a beleza das meninas e o nosso olhar já a pressentir uma guerra colonial de quem só se safava quem fosse para o Parque de Alverca. Há por ali um frémito de medo, pelo menos no meu olhar. É uma fotografia a preto e branco. Hoje sei que a vida é a preto e branco, não a cores como muitos pensam de modo errado. A vida é feita de luto, de lágrimas e de sangue pisado; quando não é, então foi porque alguém se enganou a si ou enganou os outros. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 15:27

Quinta-feira, 21.11.13

time out - varrer o lixo para debaixo do tapete não é solução

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Esperei com paciência mas sem esperança que a revista Time Out publicasse a carta da AMBA ou algo que pedisse desculpa aos moradores pela repugnante abordagem do Bairro Alto no número anterior. De facto em vez do nome dos dois mortos na noite do Bairro Alto eles escreveram os nomes de dois comerciantes mostrando assim a sua posição na barricada. Em vez de ouvirem os moradores do Bairro Alto que se queixam do lixo, do ruído, dos assaltos e da «toilete» a céu aberto eles lamentam que o «wine bar» feche à meia-noite, coitados deles. Em vez de ouvirem a Polícia Municipal eles ouvem apenas os comerciantes e tomam partido escrevendo do seu lado e a seu lado. Em vez de ouvirem a EMEL e a ASAE, eles preferem louvar a festa, aquilo a que chamam festa e não passa de uma exploração infame do tempo de descanso de quem teima em viver no Bairro Alto. Em vez de ouvirem a PSP cujo chefe de esquadra local não consegue dormir no quarto que lhe foi destinado, eles embarcam na descrição laudatória do consumo de álcool na rua e nos bares a céu aberto. Em vez de explicarem a falta de «WC» porque muitos bares são do tamanho de «WC», eles escrevem como se tudo estivesse muito bem e tudo isto fosse natural. Viver no Bairro Alto hoje em dia é como caminhar sobre uma botija de gás mas a «Time Out» fica ao lado do problema e não quer saber do sofrimento dos moradores, não quer perceber e tem a cabeça na areia. Varrer o lixo para debaixo do tapete não é solução nem nunca foi. O lixo aparece sempre. Ao publicar duas cartas de aplauso ao trabalho em que dois ingénuos dão os parabéns e pedem mais do mesmo, a revista mostra de que lado da barricada se colocou – com todas as consequências que isso implica. Na «Time Out» o horror não tem limites, a demagogia é repugnante. Safa! José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:27


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