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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 28.06.13

outras leituras de 2008 - daniel defoe

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«Diário da peste de Londres» de Daniel Defoe

Em 1665 terão morrido de peste mais de cem mil pessoas em Londres. Este
livro reproduz o que Henry Foe, tio de Daniel Defoe, terá escrito durante
esse tempo terrível. Regista-se o aparecimento de bruxos: «Todo este
comércio se generalizou a tal ponto que era proverbial encontrarem-se
dependuradas das portas tabuletas e letreiros assim concebidos: «Aqui mora
um adivinho», «Aqui habita um astrólogo», «Aqui fazem-se horóscopos» e
outras coisas do género.» O autor refere o que passou na sua casa: «Só
tinha em casa uma velha governanta, uma criada, dois aprendizes e eu; e
quando a peste principiou a crescer em volta de nós, sombrios eram os
pensamentos que eu ruminava sobre a atitude que devia tomar e a maneira
como agir». O medo dos habitantes de Londres levava-os ao desespero: «Havia
mães que no delírio matavam os filhos e pessoas que morriam de dor ou muito
simplesmente de medo ou de pânico sem qualquer infecção; e outras a quem o
medo imbecilizava ou tornava insensíveis, quando as não lançava no
desespero ou na demência ou ainda numa loucura atrabiliária». Um outro
aspecto tem a ver com as actividades comerciais: «nenhum navio entrava ou
saía do porto como antigamente e os marítimos, sem emprego, haviam caído na
mais negra miséria. Com eles contavam-se os carpinteiros navais, calafates,
cordoeiros, tanoeiros, veleiros, serralheiros de âncoras, poleeiros,
escultores de madeira, armeiros e abastecedores de bordo.»
(Edição: Bonecos Rebeldes, Tradução: João Gaspar Simões, Capa: Fernando
Martins, Revisão: António Bárcia)
José do Carmo Francisco
--

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por José do Carmo Francisco às 19:14

Sexta-feira, 28.06.13

outras leituras de 2008 - júlio césar machado

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«Lisboa na rua» de Júlio César Machado

Além do clássico «Lisboa na rua» este volume inclui um divertido apêndice
intitulado «O que havia de poetas por aquela época, é coisa incalculável» que
conclui deste modo: «O destempero, a pieguice, a lamúria, produziram um efeito
tão agradável que a chochice rimada tomou o lugar ao juízo, à arte e à moral.»
«Lisboa na rua» é, como o título indica, uma radiografia feita de modo certeiro
pelo nosso querido Machado: «Os rapazes finos de hoje passam dias sem ver o pai
nem a mãe; ao princípio habituam as irmãs a ajudá-los a mentir, mais tarde nem
isso. Os irmãos emprestam-se mutuamente dinheiro a juros; os pais especulam com
as filhas em casamentos de perfeita lotaria social; as filhas habituam-se a
enganá-los, vendo que eles as enganam e assim chegam mais facilmente a enganar
os maridos. Tem tomado tudo uns jeitos de patuscada e de aventura. Não se vê
por todos os lados senão um luxo frágil, egoísta, viajeiro.» A literatura do
tempo (1874) também não escapa: «É raro por aí o rapazito literato que não seja
condecorado com a Ordem de S. Tiago – e Camilo Castelo Branco não tem a
Ordem de S. Tiago. Não são menos lidos os seus livros nem o seu nome é menos
considerado. Talvez ele faça falta a S. Tiago mas S. Tiago de certeza não lhe
faz falta a ele.» Nascido no Oeste, o autor escreve sobre Lisboa e a Província:
«O rapaz de Lisboa saiu do colégio e não pensa senão em ter cavalos, beber
muito, fazer desordens e ser ilustre no Chiado; o da Província ao ficar senhor
de bens, trata logo de ver quais são os deveres que a sua riqueza lhe impõe. É
acanhado mas por baixo do acanhamento há força, essa força é a superioridade da
Província sobre Lisboa.»
(Editora: Frenesi, Ilustrações: Manuel Macedo, Assistência editorial: Telma
Rodrigues)
José do Carmo Francisco
--

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por José do Carmo Francisco às 19:12


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