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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 14.06.13

outras leituras de 2008 - de 1896 a 1951 um olhar diferente

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«Portugal no Mercure de France» de Philéas Lebesgue

Com tradução e coordenação de Madalena Carretero Cruz e Liberto Cruz, este
volume de 707 páginas regista as intervenções do grande lusófilo Philéas
Lebesgue que, entre 1896 e 1951, escreveu na revista Mercure de France sobre
livros e autores portugueses. A revista incluía rubricas tão diversas como
História, Arqueologia, Literatura, Museus, Questões Coloniais, Militares e
Marítimas, Medicina, Teatro e Viagens. Philéas Lebesgue, que colaborou com mais
de 1.600 artigos em 232 revistas europeias, tinha um conhecimento profundo da
nossa literatura e podia garantir: «Uma literatura que possui mestres do estilo
e do pensamento como Raul Brandão e Teixeira Gomes, romancistas jovens e
vigorosos do valor de Aquilino Ribeiro, ensaístas e filósofos como António
Sérgio e Raul Proença, historiadores como Jaime Cortesão, pode marchar de par
com não importa qualquer outra no mundo.» Conhecia também o Povo e podia
afirmar que «Se Portugal pôde ficar um povo culto, mau grado o número
considerável de iletrados, deve-o ao seu admirável folclore lírico sobre o qual
os novos poetas quiseram enxertar a sua inspiração.» No regicídio de Fevereiro
de 1908 escreveu: «Portugal é tão pequeno, tão à parte, que não nos convencemos
das repercussões europeias accionadas pelas suas próprias convulsões.» Fiquemos
por fim com a sua ideia de saudade: «A saudade portuguesa é ao mesmo tempo
desejo e recordação, aspiração e queixume. Está tão voltada para o passado como
para o futuro.»
(Edição: Roma Editora, prefácio: Jean-Michel Massa, Capa: Albuquerque & Bate)
José do Carmo Francisco
--

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por José do Carmo Francisco às 22:41

Sexta-feira, 14.06.13

outras leituras de 2008 - um dicionário de «a» a «z»

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«O Erotismo» de Luís N. Viana

Organizado como um verdadeiro dicionário de «A» a «Z» (ou seja de «Abstinência»
a «Zoofilia») este volume tem como título completo «O Erotismo como
representação na arte e significado na medicina» e é ilustrado com um conjunto
de gravuras antigas de artistas diversos desde o século XVI ao século XX.
Vejamos a título der exemplo a entrada para «Sedução» – Sedução é a arte
de aparecer a outrem de modo atraente. Um sedutor como Casanova não se limitava
só a discursos sedutores, lisonjas e galanterias: tratava-se também de manter
promessas. No entanto, de todas as mulheres que amou e tão depressa as
abandonou, quase nenhuma ficou zangada com ele e a maior parte delas pensou
antes nas horas de amor com ele passadas. A mulher seduz o homem por outros
processos, mais por uma aparência coquette do que por qualquer acção, por uma
exposição semioculta dos seus estímulos ou conduzindo a uma situação que faça
esquecer a reflexão e as inibições. A sua sedução também se aplica mais a uma
aventura erótica do que a uma relação amorosa.»
(Editora: Padrões Culturais, Capa: Mário Andrade sobre gravura de Boucher)
José do Carmo Franc
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por José do Carmo Francisco às 22:37

Sexta-feira, 14.06.13

outras leituras de 2008 - iren flunser pimentel

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«A história da PIDE» de Irene Flunser Pimentel

Este trabalho é dedicado a Maria Ângela Vidal e Campos e Maria Fernanda de
Paiva Tomás, as duas mulheres que, durante mais tempo permaneceram presas
pela polícia política. A PIDE foi criada em 1945 no seguimento da
actividade da PVDE (fundada em 1933) e deu origem em 1969 à DGS –
três nomes para uma mesma sinistra tarefa: destruir a oposição organizada
contra o Estado Novo. Este trabalho de 575 páginas desvenda o que foi a
PIDE, a sua estrutura e os seus métodos: vigilância, captura,
interrogatório, investigação e instrução de processos. Vejamos em breve
nota o que no livro consta sobre o Padre Felicidade Alves: «Em 1965 a PIDE
informou Salazar de que, na sua homilia proferida na Igreja dos Jerónimos,
em 17 de Janeiro, o reverendo José Felicidade Alves defendera a teoria
evolucionista, terminando com uma crítica às relações entre o Estado e a
Igreja em Portugal. Disse ainda a PIDE que tinha sido feita a gravação
integral desta homilia, prometendo que continuaria a gravar as missas desse
sacerdote. Diferentemente do caso do bispo do Porto, em que Salazar se
envolveu directamente mas em que o papel ambíguo de Cerejeira foi sobretudo
de silêncio, o caso do padre Felicidade Alves teve a intervenção deste
último, que acabou por emitir sobre ele o decreto de remoção e de suspensão
a divinis das funções sacerdotais. No entanto o padre Felicidade Alves
contou mais tarde que apenas começou a ser alvo da repressão da PIDE/DGS
durante o governo de Marcelo Caetano.»
(Editora: Círculo de Leitores/Temas e Debates, Capa: Rochinha Diogo)
José do Carmo Francisco
--

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por José do Carmo Francisco às 22:24


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