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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 01.02.13

quem é que eles julgam que estão a enganar?

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Os lobos de Torres Vedras e os cordeiros das Caldas
Acabo de ler na «Gazeta das Caldas» de hoje (1-2-2013) uma carta aberta ao
deputado Manuel Isaac assinada por António Gaspar mesmo ao lado de um texto meu
(nota de leitura) sobre um livro biográfico do escritor Ruben A. Tudo tem a
ver: o que Ruben A. escreveu sobre Portugal dos anos 50 está a vir ao de cima
neste maldito ano de 2013. Subordinar a Torres Vedras a direcção clínica, a
farmácia, o bloco operatório, ortopedia, pediatria e a cirurgia do Hospital das
Caldas, despedir quatro administradores e mandar o quinto para Alcobaça, mostra
uma evidente colonização do nosso Hospital e dos interesses dos seus doentes
pelos lobos de Torres Vedras que andam pelos corredores do Poder, falam alto e
sentam-se nas suas cadeiras. Querem fazer de nós palermas, mais uma vez, só
falta dizer como nos anos 60 quando o Caldas, na segunda divisão, perdia -
«este está arrumado como o Caldas». Veja-se o caso de um doente de Urologia. Em
vez da consulta no seu Hospital, recebe uma carta a convocá-lo para ir a um
Hospital de Lisboa. Quando os filhos do doente pedem ajuda para o transporte
(por «mail» e carta registada c/aviso de recepção) a resposta dos
«responsáveis» do Hospital das Caldas é zero. Negaram-se a responder sequer com
a desculpa de que a doutora estava em reunião. O assunto arrasta-se desde
princípios de Dezembro segundo me contaram. Resultado: lá teve a família de se
organizar para garantir transporte, cama e mesa ao doente do Hospital das
Caldas obrigado a ir a Lisboa a uma consulta. Quando os deputados do PSD e do
CDS-PP falam em «valorização do hospital da região» não estão a falar do nosso
Hospital e da nossa cidade. Fica uma pergunta: quem é que eles julgam que estão
a enganar com esta conversa da «valorização» ao arrepio do que os lobos vão
fazendo em Lisboa no conselho de ministros?
José do Carmo Francisco
--

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por José do Carmo Francisco às 18:23

Sexta-feira, 01.02.13

charneca, lezíria e bairro em 3 contos de carlos pato

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Vivi em Vila Franca de Xira de 1961 a 1966 e fui colega de turma do Álvaro Pato
mas só há muito pouco tempo soube da existência do livro de contos do seu tio
Carlos Pato que a PIDE matou com 29 anos de idade em 26 de Junho de 1950.
O livro «Alguns contos» foi editado por Alves Redol em 1951 e contém apenas
três contos. O primeiro («Ao receber a jorna») tem como heroína Maria
Alexandrina, trabalhadora rural que leva duas filhas para o campo porque não há
creches nem infantários. Depois da semana de trabalho chega o dia de receber a
jorna: «Uma cantou para que o tempo passasse; as outras ouviram caladas».
O segundo conto («Valados») mostra que o campo não é só paisagem («Tejo bom
quando dá pão, mau quando o leva e não o dá») mas também lugar de luta. A falta
de assistência médica é o drama em gente desta história.
O terceiro conto («Graxas») fala de um grupo de miúdos que brinca no Tejo.
Nesse grupo de engraxadores nem todos sonham com o campo. Divididos entre
trabalho e desporto, entre a Estação da CP e a aberta do Tejo onde nadam, eles
são um elo na corrida de estafetas por um mundo melhor. Também perguntam entre
si «Quando virá o dia que a gente muda de vida?» para logo um deles responder:
«Não vem longe, Chico!».
Carlos Pato poderia ter sido um grande escritor. Há na tessitura dos seus
contos a ampla respiração de um talento criador e um domínio perfeito da nossa
língua. Mas a PIDE não deixou. Tal como não o deixou conhecer os filhos: a
Clara tinha 8 meses quando o pai foi preso, o João Carlos nasceu em 2-12-1949
ou seja 5 meses depois da prisão do pai.
José do Carmo Francisco
--

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por José do Carmo Francisco às 14:22


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