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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 10.01.13

outras leituras de 2008

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«Contos de Médicos Portugueses»

São 25 contos de 25 autores: António Mendes Moreira, A. Bacelar Antunes,
António Marques Leal, António Lourenço Faria, António Maurício Pecegueiro,
Armando Oliveira Moreno, Carlos Cidrais, Carlos Manuel da Silva Arruda, Cláudio
do Souto Plácido, João-Maria Nabais, Jorge Marinho, Jorge Tavares, José Dias
Egipto, José Ferraz Alçada, José Pepo, Luís Carlos Bronze S. Carvalho, Luís
Esperança Ferreira Lourenço, Maria Eduarda C.D.S., Maria João E.A.P.
Vasconcelos, Maria Manuela de Mendonça, Mário J.F. Agualuza, O.F., Patrícia
Matthioli Luís, Rui Afonso Cernadas e Salvador António S. e Q. Pereira Coelho.
Sendo impossível abordar todos os contos, fazemos referência a um - «A
estrelinha no céu» de Luís Carvalho. Trata-se duma narrativa na qual o choque
entre duas culturas e duas concepções do Mundo se torna evidente. Num navio em
viagem vemos de um lado o médico («No seu caso eu seguia em frente com a
operação»), do outro lado o «Gerês» com a filha a sofrer dum tumor no cérebro:
«Parece que andava a tratar a filha com um ervanário lá da terra.» A menina
acabou por morrer e o médico ficou a saber do facto pela licença concedida pelo
comandante ao «Gerês» para acompanhar o funeral da criança. Moral da história:
«cada um tem o direito de gerir as suas angústias da maneira que lhe aprouver».

(Editora: CELOM, Capa: Carlos Rodrigues, Prefácio: Carlos Vieira Reis,
Colaboração: SOPEAM, Apoio: MSD)
José do Carmo Francisco
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por José do Carmo Francisco às 11:59

Quinta-feira, 10.01.13

outras leituras de 2008

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«Angústia fragmentária» de Luísa Santos

A partir da memória de uma infância vivida em clima de repressão familiar («Não
quero que te dês com rapazes. Uma menina deve dar-se apenas com meninas e da
sua idade. Não me contraries nunca, eu sou o teu pai.») e de uma vocação
contrariada («Pai, quero ser bailarina. Pai, porque não posso?») surge uma
adolescência povoada pela solidão e pela morte desejada: «Sinto-me só, sem
ninguém ao fim de quinze anos de existência. A solução é matar-me.» Muito tempo
depois da crise dos quinze anos a problemática é a mesma «apenas algumas
palavras mudaram» na relação da jovem (hoje mulher) com a sociedade: «Tudo é
material. Primeiro são as notas e a competição desenfreada na Escola. Depois o
casamento, institucionalização hipócrita da vida a dois e do juro bonificado.
Na profissão rodeia-nos a falsidade, a inveja sobretudo. Vivemos mergulhados
numa cultura de maledicência e ciúme doentio.» Depois de perguntar num
fragmento «Porque estou sozinha?!» a autora responde noutro fragmento: «Tenho
mais medo da solidão dos outros do que da minha. Conheço bem o meu deserto,
aprendi a orientar-me nele e hoje anseio pelo seu silêncio.» Mais à frente
constata noutro fragmento a mesma solidão: «Fui beber um café comigo ao fim da
tarde». E por fim surge a moral desta história desenhada em fragmentos de
angústia: «Nada mais ilusório do que pensarmos que podemos despojar-nos tão
facilmente do baú das recordações.»
(Editora: Bico de Lacre, Capa: Roberto Medeiros, Foto: Henrique Coelho,
Ilustrações: Artur Campos)
José do Carmo Francisco
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por José do Carmo Francisco às 11:53


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