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Transporte Sentimental



Terça-feira, 08.01.13

santa catarina no roteiro cultural de alcobaça

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Mais um livro que fala da nossa terra - Santa Catarina
O mapa aqui reproduzido vem dentro do livro que tem como título «Roteiro
Cultural da Região de Alcobaça» e por subtítulo «A Oeste da Serra dos
Candeeiros», uma edição da Câmara Municipal de Alcobaça com coordenação de
Carlos Mendonça da Silva, ilustrações de Jorge Delmar e organização da ADEPA. O
livro é de 2001. Em concreto sobre Santa Catarina vale a pena reler: «Antiga
vila dos Coutos, hoje também pertence ao concelho de Caldas da Rainha. Teve o
primeiro foral em 1333, concedido pelo Abade Frei João Martins e o segundo em
1518, concedido pelo rei D. Manuel I, o chamado Foral Novo. A igreja paroquial
de Santa Catarina é um templo extremamente simples que guarda no interior a
capela do Coração de Jesus, cujas nervuras da abóbada quinhentista têm no
barrete do fecho uma estrela em relevo. A igreja apresenta belas esculturas: S.
Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário, Senhora da Piedade, todos do
século XVII, Santo António e «Santo com livro», do século XVIII. Quanto à
pintura há a destacar na capela de João Roiz Português, um retábulo figurando o
«Encontro de Santa Ana e S. Joaquim» pintado pelo pintor maneirista Diogo
Teixeira e outras pinturas de Belchior de Matos. Esta vila teve forca e
pelourinho, o qual se encontra no largo da Igreja e conserva os ferros onde se
prendiam os condenados.»
A viagem sugerida pelo livro incluía no seu III circuito os seguintes pontos:
Alcobaça, Capuchos, Évora, Turquel, Benedita, Santa Catarina, Vimeiro e
Alcobaça de novo. O livro em causa é também uma viagem pois não se fica pela
paisagem e procura saber sempre mais sobre o povoamento. Basta pensar que ainda
há pouco tempo na Benedita quando alguém pedia um copo de água davam-nos um
copo de vinho porque a cisterna era para a gente da casa.
José do Carmo Francisco
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por José do Carmo Francisco às 14:58

Terça-feira, 08.01.13

memórias, afectos e sabores reencontrados em 39 crónicas

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«Sabores da Vida» de Joaquim do Nascimento
Joaquim do Nascimento tem publicado livros sobre a sua terra (Pereiros) e
sobre a Guerra Colonial; com este volume regressa às origens com 39
crónicas à volta de receitas gastronómicas. Um cardápio completo (sopa,
peixe, carne, saladas, doces) também na geografia – Alto Douro,
Algarve, Estremadura. E um elucidário final. Várias são as páginas com
referências culturais: Vermeer (17), Eça (60), Alexandre O´Neill (69),
Manuel Alegre (110), Torga (135), Guerra Junqueiro (153), A Bíblia (161),
Camões (177) ou Fernando Pessoa (181). Aqui a gastronomia é um pretexto
para o autor exercer a ironia: apresenta-se («Os enchidos da Lídia e as
minhas letras são o que de melhor se faz nos Pereiros») e conclui: «umas e
outros à procura de memórias, de afectos e de sabores que o tempo teima em
levar e a que nós nos agarramos para os voltarmos a apresentar, a Lídia
numa mesa farta, eu num livro de memórias que dedico à gente dos Pereiros».
O texto mistura a memória da apanha da azeitona com o sorriso de uma
menina: «Que terá sido feito da Piedade e do sorriso que guardei dela? Sei
que casou numa terra vizinha, guardou gado e fez o queijo, lavou a roupa e
teve filhos, talvez o marido matasse um reixelo pela Páscoa, oxalá que os
netos a façam sorrir neste fim do dia, para que se lhe abram no rosto as
mesmas covinhas que eu vi nele quando tínhamos 10 anos». Passam por aqui
memórias das coisas mais essenciais como o pão, o vinho, o azeite ou o
queijo. Sobre o pão, por exemplo: «pão, pão era mesmo o de centeio, o único
cereal que vingava nas ladeiras dos nossos montes, pele e osso na magreza
de um solo pobre regado pelo suro de muito trabalho». Sobre o vinho, outro
exemplo: «É o sol que faz o vinho, Pedro, disso sabia o meu avô António
Bernardo que fez vinho fino, d´Além Doiro, durante uma vida, na Quinta
dos Canais». Sobre o azeite, outra memória: «O azeite servia para alumiar a
Deus e os mortos também não o dispensavam no seu dia de Novembro mas servia
principalmente para tornar mais gostosa a dieta magra das nossas fragas, o
caldo, as batatas e o pão de centeio; entrava também nos mimos das festas
do Natal e da Páscoa». Ou o queijo: «A Natália continua a fazer queijo uma
ou duas vezes por ano por várias razões – para provar que ainda não
perdeu a mão, porque nunca meterá a boca num cibo que outra pessoa faça e
para saborear uma tijela de soro, açucarado, migado com pão de trigo». Para
concluir, o pó contra a posteridade: «Eu hei-de partir e a Oliveira do Adro
há-de permanecer ali por muitas mais gerações e, um dia, o neto da
Celestina vai ler-lhe o que, sobre ela, escreveu o Joaquim da Senhora
Adelaide».
(Editora: Padrões Culturais, Prefácio: Rui Fiolhais, Paginação: Mário
Andrade)
José do Carmo Francisco
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por José do Carmo Francisco às 09:26


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