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Domingo, 23.12.12
e os crimes, meu general? ah, isso foi há muito tempo. já ninguém se lembra!
«Viola Delta volume XLIX – poemas sobre África e outros textos»
Para festejar os 35 anos dos Cadernos de Poesia Viola Delta, iniciados em 1977,
surge este novo trabalho poético. Trata-se de um livro colectivo com poemas de
quinze autores: Al Aarão, Alberto Martins Rodrigues, António Cardoso, António
Salvado, Armando Taborda, Carlos Domingos, David Mestre, Delmar Maia Gonçalves,
Fernando Grade, Fernando Pinto Ribeiro, Júlio-António Salgueiro, Luís Filipe
João, Luísa de Andrade Leite, Manuel Ramilo Salgueiro e Maria Almira Medina.
Não se trata apenas de juntar poemas de 15 poetas em livro. Há sempre algo mais
– História e Memória, ambas vivas. Todos os autores trazem uma nota de
apresentação; por exemplo na ficha de Alberto Martins Rodrigues (1950-1986)
escreve Fernando Grade: Do «I Encontro dos Escritores Portugueses», realizado
em 1975, um dos grupos de trabalho emergentes foi a Comissão para Publicação de
Autores em Editor: Afonso Cautela, Fernando Grade, Hermano Neves, João de Melo,
José Correia Tavares, Júlio Conrado e Serafim Ferreira. Desta pró-literária (ou
a-literária) salada russa salpicada de molho tártaro e beirense, acabou por não
sair qualquer coelho da cartola real ou fictícia. Até porque o «25 de Abril»
foi estrangulado pelos vendilhões do Tempo… Era alentejano de mais para
ser sorvido pelos janotas analfas do Chiado. Os perfumadinhos encharcados em
dólares (marados ou não). Os capados da alma.»
David Mestre (1948-1998) foi viver para Luanda com 3 anos, jornalista e poeta,
desertou do exército português em Angola e foi preso em 1971 para ser libertado
em 1974. Começou a publicar em 1973 e além de livros de poesia publicou
crónicas e ensaios.
Júlio-António Salgueiro (1943-1975) foi um dos fundadores do Movimento
Desintegracionista em 1965 e em Luanda escreveu o poema «Movimento da Terra»:
«Depois da morte como depois da tua vida / Não procures o significado oculto da
rosa apodrecida / Aonde queres chegar tens que partir só na tarde negra / Que
zumbe na temperatura do grande verão / No centro da esfera de luz que se move
em movimento / E não te prendas com o que não é há muito esperado / Não olhes a
paisagem porque não é paisagem única / A ninguém interessa se estás contente e
a águia desce / A prumo e cada átomo do teu corpo refaz o mundo / Na sua
totalidade escuta há grandes intervalos / Que devem ser preenchidos entre a
vida e a morte».
(Edições Mic, Ilustrações: J. Leitão Baptista, Júlio Gil. Nadir Afonso)
José do Carmo Francisco
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José do Carmo Francisco
às 19:09
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