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Quinta-feira, 06.12.12
fernando alves - uma crónica à maneira de...
Ontem encontrei Fernando Alves numa livraria mas na confusão das palavras
esqueci-me de lhe confirmar que tudo o que escrevo nas minhas crónicas de
20 linhas é a partir do modelo das suas crónicas de rádio. Já Aragon dizia
«J´imite. Tout le monde imite. Tout le monde ne le dit pas». Toda a
literatura é uma homenagme à literatura e eu chamo literatura ao esplendor
do efémero do «Sinais».A última aguardente do Tio Nascimento
Bebo devagar um cálice de aguardente branca e muito leve, puríssima e
macia, tal como saiu do alambique no passado mês de Setembro. É uma
aguardente que não pesa no estômago e que torna as digestões mais suaves.
Mas não a posso gastar muito depressa porque esta aguardente é uma memória
viva do meu Tio Nascimento e da sua Atalaia do Ruivo, paisagem perfeita
entre sol e pó, entre pedras e pinheiros, entre água e vento. Lugar mágico
onde a terra quase se junta ao céu numa espécie de oração sem palavras.
Dois dias antes de morrer com o coração cansado e incapaz de trabalhar
mais, este homem que foi, em novo, ceifar todas as searas do Alentejo e das
regiões espanholas fronteiriças, estava possuído de um vigor inesperado e
obrigou os filhos e as noras a trabalharem ainda mais para irem entregar o
bagaço e o folhelho da uva a um certo alambique para os lados da Serra das
Corgas. Depois foi fazer uma festa ao burro e enxotar as galinhas antes de
olhar as cabras. Entretanto morreu na grande cidade um dia antes de fazer a
grande intervenção cirúrgica que lhe poderia ter prolongado a vida caso
corresse bem. Mas não correu. Hoje este gesto de beber um cálice de
aguardente tem para mim o valor de um regresso. Esta bebida guardou a
paisagem povoada pelo Tio Nascimento entre o seu lugar de sempre, a sua
casa dos ventos onde se vê ao longe um bocado de Espanha e, mais perto, a
terra das cerejeiras em flor. Essa paisagem povoada onde o corpo do Tio
Nascimento descansa no cemitério da Sobreira Formosa mas onde o espírito
circula no sabor macio e puro, leve e branco desta aguardente que não pesa
no estômago. Porque incorpora a memória destilada de um homem cheio de
humanidade.
--
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por
José do Carmo Francisco
às 09:07
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