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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 20.03.15

«utopias em dói menor» de onésimo teotónio almeida/joão maurício brás

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Este livro de 316 páginas é o resultado de uma conversa de dois anos e de ambos os lados do Oceano Atlântico; daí o subtítulo «Conversas transatlânticas com Onésimo». João Maurício Brás (autor de «A importância de desconfiar») faz as perguntas e Onésimo Teotónio Almeida (professor catedrático da Brown University – nos EUA) dá as respostas. Observando Portugal do outro lado do Atlântico, Onésimo pode advertir: «Portugal desafia as leis da óptica pois se vê melhor ao longe do que ao perto». Dito de outra maneira: Onésimo foi em criança de São Miguel à Terceira e percebeu que era micaelense, na Madeira sentiu-se açoriano, em Lisboa sentiu-se ilhéu, em Badajoz foi português, em Paris era ibérico, nos EUA foi europeu, na China era ocidental e, um dia, se for a Marte, irá sentir-se terrestre. No nosso país não existem diálogos francos e abertos: é impossível discutir ideias sem descambar para ataques pessoais. Por isso, avisa Onésimo, «a nossa escrita se não se deixa filtrar pela emoção e pelo recorte literário, dificilmente ganha leitores» e para tal «basta lembrar os adjectivos poucos simpáticos que em Portugal mimam um espírito analítico como o de António Sérgio». No que diz respeito ao Mundo e aos Homens, Onésimo parte de uma ideia pessoal indiscutível («A nossa vida é muito curta») para uma conclusão também indiscutível sobre o Mundo («Não se é mais humano por se viver na contemplação das misérias do mundo») e sobre os Homens: «os seres humanos são capazes do melhor e do pior, de catedrais e de Auschwitz». Hoje como ontem há neste autor o prazer antigo de comunicar: no passado «sempre que o Sporting marcava um golo, eu, ouvindo o relato de orelha colada ao aparelho de rádio, ia à rua anunciar a toda a gente» e no presente sente que tudo o que escreveu «foi provocado pelas leituras que fez, inspirado pelas preocupações teóricas que animaram o seu doutoramento em filosofia e continuam a inspirar o curso sobre valores e mundividências que entretanto começou a leccionar». Dito de outra maneira: «na prática lidamos com o indefinido, o incompleto, o inseguro, o desconhecido. Pessoa terá supostamente dito - A vida é assim mas eu não concordo. E eu repondo - Eu não concordo mas a vida é assim.» (Editora: Gradiva, Capa: Armando Lopes, Prefácio: Carlos Fiolhais, Posfácio: José Eduardo Franco) --

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por José do Carmo Francisco às 11:22



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