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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 27.04.16

«uma estátua no meu coração» de soledade martinho costa

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Autora de mais de 30 títulos na área infanto-juvenil, de 3 livros de poemas, de 2 peças de teatro, de 1 inquérito ao Livro Infantil, dos 8 volumes das Festas e Tradições Portuguesas (Círculo de Leitores), Soledade Martinho Costa surge neste recente volume com uma revisitação ao passado próprio mas também social, partindo sempre das experiências pessoais para um olhar mais abrangente sobre o Mundo e a Sociedade. Colaborou em diversos jornais e revistas: Diário Popular, Diário de Lisboa, O Jornal da Educação, Expresso, Público, Diário de Notícias, Pública e Notícias Magazine. O ponto de partida é dado na página 16: «Recordações, memórias, isso sim, tenho. Mas são outra coisa. Ter recordações ou memórias não quer dizer sentir saudades. Recordo os meus pais, os meus familiares, os meus amigos que já não estão comigo. Recordo a infância dos meus filhos. A minha vida. As coisas que tive. Os locais que conheci.» Um dos pontos deste livro é na página 14 a dissertação sobre a posteridade em literatura: «Há nomes imortais, reconheço. Certezas, só uma: a de serem lembrados, enaltecidos, não pelos seus pares (raramente o fazem) mas pelos seus leitores. É aí que reconheço a glorificação, a imortalidade de uma obra.» Este é um livro diferente, não um livro mas o livro: «Talvez um livro onde estejam patentes a biografia, as memórias, as crónicas. Sim talvez um livro que represente um pouco de tudo isso.» Nascida em Lisboa, Soledade Martinho Costa foi viver para Alverca do Ribatejo com 10 anos: «Saí de casa dos meus pais quando me casei mas continuei a morar, até hoje, na mesma rua. Rua que permanece particamente igual, quando a localidade era a pequena vila ribatejana que conheço desde a infância.» Belíssima é a evocação de Fernando Assis Pacheco no Diário de Lisboa em 1979: «Vou fazer-lhe três perguntas: quando quer começar; quando terei em mão o primeiro texto e se poderei contar com uma entrevista, entregue, rigorosamente, todas as semanas, para serem publicadas às quintas-feiras.» Tal como é belíssima a memória da Banda Desenhada: «Depois de dizer «bom dia» ao Senhor Adão, ele entregava-me «O Papagaio», «O Mosquito», «O Diabrete», «O Cavaleiro Andante». Mas não é só Literatura; este livro integra memórias do sangue pisado da vida, como o caso de uma avó da autora a quem morreram dois filhos, Margarida e Bento: «A mãe que perde filhos nunca mais alivia o luto». Outra memória sentida é a de Alice Gomes, irmã de Soeiro Pereira Gomes, casada com Adolfo Casais Monteiro: «Impedidos de exercer a carreira de professores liceais em escolas do Estado, contava-me que tinha sido por intermédio (paradoxal) de Fernanda de Castro, mulher de António Ferro, que haviam conseguido colocação no ensino privado.» O título feliz deste livro está na página 207, na fala de uma neta da autora: «Olha, papá, a estátua do avô Rafael está aqui, dentro do teu coração.» (Editora: Vela Branca, Prefácio: Rui Vasco Neto, Capa: Hélder Lopes sobre tela de Peter Wilhelm Ilsted, Revisão: L. Baptista Coelho) --

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por José do Carmo Francisco às 15:02


1 comentário

De sarrabal a 28.04.2016 às 16:03

Grata pela divulgação ao meu livro. Gostei bastante. É como digo: o Zé também merecia, de há muito, uma estátua pelo seu valioso trabalho de crítica e divulgação literária em prol dos nossos autores e das nossas editoras. Talvez um dia, quem sabe (não direi uma estátua...), mas uma merecida homenagem pelo seu incansável trabalho em favor da Literatura Portuguesa.
Abraço da Soledade Martinho Costa

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