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Transporte Sentimental



Terça-feira, 15.03.16

«ritual, natura e magia» de aurélio lopes

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O subtítulo do livro («Sentidos e saberes nas terapias tradicionais portuguesas»)aponta para a «medicina popular» que está mais perto de nós do que parece: basta sair de uma estação do Metropolitano de Lisboa e receber o panfleto de um qualquer «vidente, espiritualista, adivinho ou cientista» a prometer a solução para problemas de «amarração, casamento, família, amor, negócios, sucesso, vícios, doenças espirituais, inveja, mau-olhado e impotência sexual». Aurélio Lopes (n.1954) explica na nota introdutória que este trabalho de 273 páginas não faz a «história da medicina popular» embora procure «uma análise comparativa das lógicas da medicina sistematológica e do curandeirismo popular bem como das atitudes dos doentes face a cada uma das opções terapêuticas.» Há neste livro um completo inventário de duas medicinas que correspondem a dois Mundos paralelos: a oficial que é urbana e científica e a popular que é rural e naturalista. O desdém da primeira pelas crendices e superstições da segunda, não altera em nada a realidade que é vária e múltipla e não simples nem simplista. O Mundo é, como o autor refere na página 13, «feito de perigos, conhecidos e desconhecidos; esperados e inesperados; naturais e sobrenaturais, onde avultam personagens maléficas diversas e mais ou menos integráveis no bestiário cristão: o Demónio, principalmente! Entidade negativa, príncipe do mal, que atormenta os justos e ilude os ingénuos; apesar de a sabedoria popular dizer que «não pode estar sempre atrás da porta», acaba por ver-lhe imputados, de uma maneira ou de outra, os azares da vida.» Entre o Homem e o Mundo surge a terapia: «se, para o homem tradicional, o mundo era composto de uma infinita e multifacetada profusão de perigos não admira que a multiplicidade de práticas terapêuticas apenas tivesse limite nos incomensuráveis limites da imaginação humana e o mesmo lançasse mão a todos e mais alguns mecanismos operativos: fórmulas e rituais mágicos, esconjuros e exorcismos, acções físicas, anatómicas e alimentares, apelos e encomendações religiosas ou dirigidas às potências cósmicas e naturais mais ou menos divinizadas.» Com estas duas citações fica uma ideia do vasto alcance deste trabalho dum autor que já acompanha esta área do conhecimento desde 1995 com «Religião Popular no Ribatejo». (Editora: Apenas Livros, Capa/Paginação: Jorge Belo, Revisão: Luís Filipe Coelho, Desenho de capa: Carlos Augusto Ribeiro, Patrocínio: IELT) --

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por José do Carmo Francisco às 13:02



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