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Transporte Sentimental



Segunda-feira, 15.08.16

«rememorando daniel de sá: escritor dos açores e do mundo»

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«Rememorando Daniel de Sá: escritor dos Açores e do Mundo» de Francisco Cota Fagundes, Susana Antunes e António Igrejas (coordenação) Dou início a esta nota de leitura com um ponto pessoal: tornei-me amigo de Daniel de Sá na Maia em 1989 quando Sidónio Bettencourt nos apresentou. O ponto alto dessa longa amizade é o facto de «eu» figurar num conto como protagonista no qual «dialogo» com um jovem viúvo. Perante a ausência da sua mulher, este não aceita a sua morte e responde: «Ela foi visitar as primas». Esse conto é dedicado a Luiz António de Assis Brasil e a Valesca de Assis. Os estudos sobre a obra de Daniel de Sá são assinados por Luiz António de Assis Brasil, Gabriela Silva, José Francisco Costa, Victor Rui Dores, Maria Eunice Moreira, Carmen Ramos Villar, Paula Cotter Cabral, Susana Antunes, António Manuel Ferreira, Francisco Cota Fagundes, Mónica Serpa Cabral, Leonor Sampaio da Silva, Andreia Melo, António Igrejas, Irene do Amaral, Álamo Oliveira, Blanca Martín-Calero Medrano, Paula de Sousa Lima, Madalena San-Bento e Mário Cabral. Sobre o homem e o escritor assinam os textos os seguintes autores: Onésimo Teotónio Almeida, Lélia Nunes, Ana Loura, Ilda Januário e João de Melo. Autores como Sidonio Bettencourt, Joel Neto, Nuno Costa Santos, Norberto Ávila, Eduardo Bettencourt Pinto e Urbano Bettencourt poderiam ter enriquecido este conjunto de depoimentos sobre Daniel de Sá. Estes ou outros; estes e outros. Daniel de Sá (1944-2013) nasceu na Maia (S. Miguel) mas foi viver a infância em São Pedro e em Santana (S. Maria). Mais tarde recordou esses tempos: «Muito cedo comecei a ser aluno da vida em Santa Maria. Pode parecer um contra-senso considerar um privilégio ter vivido em Santana, porque aquela era uma das aldeias mais rurais de Portugal». «Fui pastor de cabras, de ovelhas e de vacas. Passei a pertencer à geração do Cavaleiro Andante». Pode ter sido essa ocupação como pastor de animais que o levou mais tarde a ser pastor de palavras como no seu sermão que a muita gente parece do Padre António Vieira: «Sermões são palavras, que outra coisa não quer dizer sermão senão palavras. E se saís daqui já esquecidos delas, tereis perdido este pouco tempo vosso e talvez a vida toda.» Num dos seus livros afirma: «O absurdo da Inquisição foi praticar o mal em nome de Deus. O paradoxo do nosso século tem sido destruir milhões de homens e mulheres em nome da Humanidade». Daniel de Sá parte da sua condição de ilhéu («Sair da ilha é a pior maneira de ficar nela») para a de Homem do Mundo: «Ninguém endireita o mundo, que nem Nosso Senhor endireitou.» Um aspecto menos simpático tem a ver com as gralhas e outras discrepâncias. Alguns exemplos: na página 188 Menio-Deus por Menino-Deus, na página 220 Metaformoses por Metamorfoses, na página 223 Crsito por Cristo, na página 255 Ferreira Ferreira por Ferreira, na página 312 Martins Cabral por Cabral Martins, na página 326 Paulo Silveira e Sousa por Sousa, Paulo Silveira, na página 327 Richard Zenith por Zenith, Richard, na página 347 Porto por Ponta Delgada, na página 362 batalha por Batalha, na página 373 Bem por Ben e na página 501 Revista Transatlântico por Transeatlântico. Exímio praticante de ténis de mesa e leitor apaixonado de jornais desportivos («um dos mais bem escritos era A BOLA») não seria de estranhar a Daniel de Sá (ele mesmo) uma piada sobre este livro: «Isto é muito Académica, eu sou mais União de Coimbra!» (Editora: VER Açor, Design Gráfico: Helder Segadães) --

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por José do Carmo Francisco às 17:47



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