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Transporte Sentimental



Sábado, 14.11.15

«porta azul para macau» de joão pedro porto

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Depois de «O rochedo que chorou» de 2011 e de «O 2egundo m1nuto» de 2012, João Pedro Porto (n.1984) surge com este «Porta azul para Macau» em 2014.A narrativa oscila entre o colectivo e o individual, o geral e o particular. Na página 106 afirma-se «Todos nascemos à mercê de deuses para os perdermos depois, à medida que os vamos sabendo falíveis e mortais; produtos das ficções que brotam das febres infantis.» Na página 258 outra afirmação: «Seria ficcionista. Por aqueles dias, ser-se escritor romancista ou de outra estirpe qualquer, era do mais perigoso que se podia ser. A ser um louco, seria, então, ficcionista.» O autor proclama na página 185 «Compreendo que não me é proibido algo de inesperado e é nesse registo de liberdade que darei azo à contaminação e à corruptela narrativa» e é nesse sentido de corruptela narrativa que surge a página 27 («Esta história nasce de uma visão que tantos outros de mim tiveram, de uma vivência muito peculiar de Alfama, das suas canadas e abismos») pois não existem canadas em Alfama tal como o uso de «solarengo» por soalheiro na página 44 pode ser visto como experimentação ou corruptela narrativa, isso mesmo. Na página 108 surge a palavra «geolhos» por joelhos, uma saída feliz para a ideia de submissão perante um pensador Eslavo. Numa Lisboa submersa pelas águas do Tejo, as colinas são ilhas e um grupo de sete jovens que proclamam um manifesto de 12 capítulos no jornal «Insular», convivem e juntam-se no Bar Macau. Os interlocutores da narrativa são 18 e todos registam uma dupla inscrição como pássaros. Os 27 capítulos estão datados entre 1909 e 1970 ou seja o ano anterior à queda da Monarquia em Portugal e o ano da morte de Salazar. Essa inscrição revela uma leitura do tempo colectivo embora esse tempo seja medido por um elemento individual; umas vezes o autor, outras vezes o narrador. As duas citações ajudam a situar a narrativa: a de Eduardo Bettencourt Pinto lembra Lisboa («No destino, o mar não existe. Só rios») e a de F. Scott Fitzgerald lembra Portugal: «E assim seguimos, os barcos contra a corrente, incessantemente puxados de volta ao passado.» O livro é dedicado a Fernando Lima (avô do autor) que na página final agradece os contributos de Mário de Campos Vidal, Cruzeiro Seixas e Brito de Medeiros Carvalho. (Editora: Letras Lavadas, Prefácio: Vamberto Freitas, Ilustrações: Vera Máximo, Design/paginação: Jaime Serra, Revisão: José Alfredo Ferreira Almeida, Nota de contracapa: Luiz António de Assis Brasil, Contracapa interior: Vamberto Freitas, Nuno Costa Santos, Eduardo Bettencourt Pinto e Urbano Bettencourt) --

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por José do Carmo Francisco às 18:24



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