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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 20.08.14

poema sobre «pepe» dito por barroso lopes na revista «o mexilhão» no teatro variedades em 1931

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Andei anos à procura do livro da Associação de Futebol de Lisboa no qual as páginas 362 e 363 são dedicadas a José Manuel Soares, o malogrado Pepe. A sua carreira foi curtíssima – dos 16 aos 22 anos. No seu último jogo foi capitão pela primeira vez. O nome oficial do Estádio do Restelo é «José Manuel Soares» e a AFL organizou um torneio em 1937/1938 em sua homenagem tendo sido brilhante vencedor o Desportivo da CUF. Dedico este trabalho de pesquisa e divulgação com um forte abraço ao jornalista Luís Alberto Ferreira: «Morreu um jogador! Um garoto pequeno que andava por Belém, simpático e moreno. Tinha um sonho vulgar, humilde e pobre, anónimo, singelo!...Um sonho que se encobre em timidez discreta… Um sonho dos que sonha o Povo que é Poeta… E sob a ganga azul do fato de macaco um grande coração, dentro dum peito fraco, pulsava generoso, acolhedor e audaz… Era a alma do povo em corpo de rapaz! Havia ali na rua um rés-do-chão caiado onde ao vir do trabalho, ele ia deslumbrado falar a uma pequena …que era também morena! Ela esperava-o, detrás da cortina de cassa, uma cortina branca apanhada com folhos… E os seus olhos baixavam-se a sorrir, numa infinita graça! E ao trabalhar de dia, ao banco de torneiro altivo, independente, alegre e galhofeiro o Pepe de Belém não odiava ninguém! Parece que o estou vendo agora como então nessa tarde em que foi o herói da multidão! O campo estava cheio. A pino um sol de Maio. O «team» entra veloz. Vinha à frente um catraio e ouvia-se gritar: «O Pepe vai jogar!» Alinham os azuis. Os «keepers» vão de branco. Final do campeonato. O jogo é um arranco Para ver quem lança a mão ao troféu que pertence a club campeão! O povo a meio tempo, exigente, irritado, Reclama um jogo duro, um jogo castigado, E obriga-se a faze-lo a gente do Restelo. Há nervos… Só o Pepe, humílimo e pequeno continua sereno! Mas nisto, como um raio, intenso, fulminante, esse garoto corre e voa e passa adiante e domina! Atravessa o campo lés-a-lés, com a bola entre os pés! Tão rápido e felino o pardalito salta, que passa mesmo à capa um jogador pernalta um grande matulão! Delira a multidão! «Vamos! Carrega! Anda! Ó Pepe passa já! A bola não está fora! A bola é nossa! Vá!» Numa arranco final, violento, triunfal, causando assombro e pasmo aos jogadores mais velhos, tinha chegado o Pepe à rede dos vermelhos! Um grito! Confusão Um «goal»! Aplausos! Nisto, envolta em poeirada, heróica, esfarrapada, surgiu a camisola azul com a Cruz de Cristo! Não mataram o Pepe! E matá-lo porquê? se ele tinha no olhar essa expressão de fé, - de fé e confiança que tem uma criança!» --

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por José do Carmo Francisco às 08:18



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