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Transporte Sentimental



Domingo, 21.12.14

«penélope - colectânea» de váriso autores

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Os anos 50 em Portugal foram tempos de crise, cinzentismo e repressão, tendo surgido um conjunto de Revistas Literárias (Árvore, Cassiopeia, Sibila, Távola Redonda) nas quais se iniciaram poetas hoje consagrados como Raúl de Carvalho, João Rui de Sousa, António Luís Moita, Liberto Cruz ou David Mourão-Ferreira. O ditador de Santa Comba dizia «Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma!» mas a Poesia não aceitava a pasmaceira nacional e acantonava-se nos volumes colectivos de onde fazia partir o seu protesto. Este livro faz lembrar esse determinado tempo português. A partir do triplo motivo (Liberdade, Medo e Solidão) este livro colectivo de 218 páginas surge com vinte participantes que assinam fotos e narrativas. Edson Athayde abre o volume com um texto de três páginas, aparecendo como uma espécie de padrinho ou irmão mais velho dos outros participantes. Os nomes dos autores das fotos são: Catarina Lopes, Flávio Moreira, Felipe Almeida, Fabielle Vieira, Paulo Cintra, Marina Barbim, Ricardo Reis Pereira, Ana Costa, Cristiana Gomes e Fábio Roque. Assinam as narrativas: Álvaro Cordeiro, Ana Rita Sousa, Bárbara Lopes. Hélder Magalhães, Luísa Carvalho, Cidália Carvalho, Rita Só, Silvia Mota Lopes, Soraia Ribeiro e Vasco Ricardo. O 22º participante (André Freitas Santos) surge referido como ilustrador ocupando no índice a página 224 mas o volume tem apenas 218 páginas.
A presença do chamado «acordo» ortográfico é muito forte neste volume a começar pelo subtítulo que está com o errado coletâne em vez do correcto colectânea. Na página 38 surge rutura em vez de ruptura e Edson Athayde usa uma expressão na página 10 («estava no páreo») que só se entende no Brasil, sendo que neste livro apenas quatro participantes são brasileiros num total de vinte e dois. Como convite à leitura fica uma referência à narrativa «Coração sem-abrigo» nas páginas 45 a 68 que se revela um achado feliz na conclusão: «Vasco tinha muito mas faltava-lhe o principal que, por acaso, era a única coisa que o velho Leonel tinha, um grande coração!». Menos feliz é a articulação da narrativa não só no uso de palavras como «para» por pára (51), «faculdade» por Faculdade (51), «sítio» por país (54), «carro» por automóvel (45 e 58) «inverno» por Inverno (46), «papel» por palavras (46). «dezembro» por Dezembro (49), «célebre» por grande (50), «100» por cem (50), as repetições como «maravilhoso/maravilhoso» na página 68 ou o uso excessivo dos advérbios de modo («realmente, literalmente, lentamente») na página 65. Para além de imprecisões como «rua» Casal Ribeiro que é avenida (53) ou uma missa ouvida no Rossio (63) que é no Largo de S. Domingos ou o «instantinho» (63) entre o Rossio e o Saldanha quando é preciso mudar de linha no Marquês de Pombal. Nota final – este é um ponto de partida e não de chegada, logo o que se espera são outros e melhores trabalhos futuros, num tempo que se deseja melhor e mais feliz como os participantes deste livro merecem. (Editora: Livros de Ontem, Capa: André Freitas Santos, Revisão: Bárbara Soares, Paginação: Nádia Amante, co-edição The Art Boulevard) --

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por José do Carmo Francisco às 11:20



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