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Transporte Sentimental



Terça-feira, 29.07.14

para francisco josé viegas - breve dissertação sobre comboios

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Para Francisco José Viegas – breve dissertação sobre comboios Uma parte importante da minha vida ficou na Linha do Oeste. A alma também. Se por alma eu entender aquele núcleo invisível de esperanças e ilusões, sonhos e pesadelos, projectos e decepções. Tudo isso ficou entre Lisboa e Caldas da Rainha, algures entre a automotora das 5 e 20 da tarde no Rossio que chegava às Caldas às 7 e 20 e a automotora das 10 da noite nas Caldas, aquela que chegava a Lisboa por volta da meia- noite e meia hora. Na Linha do Oeste eu fui a criança atónita que vinha do Montijo a partir de 1958, fui o instruendo temeroso de 1972, fui o recém-casado em lua-de-mel de 1977, fui o jornalista a caminho da Figueira da Foz em 1997 com a comitiva Ginástica do Sporting. Tudo começou no Rossio mas depois de 1997 já era preciso apanhar o comboio no Cacém; agora é em Meleças e qualquer dia acaba. Fica «descontinuado» como eles dizem. Passa a haver só carga. Olho uma fotografia que por acaso nada tem a ver com a Linha do Oeste mas tem a ver com comboios e a sua memória. Sei que o tempo é outro e a velocidade também. Há poucos anos viajava-se de transatlântico em navio de luxo e hoje toda a gente usa o avião. Apesar dos acidentes, andar de avião é menos perigoso que frequentar o IC 19. O comboio terá perdido a corrida com o transporte rodoviário. No tempo do comboio da Linha do Oeste as estradas eram de maquedame, havia pó no Verão e lama branca no Inverno. As estradas tinham curvas e contracurvas devido às instrucções do ditador Salazar que exigia da Junta Autónoma das Estradas a utilização das serventias antigas das carroças e dos carros de bois porque assim era tudo mais barato. O que servia para a vindima servia, mais tarde, para a estrada nacional e sem dispêndio para a Fazenda Nacional. --

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por José do Carmo Francisco às 19:42


1 comentário

De vasco soeiro a 29.07.2014 às 22:53

"O comboio terá perdido a corrida com o transporte rodoviário." A vida dá muitas voltas. Este país ainda vai chorar muito a desmontagem de linhas de comboio para construção de eco pistas e novas estradas. Já a Europa há muito aposta a sério na ferrovia e ainda nós acreditamos no petróleo barato para sempre e no desenvolvimento que mais uma auto estrada ou uma nova acessibilidade trará...

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