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Transporte Sentimental



Terça-feira, 14.06.16

«os últimos avieors do tejo no concelho da chamusca» de antónio matias coelho

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O ponto de partida deste livro de 82 páginas com um CD Rom anexo, é um caderno de 1985 publicado com os meios técnicos da época por António Matias Coelho (n. 1957), um professor de História que tem trabalhado entre Golegã, Chamusca e Constância. Ao tempo (1985) a palavra «avieiro» mão vinha nem nos dicionários nem nas enciclopédias, apenas nos livros de Alves Redol: «Nómadas do rio, comos os ciganos em terra, tinham vindo da Praia da Vieira e faziam vida à parte: chamavam-lhes avieiros. Nunca ouvira falar de semelhante gente.» Hoje é diferente: os bons dicionários já referem os «pescadores originários da Vieira de Leiria que demandavam o Tejo para pescar no Inverno». Em 2016 a palavra avieiro já foi consagrada mas a realidade que ela refere está a desaparecer. Na Chamusca existe apenas a avieira Maria de Sousa e noutros concelhos restam cinco aldeias: Caneiras (Santarém), Esteiro do Nogueira (Vila Franca de Xira), Escaroupim (Salvaterra de Magos), Patacão (Alpiarça) e Palhota (Cartaxo). Lembrando o que Raul Brandão escreveu em «Os Pescadores» de 1923, António Matias Coelho refere a luta de todos os dias dos homens da Vieira de Leiria: «Esta luta pela vida que trouxe os avieiros da sua praia até ao Tejo e que continua ainda hoje, mais de um século volvido, teve outras expressões e outros caminhos, nem sempre ligados à água mas sempre ligados ao peixe. Como os que a mãe de Maria de Sousa fazia, antes de ela nascer, estando ainda na Vieira, quando daí saía de madrugada para vender o peixe a Pombal ou a Torres Novas, a uma lonjura de léguas». Uma nota curiosa está na receita da caldeirada tal como ditada pela avieira Maria de Sousa: «A gente é tudo em cru: pomos a cebola, pomos o tomate, o peixe, o colorau, um bocadinho… uma folhazinha de loiro, estas coisas assim, o azeite, tudo junto, tudo junto, batatas e tudo junto. Depois vai para o lume, coze-se assim e é caldeirada.» Enfim muito saboroso, uma delícia dizemos nós; «assim haja vontade!» diz a Senhora Maria de Sousa. (Editora: Âncora, Fotos: José Lobato e Foto Cabaço) --

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por José do Carmo Francisco às 19:36



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