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Transporte Sentimental



Terça-feira, 09.06.15

«os jornalistas...» de fialho de almeida

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Fialho de Almeida (1857-1911) nasceu em Vilar de Frades (Alentejo) e entrou em 1866 para o Colégio Europa no Conde Barão mas em 1872 foi trabalhar durante sete anos na farmácia do Largo do Mitelo: «Davam-me três horas aos domingos para oxigenar os pulmões cansados de respirar fedentinas de drogas e ervas podres; a minha alimentação era uma berundanga que sobrava do jantar da família do patrão». Para ele a glória é um equívoco: «a gloríola ganha sem trabalho espatifa-se em bagatela como dinheiro do jogo». Se lhe sugerem um grande romance, Fialho responde: «depois da obra feita não há em Portugal senão trezentas pessoas capazes de pagar até seis tostões por exemplar.» E termina a sua autobiografia de forma lapidar: «Na literatura não há nem pode haver palavras sujas. O que há é assuntos sujos, assuntos pulhas, deletérios assuntos que os escritores não inventam e fazem parte do dia-a-dia da cidade». Sobre jornalismo afirma: «O jornalismo é um sítio de passagem e onde cada qual se demora o menos que pode». Sobre os jornais do tempo a ideia: «Os jornais, à parte este ou aquele, quase todos foram fundados para a aerostação política dum nome, para a defesa dum sindicato ou para fazer ganhar dinheiro a um imbecil.» Sobre jornalistas o seu conceito repudia o arrivista («enérgico, pimpão, lesto em moral, intransigente em fórmulas de honra») e conclui com alguma tristeza: «dêem-me seis que tenham passado a vida a defender os interesses do povo sem fazer da redacção elevador opara uma aposentadoria; dêem-me quatro onde eu escolha um grande homem de letras.» Moral da história: «Ninguém exige um passado a estes charlatães como garantia de futuras responsabilidades. É aparecer o primeiro entregamos-lhe logo as chaves da cidade, sem vistoria prévia à isenção dos seus propósitos». Sobre a Justiça na Boa-Hora: «No nosso tempo a honra é conforme. Tem-se razão conforme a argúcia do advogado que nos serve. Desmandos imperdoáveis na classe baixa são leviandades apenas na classe média e, daí para cima, qualidades!» Sendo a sociedade «chata e medíocre» Portugal é um país de curiosos: «Os advogados curam de questões agrícolas, um engenheiro tem nas mãos a directoria da agricultura, o empresário da ópera lírica é um lavrador, no parlamento os padres tratam de assuntos militares e os militares de assuntos eclesiásticos». (Editora: Palimpsesto, Capa: Matilde Urbach sobre imagem de João Lucas) --

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por José do Carmo Francisco às 22:13



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