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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 22.12.16

«os guarda-redes morrem ao domingo» em «vítor damas a baliza de prata»

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O meu conhecimento pessoal com Vítor Damas verificou-se na Lourinhã em 1999 quando este grande guarda-redes assumiu o comando técnico da (ao tempo) equipa-satélite do Sporting Clube de Portugal. Recebeu-me cordialmente como enviado-especial do jornal «Sporting», abria-me a porta da cabina para poder despachar as entrevistas mas com uma advertência - «Só falo nas derrotas, nas vitórias fala o meu adjunto». Mais tarde, à frente da equipa «B» dos «leões», recordo uma longa conversa que mantivemos em 21-1-2001 no aeroporto de Ponta Delgada depois de um jogo «União Micaelense, 0 – Sporting «B», 3». Nessa tarde soube pelo Vítor Damas que Manuel Fernandes, ao tempo treinador da equipa micaelense do Santa Clara, ia treinar a equipa «A» do Sporting Clube de Portugal. Nenhum de nós poderia adivinhar que um jogador pequenino em tudo (na altura e no futebol) iria estar no centro do posterior afastamento de Manuel Fernandes. Ainda hoje ele fala nesse «anão» que se estreou pela equipa «B» do SCP no Campo da Grotinha, freguesia da Relva, nessa tarde de Domingo. Albert Camus escreveu um dia que «O que finalmente sei de mais seguro da moral e das obrigações dos homens é ao futebol que o devo». Ele tinha sido guarda-redes na selecção universitária de Argel. Num certo sentido esta frase elaborada por um grande escritor (Prémio Nobel) entronca no lugar-comum que diz «Um equipa de futebol tem um guarda-redes e dez jogadores». Na verdade o homem da baliza tem uma dupla inscrição no jogo: é actor e observador, participa e observa, está ao mesmo tempo dentro e fora do conflito, do encontro, do desafio. No meu livro «Os guarda-redes morrem ao Domingo» (Padrões Culturais) dedico um poema ao meu avô materno José Almeida Penas, guarda-redes numa equipa rural em Santa Catarina (Caldas da Rainha) que conclui deste modo: «Levanta-te e vem à linha / receber as instruções para a segunda parte / que só agora começou: / Pôr um boné por causa do sol / mudar de equipa e de lugar / trocar a morte pela vida». Esta ideia de «trocar a morte pela vida» é a base do projecto deste livro que junta depoimentos orais e textos escritos dispersos em volumes que era urgente juntar. Dedico este trabalho à memória de José Almeida Penas (1906-1979), meu avô, de Olímpia do Carmo Almeida (1929-1995), minha mãe e de José Carlos Correia Almeida (1969-1989), meu afilhado e primo direito. Todos admiravam Vítor Damas, cada um à sua maneira, cada um no seu tempo, cada um na sua circunstância. (A foto é de Nunos Costa Santos e foi obtida na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) --

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por José do Carmo Francisco às 08:53



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