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Transporte Sentimental



Segunda-feira, 25.05.15

«o sapo de arubinha« de mário filho

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Mário Filho (1908-1966), autor de «O negro no futebol brasileiro» e do romance «O rosto», foi cronista em «A manhã», «O Globo» e no «Jornal dos Sports», lançou a Copa Rio, criou o Torneio Rio-São Paulo, trouxe ao Brasil os remadores de Cambridge e de Oxford, criou os Jogos da Primavera e os Jogos Infantis com mil equipas e 16 mil jogadores. O estádio Maracanã tem o seu nome. Para Nelson Rodrigues, seu irmão, «Mário Filho foi o único grande homem que eu conheci. Grato à vida, nunca se arrependeu de ser humano, de ser nosso semelhante. Era um ser atravessado de luz como um santo de vitral». Não por acaso o livro tem o subtítulo de «Os anos de sonho do Futebol Brasileiro» porque há uma crónica desportiva no Brasil antes de Mário Filho e outra depois. Antes, um Fla-Flu era assim noticiado: «Será levado a efeito amanhã, no aprazível field da rua Paissandu, o esperado prélio». Mário Filho mudou tudo. Vejamos como. Escreveu sobre Didi: «Descobriu a folha-seca e, se não a usa sempre com o mesmo sucesso, sempre deixa acesa no coração de todos nós, a esperança de um gol de longe, indispensável para a vitória.» Ou sobre os jogadores diferentes: «Gosto de palmeiras nos lugares próprios. Agora de jogador de futebol metido a palmeira, não gosto. Tenho uma prevenção contra esse jogador ereto, duro, apalmeirado, que não se ajoelha, que não se curva, que não se abaixa.» Ou sobre a selecção nacional: «O escrete não engana: mostra o jogador tal como ele é. Pode-se temê-lo. Mas não há consagração definitiva fora do escrete.» Ou ainda sobre o passado: «Cada um de nós tem, à flor da memória, uma coleção de gols inesquecíveis. Um deles é património nacional. Mesmo os que não o viram, que nasceram depois, lembram-se dele como se tivessem vivido o grande momento do Campeonato Sul-Americano de 19.» A crónica título ao volume nasce duma maldição. Uma noite os jogadores do Andaraí esperaram com gentileza pelos atletas do Vasco, parados no Banco do Hospital devido a um acidente de automóvel na viagem para o campo. O resultado foi Vasco, 12- Andaraí, 0. O torcedor chamado Arubinha rogou uma praga: «Se há um Deus no céu, o Vasco tem que passar doze anos sem ser campeão.» Procuraram o sapo que nunca apareceu. Conclusão: O Vasco só voltou a ser campeão em 45, onze anos depois. (Editora: Companhia das Letras, Selecção e notas: Ruy Castro, Prefácio: Nelson Rodrigues, Capa: Vitor Burton) --

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por José do Carmo Francisco às 16:10



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