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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 19.09.14

«o reverendo cura simão henriques» de joaquim do nascimento

O Marquês de Pombal lançou em 1758 um inquérito a todos os Párocos (ou curas, vigários, reitores, priores e abades) com 60 perguntas abarcando desde qual o bispado e comarca da povoação ao número de vizinhos, desde os frutos da terra à sua feira ou ao seu correio. Sem esquecer os rios e serras do lugar. Pelos Pereiros respondeu ao Marquês o Reverendo Cura Simão Henriques. Joaquim do Nascimento transcreve o original e faz, em forma de comentário, uma ponte entre o passado e o presente. Vejamos como: «Em Junho de 1758, os Pereiros tinha 77 vizinhos, isto é, 77 fogos, como se diria em linguagem actual, e os seus habitantes eram 203, 11 deles de menor idade, o que dá uma média ligeiramente superior a 2,6 habitantes por fogo». (…) o povo dos Pereiros já tinha a configuração urbana actual, como pode deduzir-se da afirmação de que a igreja ficava no centro da povoação, como hoje ainda acontece». (…) «a gente dos Pereiros vivia do que produzia nos terrenos já então cultivados, principalmente centeio e trigo e, em menor quantidade, azeite e vinho, algumas castanhas colhidas nos castanheiros que por ali abundavam e, pelo que refere o Cura, já podemos ver como era frugal o passadio dos nossos conterrâneos». (…) «Eu tenho uma explicação complexa para o desaparecimento dos castanheiros que atribuo directamente ao aumento de produção do vinho fino, vá lá, do vinho do Porto, depois da criação em 1756, da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, também chamada Real Companhia Velha. Este aumento exponencial da produção do vinho trouxe com ele a procura de novas terras para plantar vinha mas também a necessidade de fazer novas vasilhas, pipas, tonéis e cubas». O volume transcreve na íntegra as respostas do Cura dos Pereiros e convida os leitores a descobrirem outros documentos que revelem novos aspectos da história do lugar. (Editora: Padrões Culturais, Foto: Ana Paula Nascimento, Capa: Mário Andrade) --

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por José do Carmo Francisco às 17:37


1 comentário

De Joaquim do Nascimento a 20.09.2014 às 12:00

Obrigado, Poeta, por continuar a recordar os Pereiros, quase tanto como eu que o faço em cada dia que passa, quando preciso de saber de mim e por onde ando.
O pequeno opúsculo a que se refere aqui já ganhou um novo capítulo depois que descobri a "memória paroquial" de Covas, naquele tempo, como a nossa, uma igreja com o seu cura e com os seus fiéis, hoje uma quinta de um vizinho só. Vai chamar-se " A Igreja Perdida de S. Sebastião do Lugar de Covas" está à espera de Editor, mas também não é coisa que eu não possa fazer por mim próprio, se o tempo me urgir.
E logo que possa, venha visitar o Alto Doiro, isto sou eu a fingir que hoje acordei lá, mas não, estou por aqui pelo Tejo, com saudades das vindimas e do cheiro a mosto do meu torrão natal e da Carreira da Viúva que me há-de levar.
Joaquim do Nascimento

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