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Transporte Sentimental



Domingo, 30.03.14

o novo livro de hugo beja

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A poesia de Hugo Beja (n.1943) encontra-se em grande parte inédita. Nos anos 60 integrou o Movimento Des-integracionista» com os escritores Armando Ventura Ferreira, Costa Mendes, Fernando Grade, Júlio-António Salgueiro, Nuno Rebocho e o pintor Mário Elias. A sua dupla inscrição de poeta e de artista plástico surge no poema da página 18, lembrando a sua avó. Primórdios do poeta: «Pelo meio-da-rua teu menino andava e ainda anda com uma simples quadra ciciada…» Primórdios do artista plástico: «Com lápis «Viarco» retrataste Castro e Albuquerque, ó inocência!» Nas citações dos poemas do livro se repete essa dupla referência da poesia e das artes plásticas: ao lado de José Régio, Jorge de Sena, José Gomes Ferreira, Fernando Pessoa e Ruy Belo, surgem Buonarroti, Leonardo, Rafael ou De Chirico. Entre a Natureza e a Cultura, o Poeta ouve a música (Stravinsky, Carnina Burana), vê uma dança (Nureyev) ou uma pintura (Kandinsky) e percebe que deixou de «ter idade» porque: «Compunhas tua ode misturando oólitos com musgo, matéria transcendente contida em velhos muros. Ficaste com remotos povos e edens ameaçados.» Depois de uma advertência em auto-citação («Em poesia não há «tempos» mas tão só existência») surge uma conclusão, provisória: «Indecifrável fala, a «fala». Apelo, exultação, feliz nomeação de Tudo Isto. Isto livre de «isto» e tributário de Tudo. E tudo Poema, faltando-lhe embora a sílaba sublime que ninguém escreveu ou escreverá.» (Editora: Fólio Exemplar, Capa: Ana Nunes, Desenho, Hugo Beja, Colecção: Gutemberg 2) --

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por José do Carmo Francisco às 18:11



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