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Transporte Sentimental



Segunda-feira, 02.06.14

nuno costa santos - «vou emigrar para o meu país»

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Começo esta nota com uma declaração de interesses: sou um apaixonado pela crónica como género literário e integrei (com Regina Louro e José Manuel Cortez) o primeiro júri de um Prémio Nacional de Crónica nos idos anos 80 com a A.P.E. e o Município de Beja. O vencedor foi um livro de Maria Judite de Carvalho. Com tal C.V. eu festejo esta publicação em livro de textos anteriormente divulgados em jornais, revistas, rubricas televisivas e blogues por Nuno Costa Santos (n. 1974) com uma advertência: na página 45 referem-se duas livrarias que já não existem – a Poesia Incompleta e a Trama. Noutra página repete-se a alusão à Trama que já fechou há uns anos. Neste livro, página a página e quase linha a linha, se percebe no autor o fascínio da crónica de autores brasileiros como Nelson Rodrigues («Nasci menino, hei-de morrer menino») ou Carlos Drummond de Andrade («Você é o marginal ameno») e também Rubem Braga: «Talvez o gosto de escrever uma crónica, apenas uma crónica (não um ensaio, não um romance, não um poema) seja a melhor forma de me aproximar de Rubem – ele que durante uma vida toda, apesar das pressões para se empurrar para outros territórios, só escreveu crónicas».

Como num mapa este livro parte de um espaço de Bairro («Onde estão os quiosques de jornais da minha adolescência tardia?») para chegar à Cidade («Hoje, ao telefone, soube de outro artista (um actor) com mais de sessenta anos que vive com dificuldades») e, pela Cidade, ao País: «O País é este – com os seus defeitos, entusiasmos, dramatismos, as suas virtudes, manias, gritarias. Por muito que se tente desmontar o sentimentalismo do povo português, ele nunca deixará de ser sentimental.» Um País que está em crise («as alturas de crise, por mais cliché que seja, são das melhores para arregaçar as mangas e fazer, seja na carpintaria, no sapateado ou na poesia») e onde o interesse pelo futebol não se altera: «Só quando dormimos mal depois da jogatana da derrota e passámos o dia seguinte a lamuriar o fim da jornada é que percebemos o tamanho gigantesco e imoderado do nosso sonho, da nossa ilusão». Duas notas finais: as saudades da terra natal («O menino mija? – Que cheguem à capital os melhores costumes de todas as partes do País») e o sentido do humor na Feira da Ladra: «Retratos de Presidentes da República já falecidos (Craveiro Lopes) mas ainda assim provavelmente mais actuantes do que os actuais». (Editora: Escritório, Foto da capa: Frederico Bivar, Design: Dania Afonso, Revisão: João Assis Gomes, Organização editorial: João Pombeiro) --

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por José do Carmo Francisco às 09:45



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