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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 04.06.15

«no centro do arco» de joão rasteiro

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João Rasteiro (n.1965) organiza este seu livro de 31 poemas em 3 capítulos («Tronco, Raízes, Folhagem») fazendo da árvore um espelho da vida e do seu absurdo: «Quando começa o frio as árvores despem-se» - escreve Amadeu Ferreira de Almeida. O ponto de partida é a voz do poeta: «A solidão é uma paisagem árida / que floresce nos átrios da casa») e o ponto de chegada é o arco, outro nome do poema: «O arco deixará o seu casulo doirado / como por uma fenda no tempo moldado do tronco / tocando com as asas o furor dos punhos / e o desejo basta-me para conter a força da sede / o único sabor que me resta nas tuas mãos / por tudo o que aquieta a aspereza dos dias.» No intervalo entre a partida e a chegada, surge a exaltação dos dias: «A cor dos dias nas árvores / em frágeis dedos de espuma, / uma só linha os conduz / na embriaguez do verbo vegetal / parede crua de fogo / onde, difícil, aprendo a arte do silêncio.» Ou então as planícies: «Sob a sombra atenta às nossas pegadas / animais ávidos de sangue meigo / preparam em comum as próximas batalhas.» Ou o amor das mães: «Sob a folhagem da água, mães cansadas / da aridez que as toca, incendeiam-se através / dos filhos.» Ou por fim as viagens: «Às vezes braços abertos em cratera / um estrondo que começa nos alicerces da boca / como se uma única fogueira na margem das aves / alimentasse o animal que se toca a medo / e emudecesse as palavras e todas as estrelas.» João Rasteiro sabe que, como escreveu Camilo Castelo Branco, «a poesia não tem presente: ou é esperança ou saudade». (Edição: Palimage Editores, Prefácio: Graça Capinha, Capa: Wassily Kadinsky) --

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por José do Carmo Francisco às 13:20



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