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Transporte Sentimental



Terça-feira, 24.02.15

«minhas cartas nunca ecritas» de vergilio alberto vieira

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Vergílio Alberto Vieira (n. 1950), autor de vasta obra (poesia, ficção, teatro, diarística, literatura infanto-juvenil), surge nesta narrativa de 22 fragmentos com toda a sua bagagem de crítico literário – actividade que exerceu desde 1975 na revista África e nos jornais Diário de Lisboa, Jornal de Notícias e Expresso. Não por acaso o título do volume é um verso de Mário de Sá-Carneiro e surgem citações de autores como António Ramos Rosa, Luís de Camões, Camilo Pessanha, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Ingborg Bachmann. E também Schöenberg. Embora as 22 referências de cada texto sejam as cartas do Tarot, o discurso é, sem dúvida, de autoficção - o que não significa autobiografia. O ponto de partida é o lugar e o tempo da infância. Do casamento dos pais («Passava o Verão, o ardente estio, quando por fim, a 11 de Agosto de 1949, meus pais casaram») ao seu tempo de criança: «Como não tinha irmãos e tanto me entristecia estar assim o tempo só, passei a dar comigo, eu sei lá: fora de mim, sentindo os pés presos à terra». A Guerra Colonial foi vivida em Angola: «Tenho pouco mais de vinte e já muitos vi agarrados às tripas, a correr em direcção a nada, enquanto iam disparando contra o esqueleto em altura dos prédios» e é apenas mais outra doença, como a doença da página 104: «Agora, 3 de Novembro de 1989, ela era a criança desses dias, nas mãos da equipa médica que removia o tumor na dorida garganta que a branca víbora escolhera». Entre o chão de víboras da guerra e a víbora da doença. O ponto de chegada é a noção de viagem de regresso de Lisboa a Braga: «Sou aquele a quem hoje, entre Santa Apolónia e a Estação do Oriente ocorre que nada vale adiar o instante em que ficámos sós».(…) «Adiante, já sobre a ponte de ferro com que a noite enlouquece os maquinistas pelo Vale de Santarém, o embaraço do velho com a lanterna junto à linha – Que horas são?» Dentro do Alfa Pendular, surge a moral da história: «Bem sei que, afinal, todos temos duas vidas – a que se esquece e a que nos esquece». (Editora: Papéis de Fumar, Capa: Adolf von Menzel, Prefácio: Ernesto Rodrigues) --

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por José do Carmo Francisco às 14:17



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