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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 28.08.15

«minha mulher a solidão» de vergílio alberto vieira

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Depois dos anteriores «Destino de Orfeu» (1987) e «A invenção do adeus» (1994), esta é a terceira experiência de Vergílio Alberto Vieira (n.1950) na vertente diarística, Trata-se de facto de um diário (2003-2013) cujo título vem de um poema de Fernando Pessoa: «Minha mulher, a solidão / consegue que eu não seja triste / Ah, que bom é ao coração / ter um bem que não existe». As páginas do diário registam encontros com livros de autores tão diversos como Maria Ondina Braga, Fiama, Clara Janés, Ramiro Fonte, Ruben A., Manuel António Pina, António Ramos Rosa, Mário Cesariny ou Jorge de Sena. Sobre Roby Amorim (1927-2013) uma nota na página 113: «O jornal onde trabalhou remeteu a notícia para um canto de página infame; a cidade ignorou-o, a favor das encenações que a pornografia consumista elege, pelo Natal, até à náusea, sem respeito por quem da sua terra nunca esperou auréola de santidade nem pensou pudesse encontrar quem tivesse lido Elucidário de conhecimentos quase inúteis. Eis, pois, uma boa razão para reconhecer que só os medíocres são profetas na sua terra.» Referimos apenas quatro no0tas. Primeiro sobre Poesia: «Porque somos mortais, inseparáveis da matéria? ou só porque a poesia pode ajudar o homem a ir além de si. Talvez, por isso, possa dizer-se que a poesia explica a vida, mesmo quando a vida não explica a poesia.» Segundo sobre a Guerra Colonial: «A peça (Pára-me de repente) publicada antes pela Editorial Caminho, traz de volta ao imaginário português a saga colonial, jornada que a (des)memória lusitana nunca deu por cumprida, fazendo justiça à vontade dos carrascos que sacrificaram, durante catorze anos, um povo que insiste em não saber quem é». Terceiro sobre a Mãe: «Já soube tecer e fiar como as outras raparigas do seu tempo. Agora, agoniza num leito de morte, de olhar fixo na luz de um dia que não chega a nascer, sem canseira nem tempo, que ajudem a esquecer o reino de Athena que atrás dela se distancia como um barco no mar.». Quarto sobre o Livro: «A lógica industrial que impera, actualmente, no mundo da edição, e a haver excepções só confirmam a regra, anteviu-a Karl Kraus para a idade do progresso como um porta-moedas de pele humana.» (Editora: Crescente Branco, Prefácio: José Manuel de Vasconcelos, Capa: Artemisa (detalhe), Foto: Dario Gonçalves) --

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por José do Carmo Francisco às 22:43



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