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Transporte Sentimental



Sábado, 08.02.14

memória de fernando assis pacheco e de são miguel

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A propósito do livro de Nuno Costa Santos «repesco» um SAC de 4-1-1996 (Correio dos Açores) com um texto meu publicado por Vamberto Freitas: «Entre a montra da livraria e a montra do BPA da Alexandre Herculano falámos muito da Ilha de São Miguel . Era por Junho de 1992 e eu iria no mês seguinte passar uma semana de férias na Ilha Verde. Fenando Assis Pacheco indicou-me todos os bocadinhos que não podia perder. Desde a Bretanha ao Nordeste, desde os Fenais da Luz às Caldeiras da Ribeira Grande. Desde o Salto da Farinha a Porto Formoso e à Maia. E tudo o resto: Ponta do Sossego, Ponta da Madrugada, Lagoa do Fogo, Lagoa e a sua loiça, Salto do Cavalo e o olhar sem balizas, as Furnas, as Sete Cidades, as Sete Lombas da Povoação, os Mosteiros, o Faial da Terra… Pelo meio falou também duns bares simpáticos em Ponta Delgada mas atalhou: «Você dispensa este roteiro nocturno, é um poeta da luz e do dia…» Disse-lhe em primeira mão que o título do meu livro seguinte já estava escolhido e era «Leme de Luz». E falámos de muitas coisas mais. Como, por exemplo, as dedicatórias que me fez para os seus livros. No «Walt» escreveu: «Caro José do Carmo Francisco: em 1983 este cidadão é para esconder debaixo da telefonia mas o abraço não! FAP». No «Catabalanza, Quilolo e Volta» escreveu: «Caros José do Carmo Francisco: estes versos foram escritos para servir de exemplo – mas alguém lhes ligará? O abraço do FAP». Lidas com os olhos de hoje, vejo (penso que vejo) na primeira uma divertida ultrapassagem dum tempo no qual foi preciso mascarar as coisas e «Walt» era um Vietname na Gare Marítima de Alcântara e «Cau Kien – Um resumo» o nome falso do verdadeiro Catalabanza, Quilolo e Volta. Por causa da Censura e da PIDE e de tudo o que uns «senhores» dizem que não existia. Vejo na segunda dedicatória um receio óbvio de não vir a ter leitores ou então não ter os leitores que merecia. E merece. Fernando Assis Pacheco sempre desconfiou dos elogios, sempre preferiu edições discretas, foi um trabalhão reunir o material para «A Musa Irregular» – um livro com 202 páginas. Contou-me mais tarde, numa conversa no Palácio Galveias que a operação em Santa Maria lhe tinha dado outra dimensão do que é «ser conhecido»: apesar de ter ido à televisão muitas vezes, toda a gente o tratava por «sô Fernando». Era apenas mais um doente. Este pequeno episódio particular entronca na dedicatória e na dúvida: alguém ligará a uns versos que foram escritos para servirem de exemplo? PS – Encontrei hoje no Metropolitano o editor de Fernando Assis Pacheco que tem um certo pudor em publicar já o seu mais recente livro, trinta poemas inéditos. Vai esperar, deixar que o pó assente e que as lágrimas comecem a secar.» JCF --

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por José do Carmo Francisco às 09:09



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