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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 13.03.15

«livro de reclamação e rebuçados a avulso» de pedro silva sena

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Pedro Silva Sena (n.1975) estreou-se com «Cancioneiro do absurdo» em 1999, seguindo-se «Poemas de cal» em 2004 e «Monumentos» em 2011. Este «Livro de Reclamação e Rebuçados a Avulso» é o seu mais recente trabalho poético em livro mas a sua acção como tradutor e editor prolonga-se na «Inefável» (revista electrónica de Poesia) e também nos «Cadernos DiVersos». No seu mais recente número (caderno nº 20) surgem traduções de poemas de Wendy Cope (inglesa) e de Gabriel Sampol (espanhol), assinadas por Pedro Silva Sena. O ponto de partida deste livro pode ser o poema da página 52: «Porquê poemas? / Porque as palavras / Ao contrário / Do que querem fazer / Não servem apenas / Para falar ou escrever». De facto as palavras na Poesia são diferentes da notícia de jornal ou da memória biográfica. Vejamos um exemplo: o autor viajou no Metro de Lisboa e no Metro de Londres. O segundo está presente num poema da página 30: «Aquele homem não se quis sentar ao lado deste homem / que veio de longe e está a dormir.» O primeiro surge como síntese poética no poema da página 29: «o metropolitano de Lisboa foi inaugurado em mil novecentos e cinquenta e nove / um ípsilon vulvar entre as coxas da cidade-varina» Povoam este livro de poemas algumas referências culturais que apelam a um conhecimento, seja da Literatura (Sancho Pança, Tomé Pinheiro da Veiga, T. S. Eliot) seja da Filosofia (Nietzsche) seja da Economia (John Keynes, Simon KIznets) ou ainda da História tanto actual como do século XIX. Por exemplo: Bradley Manning é o soldado americano conhecido por ter denunciado em vídeos alguns militares dos EUA a assassinarem civis no Iraque como se estivessem a jogar «playstation» e Martial Bourdin é o anarquista francês que no fim do século XIX tentou destruir à bomba o Royal Observatory de Greenwich mas morreu no atentado. O poema da página 48 resume o livro e funciona como testemunho final: «Um homem pode ter toda a sua fortuna no bolso / (um pente, um bilhete de autocarro, um cartão de utente)/ e dispô-la em cima de um balcão como se guardasse as chaves de todas as portas / do mundo.» (Edição do Autor na Bubok) --

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por José do Carmo Francisco às 11:21


1 comentário

De Joaquim Nascimento a 16.03.2015 às 11:32

Diga ao poeta que me dê meia dúzia deles, Peitorais por favor..
Jn

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