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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 13.08.14

leituras de 2011 - «o mágico pressentir do artista » entrevistas de josé marmelo e silva

Depois de «Leituras de José Marmelo e Silva», Ernesto Rodrigues edita neste volume de 144 páginas as 21 entrevistas concedidas a jornais e revistas entre 1943 e 1987 por José Marmelo e Silva (1911-1991). Um centenário pode servir para homenagens municipais mas também para revisitar um autor e uma obra; as palavras deste livro são uma boa oportunidade. Numa entrevista de 1968 afirma José Marmelo e Silva: «Escrevo porque vivo e quero merecer a minha dignidade humana. Essa dignidade alcança-se criando. Criar é a melhor forma de agir». Sobre o seu trabalho de escritor, responde em 1965: «Sou contra toda a espécie de rotina, nomeadamente, a de escrever assiduamente. Não aceito a arte como um ofício.» As condições da chamada vida literária são assim comentadas em 1943: «Grandes inimigos são o êxito fácil e a pressa de chegar. Os camaradas de café, as luminárias do editor, a crítica inconsciente, quando não abusiva, e fumos semelhantes, embotam a ânsia e a límpida alegria do aperfeiçoamento. Em suma: esquecemo-nos de que triunfo e êxito não são a mesma coisa. O êxito é agradável mas o que vale é o triunfo, ainda que se espere um século». Por fim um exemplo de uma entrevista de 1948: «O descrédito do livro português é a sequência lógica da má orientação editorial e cultural dos últimos anos. Em tempo de paz, éramos um país literariamente ocupado pela França; em tempo de guerra fomos constantemente invadidos pelo lado do mar…» (Editora: Centro de Estudos José Marmelo e Silva, Edição: Ernesto Rodrigues) --

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por José do Carmo Francisco às 09:21



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