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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 12.09.14

leituras de 2011 - «a vida privada em portugal» de josé mattoso e irene vaquinhas

O objectivo deste terceiro volume é reconstruir a história da vida privada em Portugal entre 1820 e 1950. O livro parte de duas perguntas: «Como captar o silêncio, o íntimo, as nuances dos afectos, o que não se diz e permanece oculto? Como aceder aos monólogos interiores; às orações, aos medos, aos desejos e aos sonhos de vida futura?». De Benjamin Constant a Jean-Claude Kaufmann, os vários autores coincidem num ponto: «a vida privada emerge na segunda metade do século XVIII no momento em que despontam os sistemas políticos democráticos que definem uma nova categoria de cidadãos». Em 190 havia no Continente e nas Ilhas apenas 9,6% de casas com casa de banho, 24,2% com electricidade, 17,9% com água e 16,2% com esgoto de rede pública. Por outro lado entre 1944 e 1950 houve 48.709 casamentos em Lisboa e apenas 12.643 novas casas. É neste pano de fundo que se joga o intervalo entre conflito e bem-estar: do fado de Marceneiro («A mulher só vai a soco / Pois doutra forma faz pouco / Dum homem que ela não tema / E um bom murro nos queixos / É inda o melhor sistema / Para a fazer entrar nos eixos») ao louvor da conversação por Castilho – «é para tantos o seu único teatro, a sua única filarmónica, a sua única literatura». E também o intervalo entre doença e felicidade: a tuberculose («De noite acordei e lembrei-me de todos os Natais e, sem querer, vieram-me as lágrimas aos olhos») e as férias nas Caldas da Rainha: «não tinham as instalações luxuosas de Baden-Baden ou Wiesbaden mas a povoação tinha algumas vantagens: uma estadia mais descontraída e informal, uma alimentação simples, saudável e barata, uma população simpática e afável». Também o intervalo entre pão («para Júlio Dinis, D. João da Câmara ou Raul Brandão o pão dos pobres é sempre o pão negro») e vinho: «Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses». Sem esquecer os três tipos de casais lusitanos do fim do século XIX: «varão – manda ele e ela não; varela – manda ele e manda ela; varunca – manda ela e ele… nunca». (Editora: Temas e Debates/Círculo de Leitores, Design: Leonor Antunes) --

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por José do Carmo Francisco às 11:21



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