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Transporte Sentimental



Terça-feira, 22.07.14

leituras de 2009 - «outros frutos» de luísa ribeiro

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Organizada em dois capítulos («Outros frutos» e «Intervalo»), esta edição bilingue tem como ponto de partida a voz da solidão («Estou só e ferida») e como ponto de chegada o encontro do amor («tens um coração e dois / olhos como toda a gente mas não sei / o que te reveste de tão puro que ficas / parecido com a lua). Entre a solidão e o amor existe uma distância igual à que distingue a Natureza da Cultura: «não passas do papel / para a ogiva dos meus braços e morro / antes que me encerrem as palavras / numa fábrica de significados / e uma língua de água / me passe perdida no rosto / alucinado». O segundo espaço («Intervalo») organiza-se em prosopoemas e desloca o fulcro dos textos do Corpo para a Casa: «A minha casa é eterna, se eu escrever a minha casa». Essa casa existe perto do mar («Vem da luz do mar aos meus olhos de fera perdida») e situa-se numa ilha: «Assaltam-me piratas na madrugada. Roubam-me da arca os bichos de pelúcia, degolam-me bonecas cegas e rasgam os poemas que te escrevi aos dez anos». Na desordem do Mundo a saída possível está numa peregrinação ao contrário – do Universal para o Local: «Sou peregrina de Compostela à Serreta. Faço descalça qualquer trilho, rumo infinito. Prometo aos pés doidas caminhadas. Guardo num vaso o cabelo rapado. Não evito urtigas, agulhas, espinhos e vou forte prometer a vida. Peço três desejos de águia. No regresso, tomo o caminho do Paraíso». (Editora: DAURO, Prefácio e Tradução: Emílio Ballesteros, Prólogo: Nuno Júdice) --

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por José do Carmo Francisco às 16:23



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