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Transporte Sentimental



Terça-feira, 16.08.16

fala de antónio para helena na «terra permitida»

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Soube sempre, soube desde sempre que o nosso amor não seria um amor feliz mas amores felizes há muitos nos livros, nos teatros e nos cinemas. Preferi o teu encanto ao encanto da rainha Dona Amélia quando ela veio à Ilha de São Miguel com o rei D. Carlos. Nesse dia fiquei a falar contigo e não fui ver os reis porque se o meu pai não tivesse morrido pobre eu nem sequer teria um casaco para vestir. O meu amor por ti cresceu entre o cheiro da terra, o cheiro da madeira da oficina do mestre Abílio e o cheiro do licor de tangerina. O meu amor por ti cresceu também entre lágrimas. A nossa terra sempre foi uma terra de lágrimas mas lágrimas diferentes de pessoa para pessoa. O José Sobrancelha Loura fez o enterro da mulher com lágrimas porém sem música mas já o menino Horácio trouxe para o funeral da sua mulher a Filarmónica dos Fenais da Ajuda e a música era tão triste que as pessoas até choraram mais. O meu amor por ti cresceu entre a música da minha guitarra e a música de uma peça de Debussy que toquei para tu sentires a Lua mesmo sem a poderes ver. O meu amor por ti cresceu também entre as palavras para mim estranhas e o som das primeiras sílabas: água, braço, gato, rato, uva, xaile, zebra. Mais tarde eu já podia ler para ti outras palavras: «Longas são as estradas da Galileia e curta a piedade dos homens». O meu amor por ti cresceu e não vai ter fim. Já está num livro e os livros são uma memória que não deixa morrer os sentimentos das pessoas como nós. O teatro e o cinema também. Quem sabe, Helena, se um doa a minha guitarra e a tua burrinha não vão aparecer num palco de teatro ou numa sala de cinema. Quando um amor é grande como o meu, tudo é possível, Helena. Tudo é possível. --

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por José do Carmo Francisco às 12:31


1 comentário

De Alípio Fontanelas a 16.08.2016 às 15:29

Lá está este trangalhadanças a apontar defeitos a tudo e a todos e a fazer escândalos por lapsos de meia-tigela que qualquer um percebe que são coisas sem a mínima importância. Mas não és capaz de ser honesto e assumir a tua bacorada de chamar clínica a um hospital e confundir Carnaxide com Linda-a-Velha. O que vale é que ninguém lê as tuas patacoadas.

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