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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 22.10.14

fala comovida para um guarda-redes na sombra

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Levanta os teus olhos para a luz que (embora amarga) é o único destino das tuas lágrimas depois de secas, depois de soltas pelo teu rosto, depois de convertidas em agricultura no perímetro da pequena área. A tua. Levanta-te e sai da sombra, sai do silêncio prolongado da nossa vida, depois da defesa feita em vão aos avançados da morte quando não foi mais possível segurar a bola na direcção da baliza que sozinho defendias. A tua. Levanta-te e volta as costas ao pó, ao sol e à chuva do lado do Oceano Atlântico nas tardes de Domingo. Tu sabes. È urgente ter as quotas em dia, pagar á lavadeira, pedir a quem possa costurar alguns números soltos nas camisolas: o quatro, o seis e o número um. O teu. Levanta-te e diz-me de novo tudo o que sabes sobre os jogos dos anos vinte, as manias do Zamora, o Roquete, o Casoto, o Cipriano dos Santos, as cambalhotas dos vencedores. Tu estás hoje do outro lado, na dificuldade em sair do lugar da derrota, do silêncio e da sombra. Levanta-te e vem à linha receber as instruções para a segunda parte que só agora começou: Pôr um boné por causa do sol, mudar de equipa e de lugar, trocar a morte pela vida. (a José Almeida Penas, meu avô materno, 1906-1979, o guarda-redes desta equipa) --

Autoria e outros dados (tags, etc)

por José do Carmo Francisco às 14:46


1 comentário

De Luis Eme a 23.10.2014 às 13:05

Bela homenagem.

Abraço

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